Mercado

Oferta de carne aumenta e consumo interno fica estagnado

O mercado interno vinha passando por boa fase, sendo aquecido pelo bom momento das exportações, mas o início de agosto contrariou as expetativas. Ao contrário do que se esperava, o consumo interno da carne bovina não aumentou no início do mês, nem mesmo a comemoração do Dia dos Pais e os preços mais baixos da carne fizeram o consumidor aquecer as compras. Devido às vendas fracas, o cenário apresenta pressão de baixa no preço da arroba e as indústrias frearam o volume de animais abatidos. As expectativas para a segunda quinzena do mês também não são as melhores, visto que o consumidor estará mais descapitalizado, fazendo com que a procura por carne seja ainda menor.

O aumento da demanda é consequência da entrada do restante de animais de pasto somados a animais de cocho. As quedas de temperaturas em várias regiões comprometeram as condições das pastagens, fazendo com que o pecuarista escoasse os animais. Espera-se um volume maior de animais prontos para abate nos meses de agosto e setembro; por enquanto, os animais de cocho ainda não são suficientes para abastecer as indústrias.

Observando o preço da arroba do boi gordo no mundo, considerando os 21 dias úteis que compreendem 19 de julho a 16 de agosto de 2013, houve desvalorização da arroba em todos os países analisados, se comparado ao período de 20 de junho a 18 de julho. No Brasil o recuo foi de 0,54%, enquanto na Argentina, um pouco mais, 5,51%.

No Gráfico "Evolução do preço da arroba do boi gordo por UF" percebemos que houve grande oscilação de preço no Rio Grande do Sul, com a arroba despencando logo na primeira quinzena de agosto. Devido às geadas ocorridas na região, comprometendo as condições das pastagens, o pecuarista foi forçado a entregar a boiada, havendo então uma oferta maior de animais. No estado de São Paulo, a arroba se manteve estável até o final de julho e começou a perder força logo no início de agosto. O pecuarista ainda resiste a entregar os animais no preço oferecido pela indústria. Nos demais estados não houve grandes mudanças, com a arroba se mantendo estável.

No mercado externo as notícias são as melhores possíveis, pois o Brasil permanece competitivo, favorecido pelo fator cambial e pela demanda crescente, principalmente da Ásia, com Hong Kong superando a Rússia e passando ao primeiro lugar como importador da carne brasileira. O País aproveita o bom momento, já que alguns de seus concorrentes encontram dificuldades para atender o mercado, como é o caso dos Estados Unidos, que enfrenta a alta dos insumos.

Recentemente, a Rússia manifestou interesse pela carne bovina uruguaia, mas logo voltou os olhos para o Brasil, diante do volume expressivo de carne que chegou ao mercado, aumentando a oferta para exportação. Atualmente, a Rússia assume o segundo lugar no ranking de importação da carne brasileira, com 177.731,88 toneladas.

As exportações brasileiras seguem aquecidas tanto em volume exportado quanto no valor faturado. De acordo com a ABIEC (Associação Brasileira das Indústrias Exportadoras de Carne) as exportações brasileiras de carne bovina somaram US$ 3,579 bilhões entre janeiro e julho de 2013. O resultado foi 14,5% superior ao registrado no mesmo período do ano passado, quando as vendas atingiram a marca de R$ 3,126 bilhões. Em volume, os resultados também foram bastante positivos, registrando um crescimento de 21,14%, subindo de 666,3 mil toneladas nos sete primeiros meses do ano passado para 807,2 mil toneladas em 2013.

O Brasil busca recuperar mercados importantes como China e Japão, que fecharam as portas para a carne brasileira devido ao embargo sofrido decorrente do caso da BSE (Encefalopatia Espongiforme Bovina) atípico ocorrido no final de 2012. Em setembro, na reunião do comitê científico da OIE (Organização Mundial de Saúde) será discutida a possível reabertura desses mercados. Até o momento as exportações foram retomadas apenas com o Chile e o Peru. Uma comitiva da Arábia Saudita, respondendo ao convite brasileiro, virá ao País em setembro e o esperado é que haja a reabertura do mercado saudita para a importação da carne brasileira.

Outra visita recebida pelo Brasil foi a da comitiva dos Estados Unidos, liderada pelo secretário da Agricultura. O principal assunto tratado foi a relação comercial do agronegócio entre os dois países, mas a possível abertura do então fechado mercado americano para a importação da carne bovina in natura não ficou fora da pauta, havendo promessa de uma avaliação. Para o Brasil é muito importante conseguir penetrar no mercado americano, uma vez que este é bastante exigente e influente. Seria uma oportunidade de valorizar ainda mais a carne brasileira.

Para o Brasil manter a competitividade e não perder mercados importantes é importante se adequar às exigências de cada país, seja quanto a garantias sanitárias, qualidade ou segurança. A Federação russa já declarou a proibição da entrada de produtos com uso de ractopamina e antibióticos e ainda esse ano planeja nova missão de inspeção ao Brasil.

É preciso haver uma sinergia entre produtor e indústria para que ambos consigam atingir os padrões necessários para a produção e comercialização da carne brasileira. Embora tenha evoluído bastante na questão sanitária, o Brasil ainda enfrenta muitos gargalos, como a falta de logística, por exemplo. Para atingir a excelência na produção da carne é preciso investir em tecnologia a fim de atender a toda demanda por carne.

No gráfico "Deságio do preço do boi gordo, por UF", a média paga aos pecuaristas entre o preço à vista e a prazo (30 dias) foi de 1,91% considerando nove praças analisadas, valor inferior ao período anterior analisado, no qual o percentual foi de 2,43.

O preço médio do bezerro ficou em R$ 686,66/cab. para o intervalo analisado de 19 de julho a 16 de agosto de 2013, apresentando alta de 1,51%. Houve valorização da arroba em quase todos os estados analisados, exceto no Rio Grande do Sul, cujo preço foi de R$ 650,00/cab.; no estado de São Paulo o bezerro pulou para R$ 763,33,00/ cab.; em Minas Gerais, R$ 570,95/ Rita Marquete Boviplan Consultoria cab.; em Goiás, R$ 679,05/cab.; no Mato Grosso do Sul, R$ 766,67/cab.; no Mato Grosso, R$ 700,00/cab.; no Pará, 624,29/cab. e, no Paraná, R$ 739,05/cab.

O boi magro também reagiu e teve alta em todas as praças analisadas. No estado de São Paulo o boi magro avançou para R$ 1.292,86/cab.; em Minas Gerais, R$ 1.069,05/cb.; em Goiás, R$ 1.169,05/cab.; no Mato Grosso do Sul, R$1.198,57/cab.; no Mato Grosso, R$ 1.148,10/cab.; no Pará, R$ 1.070,00/cab.; no Paraná, R$ 1.240,00/ cab. e, no Rio Grande do Sul, 1.174,29/cab. Os índices médios de relação de troca entre as categorias de reposição e o boi gordo ficaram em 2,26 para desmama/boi gordo e 1,32 para boi magro/boi gordo.

A busca pela eficiência é primordial e o caminho é investir em tecnologia e gestão para que o produtor consiga gerenciar bem os recursos dentro da propriedade sem perder o objetivo, trabalhando sempre dentro de um planejamento. Hoje, o Brasil é um grande exportador de carne bovina e ainda tem muito potencial a ser explorado.

Rita Marquete
Boviplan Consultoria