Caindo na Braquiária

 

A maciez da carne do Bonsmara

Alexandre Zadra

Quando o incansável Carlos Maluhy, pecuarista esmerado e o mais bonsmarista deles, entrou no estande em que eu trabalhava durante a edição de 2001 da Agrishow, convidando-me a apartar um dos seus touros jovens Bonsmara para coleta de sêmen, eu não podia imaginar a dimensão que a raça poderia tomar em tão pouco tempo de Brasil.

O movimento dos "montaneiros" (criadores de Montana) em direção às raças taurinas adaptadas se fazia presente nessa década, ou seja, parte dos participantes do Programa Montana que vinha usando sêmen de Bonsmara, Senepol, Caracu, Romosinuano e Belmont Red nas matrizes cruzadas Simental, Limousin, Angus ou Braunvieh, para se produzir o composto tropical, ficou fascinada com o resultado dessas raças adaptadas no gado tricross, partindo, então, para a criação de animais puros dessas raças, que se encaixariam perfeitamente no sistema de produção de carne de qualidade nos trópicos.

O grupo dos "montaneiros" que decidira selecionar Bonsmara foi em busca da melhor genética sul-africana, importando embriões das mais diversas linhagens, formando o que é hoje o rebanho Bonsmara brasileiro.

Enquanto isso, Maluhy e um grupo de entusiastas da raça contratava os serviços do pesquisador do ITAL de Campinas, Dr.Pedro Eduardo de Felício, um dos maiores cientistas na área de carnes, a fim de provar na prática a tão comentada e publicada maciez da carne do Bonsmara, muitas vezes comparada à carne do Angus. Tais pesquisas concluíram que realmente a carne é muito macia, abrindo-se, então, as portas para um programa de carne de qualidade com a raça.

Em 2001, é criada a associação de Bonsmara e, com ela, o Programa Bonsmara Beef, onde o principal objetivo era fornecer à classe mais exigente de consumidores uma carne macia, com gordura de cobertura adequada e, ao mesmo tempo, saudável. O programa dependia de abates periódicos, sem poder falhar na constância de fornecimento, aspecto esse que leva ao insucesso grande parte dos programas de carne de qualidade.

Entre 2002 e 2010, vimos a venda de sêmen Bonsmara crescer lentamente, e um dos motivos era o fornecimento de touros menos adaptados às condições pecuárias tropicais do Centro Norte do País, bem como o fato da nossa pecuária extensiva não possibilitar a recria de animais menos adaptados.

O aumento da disponibilidade de sêmen da genética Bonsmara "brasileira", mais adaptada ao clima tropical, aliado à profissionalização de nossa recria, através do sistema de integração lavoura-pecuária (ILP), e, sobretudo, o uso da melhor tecnologia nutricional por parte dos confinamentos, que se comprometem em entregar animais com o acabamento desejado aos programas, devem levar a raça a se destacar no fornecimento de carne de qualidade no País. Assim, o sonho de Maluhy se perpetua, o de produzir uma raça totalmente voltada à produção, fornecendo a melhor carne do mundo.

Alexandre Zadra - Zootecnista
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