Feno & Silagem

 

Quadrados ou redondos, planejamento é essencial

Tamanhos, formas e manuseio dos fardos devem ser pensados antes de se iniciar o processo de enfardamento

David Hart*, Marcos Costa** e Rui Vieira***

Usando um chavão bastante antigo, "falhar no planeamento, é preparar-se para falhar". A coisa mais importante a fazer quando se decide avançar no enfardamento é definir o que se pretende e o que é necessário para alcançar os objetivos traçados:

1. Para que os fardos vão ser usados?
2. Como os fardos serão usados?
3. Como é que os fardos vão ser manuseados, e com quê?
4. Quantas vezes irão ser manuseados?
5. Os fardos serão transportados? E, se sim, até que distâncias e de que forma?

Estas questões permitem escolher o melhor tipo de fardos, para se adaptar ao seu trabalho em particular. Se serão fardos quadrados pequenos, redondos (vários tamanhos) ou quadrados grandes (também de diversos tamanhos). Uma vez escolhido o tipo de fardo, irá poder escolher a marca e modelo da enfardadeira que melhor produz aquela dimensão de fardo em particular. Algumas empresas fornecem ferramentas on-line para ajudar o pecuarista a planejar a dimensão do fardo produzido por cada máquina.

Assim que definir a enfardadeira, bem como o trator, é muito importante dispensar-lhe algum tempo, preparando-os e configurando-os com uma única unidade em perfeita simbiose para o trabalho em mãos. É imperativo que as máquinas estejam com uma adequada manutenção e perfeitamente configuradas para um ótimo desempenho. Para obter os melhores resultados da sua enfardadeira, no início da época, ou quando inicia um novo trabalho numa nova enfardadeira, dispense algum tempo verificando a máquina, preparando- a de acordo com as instruções do fabricante e configurando-a corretamente. Duas boas horas gastas neste momento irão poupar ao pecuarista várias horas de produção perdidas ou problemas ao longo do processo de enfardamento.

Tudo o que fizer depois disto deve focar-se em alimentar a enfardadeira com a melhor apresentação de colheita possível, para que a enfardadeira possa fazer o seu trabalho produzindo um fardo ao melhor nível da sua capacidade. Se fornecer produtos de baixíssima qualidade à enfardadeira, ela vai produzir fardos de baixa qualidade. E o que se pretende na prática são fardos de excelência, para que os seus clientes observem, apreciem e o escolham as melhores opções para fazer o trabalho por muitas vezes.

Existem muitíssimos artigos sobre feno e silagem que fornecem detalhes sobre percentagem de matéria seca, tempo que demora a secagem do pasto, tempo que o nitrogênio leva para ser absorvido e utilizado pelas plantas. Por este motivo, este artigo não irá se debruçar sobre estes fatores, discutindo outra etapa igualmente importante do processo.

Muita da qualidade de um fardo é proporcional à do material que alimenta a enfardadeira. No caso de o produtor poder contar apenas com duas pessoas para fazer o enfardamento, sendo uma pessoa com elevados conhecimentos e competências e uma pessoa com poucas habilidades como ajudante, é necessário certificar- se que o profissional melhor preparado seja o responsável por fazer as pilhas e linhas de qualidade para alimentar a enfardadeira. Assim, a pessoa com menor nível de instrução pode então tão-somente guiar a enfardadeira e deixá-la fazer o seu trabalho. Se apresentar linhas de qualidade, então, a câmara irá encher-se uniformemente. Isto irá gerar fardos de excelentes formas, consistentes densidades, exatamente o que é preciso para obtenção de um material de excelência e à prova de falhas.

A escolha do tipo de fio ou rede usado para segurar cada fardo depende do projeto inicial

Comece por empilhar a colheita numa linha, aproximadamente, 15 – 20 cm (6" – 8") mais larga que o cilindro de alimentação da enfardadeira. Isto irá permitir que a enfardadeira seja guiada numa linha reta (sem fazer curvas), alimentando um fluxo contínuo de colheita para dentro do cilindro de alimentação da enfardadeira. A linha deverá ser feita o mais próximo possível de um perfil quadrado.

Tente evitar a formação de montes, uma vez que isso irá deixar a enfardadeira com a câmara parcialmente cheia dos lados e levar a fardos frouxos e mal formados. Dependendo da colheita, a pilha deverá ser usada para colocar o máximo de faixas necessárias juntas. Duas em uma, três ou até quatro em uma, se necessário, dependendo das condições. Cautela/Compromisso deve ser tido em consideração com colheitas delicadas, uma vez que demasiado manuseamento irá levar a um aumento substancial de perda de forragem e, consequentemente, na qualidade da colheita em fardos.

Uma vez que tiver formado boas filas para guiar a enfardadeira, mantenha- a a uma boa e consistente velocidade, com o cilindro de alimentação da enfardadeira cheio, mas sem bloquear ou obstruir a garganta da máquina, mantendo um bom enchimento do compartimento.

A escolha do tipo de fio ou rede usado para segurar cada fardo depende não somente das especificações da enfardadeira usada, mas também da decisão original sobre que tipo de finalidade se dará ao produto. Se estiver a fazer fardos densos que vão ser transportados e manuseados por uma infinidade de vezes, então, serão necessários fios com uma força de nó superior ou uma rede mais forte, quando comparada com fardos que apenas vão ser manuseados localmente e que serão menos sensíveis. Mais densidade e mais manuseamento significa que irá necessitar de um produto mais forte. Aconselhamento sobre como escolher produtos sintéticos e de sisal está disponível através da ferramenta AGRITOOLS, em http://agritools.cordex.com/.

