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Mercado da carne bovina favorável aos produtores

O mercado da carne bovina vem sendo impulsionado pelo momento favorável das exportações e pelo consumo interno aquecido devido ao aumento da renda populacional, fazendo com que o produto chegue com mais frequência à mesa do consumidor.

Projeções do Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento apontam perspectivas de crescimento para o agronegócio brasileiro nos próximos 10 anos, isso inclui o mercado da carne bovina, que deverá ter sua produção alavancada. Segundo o MAPA, do total de carne bovina produzida, 75% irão abastecer o mercado interno.

A pecuária brasileira vem se modernizando de maneira sustentável, e o pecuarista está mais focado em produzir carne de qualidade, atendendo as exigências de mercado sem comprometer o meio ambiente. Percebemos tais mudanças na implantação de técnicas de ILP (integração lavoura e pecuária) que estão mais frequentes e sendo disseminadas pelo País, trazendo uma série de vantagens para o produtor. Esta técnica permite ter aumento da produtividade, redução de custos, maior rentabilidade, sem comprometer o equilíbrio do meio ambiente. Mas para ter sucesso é preciso implantar a técnica corretamente, e alguns desafios podem ser encontrados na gestão de duas culturas, onde o produtor deverá estar bem assessorado e ter acesso a informações e orientações para ambas.

A pecuária caminha para um desenvolvimento sustentável com preocupação em valorizar a biodiversidade, a conservação do solo e a preservação da água. Percebemos que produtos químicos são usados com maior critério e a adoção de boas práticas de manejo é mais frequente seguindo os princípios de bem-estar animal.

Com o ritmo crescente e a demanda em alta por carne bovina, há uma necessidade de maior uso de tecnologias para aumentar a produtividade e conseguir atender a demanda do mercado, tanto interno como externo. Evoluções tecnológicas como IATF, melhoramento genético, uso adequado de produtos minerais e proteico energéticos, atreladas a uma gestão de qualidade, garantem maior rentabilidade à atividade.

Justamente focando a exigência do mercado, nota-se a preocupação com a segurança alimentar, o que abre espaço para a carne certificada. O produto tem boa aceitação no mercado e o selo de certificação garante um diferencial que agrega maior valor ao produto. As indústrias já perceberam que investir nesse nicho poderá trazer boa rentabilidade, pois a carne certificada custa mais e muitos consumidores estão dispostos a pagar um preço maior por um produto cuja procedência é conhecida. De acordo com a Associação Brasileira de Frigoríficos (ABRAFRIGO), será lançado, até o final do ano, um selo de qualidade para a carne bovina comercializada no mercado interno. Este selo irá garantir ao consumidor um produto com certificação e origem que cumpre na sua produção todos os requisitos da legislação sanitária brasileira, além de obedecer às regras ambientais e às normas trabalhistas vigentes.

No mercado interno da carne bovina, as indústrias vêm encontrando dificuldade para atender as escalas, diante da baixa oferta de animais. Considerando que estamos no período de seca, no qual as pastagens perdem qualidade, este ano foi atípico. As chuvas se prolongaram em várias regiões do País, mantendo o pasto em boas condições e permitindo ao pecuarista segurar a boiada a fim de negociar valores melhores para arroba. Entre os fatores que contribuíram para redução de ofertas, está o fato de que grandes confinamentos tardaram para fechar os animais no cocho, além do bom período de chuvas, a oscilação do preço dos insumos, como o milho, por exemplo, que esteve em alta no início do ano, e tambéminterferiram nas etapas de confinamento, aumentando a preocupação das indústrias. A previsão é que nos próximos 90 dias deverá haver melhor oferta de animais terminados. Diante da limitação de animais ofertados, o preço da arroba tende a subir e, mesmo com preço mais alto, os consumidores se mantêm animados.

