Mercado

Volume de animais restrito determina preço da arroba

O mercado da carne bovina vem sendo influenciado por diversos fatores. Dentre eles podemos destacar a variação climática, a oscilação cambial, os escândalos envolvendo a carne bovina e os recentes embargos ao produto brasileiro. Apesar de todas estas variáveis, o setor vem se mantendo firme e com perspectivas de crescimento. O consumo interno de carne bovina tende a crescer, uma vez que o aumento da renda no Brasil permite acelerar a procura pela proteína vermelha. Países, como a Rússia, e a cidade de Hong Kong são os principais destinos da carne brasileira; a demanda é crescente e promissora, tanto que o Brasil vem expandindo o rebanho, visando maior competitividade no mercado interno e externo.

O preço da arroba chegou a valer R$ 110,00 no estado de São Paulo na primeira quinzena de outubro. Esta valorização se deu devido à baixa oferta de animais no mercado. Já na primeira semana da segunda quinzena do mês o valor da arroba perdeu força devido à queda no consumo, como é típico deste período. Outro fator que colaborou para queda da arroba foi a melhor oferta de animais; mas, apesar da oferta ajustada, o volume de animais disponíveis no mercado ainda não é suficiente para que os frigoríficos prolonguem as escalas de abates. A expectativa é que a arroba se mantenha firme ao menos até novembro, período em que o mercado sentirá mais pressão devido à entrada de um maior número de animais de cocho.

Observando o preço da arroba do boi gordo no mundo, considerando o período analisado de 19 de setembro a 17 de outubro de 2013, houve valorização da arroba no Brasil de 12,17%. A Argentina apresenta um recuo de 3,07%, pois o país vem diminuindo as exportações, o rebanho e a produção e há um desincentivo do governo em relação à produção de carne no país, comprometendo o desenvolvimento do setor pecuário. A Austrália apresenta valorização de 2,12%, que se dá pela restrita oferta de animais confinados em consequência da seca. Nos Estados Unidos a alta foi de R$ 1,40%.

No gráfico "Evolução do preço da arroba do boi gordo por UF" houve oscilação nos principais mercados. No estado de São Paulo a arroba oscilou na segunda quinzena de setembro, período em que o consumo cai. Já no início do mês de outubro, quando o consumo volta a subir e a arroba ganha força, ela se manteve estável. Nos estados de SC, GO, MG, MS e MT, considerando a segunda quinzena de setembro, a arroba teve oscilações, mas logo no início de outubro começou a reagir, se mantendo estável. No Rio Grande do Sul foi ao contrário, pois a arroba teve queda no final de setembro e se manteve constante em outubro. O estado do RS sofreu com fortes geadas que comprometeram as pastagens, forçando o pecuarista a desovar um maior número de animais, fazendo com a demanda aumentasse e o preço da arroba fosse puxado para baixo.

Quanto ao mercado externo, as noticias ainda são positivas, embora o Brasil tenha sofrido com embargos, restrições e crescentes barreiras à exportação da carne brasileira. O País permanece no papel de destaque como grande fornecedor de carne bovina. Hong Kong atualmente ocupa o primeiro lugar como maior importador da carne brasileira, seguido pela Rússia, que aparece em segundo lugar.

Recentemente, a Rússia impôs restrição temporária à importação da carne brasileira e nove frigoríficos brasileiros ficaram impedidos de exportar o produto. Tal restrição foi embasada na última visita de inspeção feita pelas autoridades sanitárias russas ao Brasil entre junho e julho deste ano. Segundo as autoridades russas, o embargo se deu devido a inconformidades sanitárias no País, sendo citado o uso de ractopamina. A ractopamina é uma substância que é adicionada à ração para aumentar a massa muscular, sendo que o uso de tal substância é proibido pela Federação Russa.

A carne brasileira permanece embargada por China, Iraque, Arábia Saudita e Japão, mas, de acordo com a Associação Brasileira das Indústrias Exportadoras de Carnes (ABIEC), as negociações para suspender os embargos estão em andamento. Na busca por novos mercados, o Brasil está de olho na Ásia, cujo principal porta de entrada é Hong Kong. Outro mercado a ser explorado é o Egito, que liberou recentemente a entrada de produto brasileiro.

Analisando o gráfico "Deságio do preço do boi gordo por UF", no período de 19 de setembro a 17 de outubro, a média paga aos pecuaristas entre o preço à vista e a prazo (30 dias) foi de 0,63%, abaixo do valor observado no período anterior pesquisado, que foi de 0,80%. Para todos os nove estados analisados, houve redução dos valores médios pagos pela arroba.

O preço médio do bezerro foi de R$ 501,81/cab para o período de 19 de setembro a 17 de outubro, redução de 26,70% se comparado ao período de 19 de agosto a 18 de setembro. Houve valorização no preço do bezerro apenas em dois estados: MT, com o bezerro valendo R$ 712,86/cab, e PR, com o bezerro a R$ 752,38/cab. Em SP, o preço do bezerro caiu para R$ 347,86/cab; em MG, para R$ 284,10/cab; em GO, a R$ 313,40/cab; no MS, o valor caiu quase à metade, R$ 363,89/cab; no PA, o valor do bezerro desceu para R$ 612,86 e, no RS, passou a valer R$ 627,14/cab.

O boi magro teve alta em sete das oito praças analisadas, sendo que no RS o boi magro caiu para R$ 1.150,00/cab. Já nos estados de SP, MG, GO, MS, MT, PA e PR o preço do bezerro subiu, ficando em R$ 1.292,00/cab, R$ 1.109,05/cab, R$ 1.190,95/cab, R$ 1.228,57/cab, R$ 1.179,05/cab, R$ 1.120,48/cab e R$ 1.248,10/cab, respectivamente.

Os índices médios de relação de troca entre as categorias de reposição e boi gordo ficaram em 3,68 para desmama/boi gordo e 1,34 para boi magro/boi gordo.

No geral, as expectativas para mercado da carne brasileira são boas, o bom ritmo das exportações aquece o mercado interno. O Brasil ocupa o segundo lugar como maior produtor de carne mundial, ficando atrás apenas dos Estados Unidos. O volume da produção brasileira deverá aumentar, já que os consumos interno e externo tendem a crescer, devido ao aumento populacional. Para o País aumentar o volume de carne produzida é preciso qualidade, e para isso é necessário investir em infraestrutura e tecnologia. Outro ponto importante é sanar a falta de eficiência quanto à fiscalização e à regulação nas indústrias, evitando possíveis barreiras à exportação da proteína e garantindo a competitividade.

Rita Marquete
Boviplan Consultoria