Escolha do Leitor

ILPF X Parasitas

Diferenças entre a carga parasitária de animais criados de forma convencional e do sistema de integração lavoura-pecuária-floresta (ILPF)

Giane Serafim da Silva*

Sistemas silvipastoris compreendem formas de uso da terra que combinam intencionalmente árvores, pastagens e animais. Dentre os benefícios, destacam-se a diversificação e o aumento de eficiência do uso da terra e a melhoria da renda.

Segundo Silva (2012), o interesse por sistemas integrados de produção vem crescendo entre produtores, acadêmicos, pesquisadores e formuladores de políticas públicas, sendo a avaliação dos componentes agrícola, pecuário e florestal fundamental para o alcance das potencialidades da integração.

A ação e os prejuízos econômicos das parasitoses à espécie bovina são amplamente conhecidos, assim como os resultados de estudos concernentes ao controle e à eficácia de medicamentos. As perdas econômicas causadas por tais males podem chegar a U$ 3,6 bilhões/ano no País.

O Brasil possui condições ideais para as forrageiras tropicais, em função da temperatura, luminosidade e precipitação adequadas, condições estas que também propiciam o desenvolvimento das fases imaturas dos parasitos, as quais estão presentes no ambiente. No que se refere à intensidade de infestação, a biologia do parasito tem papel preponderante, o que, por sua vez, é influenciada por outros fatores, como os climáticos e o manejo dos rebanhos.

Kichel et al. (1999) citam o controle de pragas, ocasionado pela quebra dos ciclos biológicos, dentre as principais vantagens da recuperação ou renovação de pastagem com o uso de agricultura.

Apesar de todas as possíveis vantagens do sistema de Integração Lavoura-Pecuária-Floresta (ILPF), conforme Zanini (2006), algumas implicações devem ser levadas em consideração, como a escolha e combinações de culturas e pastagens, o detalhamento do manejo das culturas e dos animais e o aumento de complexidade do sistema, exigindo maior preparo dos técnicos e produtores envolvidos. Neste sentido, Macedo & Zimmer (2007) afirmam ser indispensável o aprofundamento da pesquisa científica no conhecimento dos processos e dos métodos agronômicos e zootécnicos passíveis de utilização nos sistemas integrados.

Assis Júnior e Silveira (2010) atentam para o fato de que o número potencial de interações ecológicas entre plantas e artrópodes herbívoros e seus inimigos naturais tem provocado respostas contraditórias, não estando bem estabelecida a relação entre a diversidade e a heterogeneidade.

Embora alguns autores citem melhoras do ponto de vista sanitário dos animais, poucos trabalhos disponíveis na literatura focam este assunto, não havendo posicionamento conclusivo.

Com objetivo de avaliar o comportamento parasitológico em bovinos mantidos em sistema de ILPF (com sombra), comparativamente ao sistema tradicional (sem sombra), em setembro de 2011, foram inseridos, na área experimental de ILPF do Polo Regional do Noroeste Paulista/APTA, 40 bovinos mestiços, em idade pós-desmama, naturalmente infectados por parasitos e oriundos de propriedade particular situada na mesma região.

O número de animais alocados em cada piquete (oito ILPF e três controle, de aproximadamente 1 ha cada um) foi determinado de acordo com os resultados de análises de matéria seca da pastagem e peso dos animais (estimativa de ingestão de matéria seca), sendo a lotação periodicamente ajustada, dentro de cada sistema.

RESULTADO APURADOS

Os dados parasitológicos obtidos no período experimental encontram-se nas Figuras 1 a 4.

Figura 1
Resultados de avaliações parasitológicas (carrapatos) realizadas em animais pertencentes aos Sistemas de ILPF e tradicional (sem árvores). Votuporanga, SP, Brasil.

Pode-se verificar que a população parasitária no ambiente experimental foi estabelecida nos primeiros meses de alojamento dos animais, uma vez que os mesmos, oriundos de propriedade particular da mesma região, apresentavam-se parasitados e não foram tratados no momento da alocação na área.

Figura 2
Resultados de avaliações parasitológicas (mosca-dos-chifres) realizadas em animais pertencentes aos Sistemas de ILPF e tradicional (sem árvores). Votuporanga, SP, Brasil

Os resultados mostraram valores parasitários (moscas, carrapatos e OPG) maiores em bovinos pertencentes ao sistema ILPF (figuras 1 a 3), com exceção para carrapatos em maio/12 e para OPG nos meses de abril/12 e maio/12. Porém, não foram observadas diferenças estatísticas significativas.

Figura 3
Resultados de avaliações parasitológicas (OPG) realizadas em animais pertencentes aos Sistemas de ILPF e tradicional (sem árvores). Votuporanga, SP, Brasil.

Figura 4
Resultados de avaliações parasitológicas (coprocultura) realizadas em animais pertencentes aos Sistemas de ILPF e tradicional (sem árvores). Votuporanga, SP, Brasil.

Resultados de coprocultura revelaram o parasitismo por Haemonhus sp., Cooperia sp. e Oesophagostomun sp. (Figura 4), com predominância do Haemonchus sp. a partir de março de 2012 (52% a 89%).

Os efeitos alcançados por meio de delineamento experimental estudado permitiram concluir que:

• As condições oferecidas por sistemas que ofereçam sombreamento da pastagem, como o sistema ILPF, podem apresentar microclima também favorável ao desenvolvimento dos principais parasitos de bovinos, como helmintos, carrapatos e moscas. Porém, nas condições estudadas, as infecções não foram significativamente superiores às dos animais mantidos em sistema sem sombreamento;

Tais resultados ainda não permitem conclusões definitivas a respeito do comportamento das parasitoses bovinas em sistema contendo sombreamento (ILPF), comparativamente a sistema sem sombreamento (convencional), devendo novos delineamentos serem investigados, incluindo, também, outros cruzamentos e raças bovinas, além de avaliações a longo prazo.


HELMINTOS

Para avaliação do comportamento parasitário das helmintoses, mensalmente foram colhidas amostras de fezes de cada animal, para exames coproparasito- lógicos (OPG). Do "pool" de amostras pertencentes a cada parcela, foram realizadas coproculturas para identificação das larvas de helmintos.

ECTOPARASITOS

As infestações dos animais por moscas (Haematobia irritans) e por carrapatos (Riphycephalus Boophilus microplus) também foram avaliadas mensalmente. Contagens de moscas, em cada animal foram efetuadas sempre no mesmo horário, nas datas das avaliações, assim como a infestação por carrapatos, analisada por meio de contagens das fêmeas ente 4,5 e 8mm de comprimento, presentes no lado esquerdo de cada bovino.

PARÂMETROS CLIMÁTICOS

Parâmetros climáticos (temperaturas máximas e mínimas e precipitação) foram registrados a partir dos dados fornecidos pela Estação Meteorológica do Polo Regional do Noroeste/APTA

*Giane é zootecnista, doutora em Produção Animal e pesquisadora científica Nível VI do Polo Noroeste Paulista da Agência Paulista de Tecnologia dos Agronegócios


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