Observando o preço da arroba do boi gordo no mundo, considerando os 21 dias úteis que compreendem 20 de junho a 18 de julho de 2013, houve queda do valor da arroba na Austrália, nos Estados Unidos e no Brasil, sendo que na Argentina houve valorização de 5,75% em comparação ao período analisado anteriormente, que compreende de 20 de maio a 18 de junho. No Brasil a queda foi de 3,34%, na Austrália o recuo foi de 3,24% e nos Estados Unidos, 2,71%.

Quanto ao cenário das exportações de carne bovina, o Brasil permanece com resultados positivos, sendo que o principal consumidores da carne brasileira permanece a Rússia seguida por Hong Kong, mas o País pretende conquistar novos espaços apostando no mercado chinês. Os chineses, conhecidos por exóticos costumes alimentares, estão desenvolvendo gosto para carne bovina. Fatores como aumento de renda per capta têm impulsionado o gosto pela proteína vermelha. O produto brasileiro tem reconhecimento internacional e boa aceitação. O Brasil abre vantagens quanto aos seus concorrentes, pois o custo de produção do produto brasileiro ainda é menor se comparado ao dos Estados Unidos, por exemplo.

Infelizmente, os embargos à carne brasileira ainda preocupam, o Brasil precisa recuperar os mercados que suspenderam as importações da carne bovina devido ao caso isolado do mal da vaca louca ocorrido no Paraná.

O mercado do boi gordo se mantém firme na maioria das praças analisadas, com pressão de alta devido à baixa oferta de animais e à expectativa pequena de bois de confinamentos. Nos estados de São Paulo, Goiás e Mato Grosso o boi gordo apresentou leves quedas, se recuperando na segunda quinzena do mês de julho. Já no Rio Grande do Sul o boi gordo começou o mês em baixa, mas também ganhou força na segunda semana de julho.

No gráfico "Deságio do preço do boi gordo, por UF", a média paga aos pecuaristas entre o preço à vista e a prazo (30 dias) foi de 2,14% nas nove praças pesquisadas, valor inferior ao período anterior analisado, que foi de 3,14%.

O preço médio do bezerro ficou em R$ 676,43/cabeça. Para intervalo analisado que compreende de 20 de junho a 18 de julho de 2013, apresentando alta de 0,79%. Houve alta na maioria das praças analisadas, com bezerro avançando para R$ 743,50/cab no estado de São Paulo, R$ 553,00/cab em Minas Gerais, R$ 670,00/cab em Goiânia, R$ 752,50/cab no Mato Grosso do Sul, R$ 687,50/cab no Mato Grosso; já no Paraná o preço escorregou para R$ 732,50/cab e, no Rio Grande do Sul, se manteve em R$ 670,00/cab.

O preço do boi magro reagiu e teve alta em todas as praças analisadas. Em São Paulo o boi magro foi para R$ 1.267,00/ cab; em Minas Gerais, R$ 1.067,00/cab; em Goiânia, R$ 1.135,00/cab; no Mato Grosso do Sul, R$ 1.183,00/cab; em Mato Grosso, R$ 1.113,00/cab; no Paraná, R$ 1.213,00/cab e, no Rio Grande do Sul, R$ 1.170,00/cab. Os índices médios de relação de troca entre as categorias de reposição e o boi gordo ficaram em 2,21 para desmama/boi gordo e 1,30 para boi magro/boi gordo.

De acordo com previsões no setor pecuário, em 2014 haverá um "apagão de bezerros", pois esse ano está ocorrendo um maior abate de fêmeas. Devido ao encurtamento da renda do pecuarista, a solução foi reduzir o plantel. Portanto, se esta previsão se concretizar, o pecuarista que se antecipar e investir na aquisição de matrizes poderá ter o preço do bezerro valorizado no futuro.

No geral, o cenário da carne bovina é positivo tanto para mercado interno quanto para externo. O País vive um momento de expansão no setor, com grande prosperidade. É preciso haver maior incentivo e reconhecimento por parte do governo com relação ao produtor. O mercado da carne brasileira tem condições de se expandir criando novos mercados, mas precisa de investimentos e de tecnologia.

Rita Marquete
Boviplan Consultoria