Sobrevoando

 

Chips

Toninho Carancho
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A rastreabilidade está de volta. Pelo menos no Rio Grande do Sul. O Governo gaúcho quer implantar uma rastreabilidade gaudéria nem que seja na marra. No pau.

Acho que não deveria ser assim. Desse jeito já não funcionou uma vez e tem tudo para não funcionar de novo. Mas...

Os chips, que irão nos brincos, estão sendo fabricados em Porto Alegre, no Ceitec (Centro de Excelência em Tecnologia Eletrônica Avançada), e estão prontos. Talvez este seja um dos motivos para todo o frenesi maragato.

Ótimo, agora vamos ter tecnologia nacional e barata para todos!

Mas, parece que não é bem assim. O Ceitec só faz o chip e não o inlay, necessário para o seu funcionamento. Desta forma, este chip tem que ser enviado para a Ásia, para, aí sim, ser agregado ao inlay e retornar ao Brasil para ser implantado em um brinco... Parece brincadeira, mas não é. Além disso, a empresa gaúcha, que tem expertise em fazer brincos, tem restrições de cadastro e não poderá fazê-los. Deverá ser contratada outra empresa, que nunca fez um brinco na vida...

Tá me parecendo um rolo total.

Até parece que o que aconteceu foi algo assim:

Alto escalão – Temos de produzir um chip nacional!

Médio escalão – Pode deixar chefe, vamos fazer.

Alto escalão – Ótimo, precisamos deles para colocar em brincos de rastreabilidade para o gado.

Médio escalão – Temos de fazer o chip para colocar nos brincos das vacas.

Baixo escalão – Beleza, barbada, vamos em frente.

Passado um bom tempo o pessoal do baixo escalão diz: – Tá pronto o chip!

Médio escalão – Só que vocês fizeram o chip e não o inlay!! Não temos como usar ele assim. Precisava ser o chip completo. Assim não vai dar!

Baixo escalão – Putz! Mas, ninguém pediu pra fazer isso. Pediram um chip e nós o criamos.

Médio escalão – Caraca! Bom, realmente, ninguém pediu para outra coisa. Vamos dizer pro pessoal de cima que o chip tá pronto e ficamos quietos.

Pessoal do alto escalão – Ótimo, o chip está pronto, pode anunciar na imprensa que temos o primeiro chip nacional.

E assim foi feito. E assim estão as coisas.

Realmente, o chip é nacional, mas não da forma que nos fizeram crer.

Pergunto, será que não era muito mais barato e racional importar de forma completa?

Será que, fazendo em partes, teremos as mesmas garantias de funcionamento? Quem certificará?

Acabo de ler num jornal de grande circulação que o Ceitec, desde sua criação, no ano 2000, até o dia de hoje, já consumiu 600 milhões de reais e faturou apenas R$ 189 mil.

Quem pagou esta conta? E quem vai pagar daqui pra frente?

Acho que todos sabemos as respostas