Sala de Ordenha

 

Previsão de queda do preço ao produtor

Os preços do leite ao produtor contrariaram as expectativas de manutenção e subiram no pagamento de setembro, referente ao leite entregue em agosto.

Segundo levantamento da Scot Consultoria, considerando a média brasileira (17 estados pesquisados), o produtor recebeu R$ 1,013 por litro de leite, alta de 2,4% em relação ao pagamento anterior. Veja a figura 1.

A produção de leite no País aumentou em agosto e deverá ser maior em setembro. Mesmo assim, a concorrência entre os laticínios é grande e, por enquanto, a maior disponibilidade de leite (matéria-prima) ainda não foi capaz de aliviar a pressão de alta do mercado. Os estoques de lácteos enxutos seguram as quedas neste primeiro momento.

Com relação à captação, segundo o Índice Scot para a Captação de Leite, o volume aumentou 3,8% em agosto, na comparação com julho (média nacional). Para setembro, considerando a média brasileira, os dados parciais apontam para um incremento de 2,7% na captação em relação a agosto.

É importante destacar que alguns laticínios mantiveram estáveis os preços pagos aos produtores. Outros fizeram reajustes (pequenos) para baixo. A expectativa é de manutenção das cotações ao produtor até pelo menos o pagamento de novembro. Quedas no preço do leite estão previstas a partir daí, com a recuperação da produção e dos estoques internos.

Na tabela 1 estão os preços médios do leite ao produtor nos dois últimos pagamentos, por estado.

Para o pagamento a ser realizado em outubro, 21% dos laticínios pesquisados acreditam em aumento de preço ao produtor e 72% acreditam em manutenção das cotações. O restante fala em queda. A pressão de alta é maior na região Nordeste.

No Sudeste, permanece a expectativa de manutenção dos preços ao produtor. Poucos laticínios falaram em queda do preço do leite para o produtor em outubro. Para o pagamento a ser realizado em novembro, a expectativa é de manutenção à queda nos preços pagos aos produtores no Brasil Central e no Sul do País.

No mercado spot, os preços caíram em outubro. No atacado, considerando todos os produtos pesquisados pela Scot Consultoria, houve alta de 0,2% nos preços dos lácteos na primeira quinzena de outubro, em relação à segunda quinzena de setembro.

Dos produtos que puxaram a alta, destacaram-se o leite fermentado e o queijo provolone, com valorizações de 5,1% e 3,8%, respectivamente. O preço do leite em pó ficou estável nesta quinzena. O preço médio por quilo fechou em R$ 15,00 no mercado atacadista.

Apesar da manutenção do preço nesta quinzena, o produto já acumula alta de 34,5% em 12 meses. O leite longa vida teve nova queda, mais acentuada desta vez. O litro do UHT foi vendido no mercado atacadista por R$ 2,39, em média. Frente ao preço médio vigente na segunda quinzena de setembro, R$ 2,50, houve queda de 4,5%. O leite longa vida está 31,7% mais caro na comparação com janeiro, quando teve início o movimento de alta.

O mercado já aponta sinais da retomada da produção leiteira, no entanto, ainda há falta de matéria-prima no mercado. As indústrias ainda trabalham com estoques em recuperação. Entretanto, a queda no mercado atacadista dá-se pela pressão do varejo.

Muitas empresas, pressionadas pelos supermercados, em especial grandes redes varejistas, reajustaram para baixo os preços de alguns produtos, principalmente do leite longa vida. Há relatos de queda no consumo na ponta final da cadeia, diante do atual patamar de preços.

Assim, o varejo acumula estoque, podendo optar pela reposição futura. Outro ponto é que as indústrias com estoques mais apertados ou com estratégia de venda mais definidas baixaram mais os preços, pressionando o mercado.

Rafael Ribeiro de Lima Filho, Zootecnista Scot Consultoria