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Investimento nos extrapesados

Antonio Cammarosano, diretor nacional de vendas da MAN Latin America, fala das ações da empresa e lançamentos

"Nossos caminhões são adaptados às condições brasileiras"

Revista AG – Vocês conseguem mensurar quantos dos seus clientes são pecuaristas?

Antonio Cammarosano – Hoje, muitas fazendas estão usando razões sociais mais genéricas, em função do comércio e fica difícil mensurar por segmento. Mas, se pegarmos os caminhões que são usados para ao transporte de boi, as vendas ficam em torno de 5%. Porém, se considerarmos os clientes que compram direto da concessionária e colocam os veículos para operarem na pecuária esse número poderia chegar até 10%.

Revista AG – Quem é o maior comprador de caminhões para o segmento pecuário?

Antonio Cammarosano – O JBS é o nosso maior cliente pecuarista e o que mais compra nossos caminhões, tanto de transporte de bois quanto de carnes. São cerca de 3 mil caminhões/ano.

Revista AG – Quais os investimentos da MAN para tornar os veículos mais resistentes às condições adversas da malha rodoviária brasileira?

Antonio Cammarosano – Um dos nossos diferenciais é que todos os caminhões são desenvolvidos para o Brasil e os testamos justamente nessas estradas adversas. Um exemplo é o caminhão MAN TGX, desenvolvido na Alemanha e que agora é vendido aqui. Durante os testes desse veículo, trocamos mais de 240 itens para deixá-lo adaptado às condições brasileiras. Isso nos trouxe a liderança de mercado.

Revista AG – A empresa no começo do ano tinha a expectativa de aumentar em 20% a produção no Brasil. Estão próximos de cumprir a meta?

Antonio Cammarosano – A produção não cresceu como o esperado, as vendas não aumentaram, pois havia um estoque de transição 2011/2012. Em função do PIB estar muito instável, as vendas de veículos de 5 até 45 toneladas ficaram praticamente estáveis. O que cresceu foi o segmento de extrapesados, alavancado principalmente pelos grãos. Neste setor avançamos, mas sobre uma base pequena, porque nossa participação também é menor.

Revista AG – A MAN participa da Fórmula Truck, importante competição automobilística. Qual a importância de eventos como esse para fixação da marca?

Antonio Cammarosano – A Fórmula Truck é hoje uma das principais ferramentas para eventos de relacionamento com clientes. Além disso, participamos da categoria para reforçar a imagem da marca, que cresce à medida que conquistamos ótimos resultados, como pode ser observado com as vitórias do modelo Titan Tractor, depois Volkswagen Constellation. Estamos confiantes de que seguiremos a mesma tendência com o MAN TGX.

Revista AG – A MAN ganhou as licitações para produzir 5.200 veículos para o governo. Como foi o processo?

Antonio Cammarosano – Vencemos a licitação para fornecer veículos à Secretaria de Estado da Educação, a um programa destinado a levar pessoas de baixa renda à escola. Também somos o maior fornecedor no Programa Caminho da Escola, ao qual fornecemos mais de 15 mil veículos que levam crianças da área rural até os colégios. As outras duas licitações vencidas foram a da Ministério do Desenvolvimento Agrário e a do Exército. Nos últimos cinco anos, nos tornamos um dos maiores fornecedores de caminhões do Exército, vendendo veículos 6x6, um modelo que não tínhamos. E, quando desenvolvemos o novo produto, o Exército o certificou. Foi um orgulho porque os critérios de qualidade foram muito rigorosos.

Revista AG – Quais foram os destaques apresentados no Salão Internacional da Indústria do Transporte - Fenatran 2013?

Antonio Cammarosano – Os novos caminhões extrapesados, justamente prevendo um aquecimento desse mercado, em função do bom momento dos grãos. Destaque para o VW Constellation, modelos 19.420, 25.420 e 26.420.

Revista AG – E as expectativas do setor para 2014?

Antonio Cammarosano – Estamos prevendo um crescimento entre 5% e 10%, alavancado pela aceleração do término das obras de infraestrutura da Copa do Mundo e das Olimpíadas. Além disso, ano que vem tem eleição e muitos investimentos serão feitos para tirar o atraso de obras que estão em ritmo lento.