Nunca use, no entanto, sisal para fazer silagem. Irá degradar-se rapidamente, se embalado em plástico ou rede. Sobre estas condições o processo de deteriorização é rapidamente acelerado, levando a quebras e fardos danificados. O sisal pode ser usado facilmente em condições de colheitas secas, tais como feno ou palha. Ao fazer silagem, por fa- Comece por empilhar a colheita numa linha, aproximadamente, 15 – 20 cm (6" – 8") mais larga que o cilindro de alimentação da enfardadeira. Isto irá permitir que a enfardadeira seja guiada numa linha reta (sem fazer curvas), alimentando um fluxo contínuo de colheita para dentro do cilindro de alimentação da enfardadeira. A linha deverá ser feita o mais próximo possível de um perfil quadrado. Tente evitar a formação de montes, uma vez que isso irá deixar a enfardadeira com a câmara parcialmente cheia dos lados e levar a fardos frouxos e mal formados. Dependendo da colheita, a pilha deverá ser usada para colocar o máximo de faixas necessárias juntas. Duas em uma, três ou até quatro em uma, se necessário, dependendo das condições. Cautela/Compromisso deve ser tido em consideração com colheitas delicadas, uma vez que demasiado manuseamento irá levar a um aumento substancial de perda de forragem e, consequentemente, na qualidade da colheita em fardos. Uma vez que tiver formado boas filas para guiar a enfardadeira, mantenha- a a uma boa e consistente velocidade, com o cilindro de alimentação da enfardadeira cheio, mas vor, lembre-se que ao triturar a forragem ou grãos irá dar-lhes maior densidade, menos ar e melhor silagem, contudo, isso irá requerer uma rede ou fio mais forte para manter o fardo apertado e com um formato controlado.

Fardos quadrados pequenos surgem numa variedade restrita de tamanhos e só usam 2 ou 3 fios. A maioria pode usar produto sintético ou de sisal e a escolha será baseada nos pesos requeridos e também nos locais onde os fardos serão armazenados. Se as condições forem quentes e úmidas, então, tente usar produto sintético, uma vez que irá impedir a quebra do fio sujeito à degradação. A contagem de camadas do fardo de dois fios com boas linhas de colheita e um cilindro de alimentação da enfardadeira de dois metros de largura ou superior será normalmente ao redor de sete.

Fardos quadrados grandes surgem em variedades mais amplas e os fardos são usados num leque mais alargado de aplicações finais. Variando em tamanhos, desde 0,8 x 0,5 m x 1,5 m de comprimento com quatro fios a 1,2 x 1,3 m x 2,4 m com seis fios, existem leques de dimensões muito mais alargadas. Se o produtor optar por um fardo de 2,4 m (8'), a contagem de camadas no fardo deverá ser no máximo ao redor de 20. Se a enfardadeira for guiada a alta velocidade, será possível obter uma contagem de camadas um pouco mais abaixo, para cerca de 17 ou 18, todavia, levará a fardos de menor densidade e peso e, possivelmente, à má formação do fardo. Isso poderá acarretar problemas de manuseamento, transporte e armazenamento. O oposto também é verdade. Se guiarmos muito devagar a enfardadeira, a contagem de camadas por fardo irá também retirar energia da colheita, permitindo-lhe provavelmente usar um fio num grau inferior, proporcional ao peso da colheita do fardo.

Quanto mais denso, mais forte precisa ser o enfardamento

Qualidade do fardo depende daquilo que alimenta a endardadeira

Fardos redondos podem ser feitos usando rede, fio sintético ou sisal. Uma rede de boa cobertura "ponta a ponta" (S2S – "side to side") irá provar- se mais econômica e será mais rápido produzir fardos resistentes às condições climáticas mais agressivas e serão guardados em melhores condições. Quanto mais largo o fardo e mais agressiva a colheita, mais voltas de rede serão necessárias. O alcance será de 1,2 m x 1,2 m (4'x4') por fardo de feno com duas voltas de rede e 1,5 m x 1,8 m (5'x6') por fardo de milho com quatro ou cinco voltas de rede.

O armazenamento dos fardos também é uma consideração importante em termos de qualidade.

Fardos quadrados, pequenos ou grandes, deverão ser empilhados de forma apertada para evitar pequenas falhas entre eles, ou, alternativamente, bem espaçados, para permitir uma boa ventilação e controle de temperatura.

Os fardos redondos devem ser empilhados em superfícies planas e na forma de torres. Evite o empilhamento dos fardos de forma piramidal, uma vez que isso exerce força extra sobre a rede e pode levar a maior dano potencial.

Em todo o armazenamento, pequenos espaços entre os fardos deixam pequenas áreas quentes de abrigo, atraindo roedores. Se não forem calibrados corretamente e restos de grão permanecerem dentro dos fardos, os ratos irão causar elevado dano e rotura de fardo catastrófica, uma vez que comem através da rede ou do fio para chegar à comida e para fazer ninhos quentes, escuros e seguros.

Fardos perfeitos são produzidos quando o planejamento acontece antes de iniciar o trabalho. Controlar o processo previne custos indesejados de produção ou perdas de fardos acabados há mais tempo. Tudo isto leva a clientes satisfeitos e a um negócio rentável para o agricultor, o pecuarista e o enfardador responsável.

David Hart é do Comercial – Inglaterra da Cordex IN ** Marcos Costa é diretor Comercial América do Sul da Cordebras *** Rui Vieira é do Marketing da Cordex OEM