Caprinovinocultura

 

Saúde nos cascos

Pododermatite causa perdas econômicas importantes, mas pode ser evitada com cuidados preventivos

Denise Saueressig
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Todo criador deve saber que a atenção à condição sanitária do seu rebanho é fator determinante para a rentabilidade da atividade. Nas diferentes espécies voltadas à produção comercial, as doenças mais frequentes e severas merecem cuidados redobrados. E, em boa parte dos casos, a prevenção pode diminuir de forma significativa a possibilidade de perdas entre os animais.

Nos rebanhos de ovinos e caprinos, a pododermatite pode ser causadora de sérios prejuízos se não for combatida e controlada de maneira adequada. Popularmente conhecida como podridão dos cascos ou "Foot rot", é uma doença necrosante da epiderme interdigital e matriz do casco. "Na sua forma virulenta leva à manqueira, com consequente perda de peso do animal e dificuldades reprodutivas. Casos graves, com lesão nos cascos anteriores, fazem com que o animal paste ajoelhado", detalha o veterinário Luiz Alberto Oliveira Ribeiro, ex-professor da Faculdade de Veterinária da Universidade Federal do Rio Grande do Sul (Ufrgs).

A pododermatite infecciosa causa grandes perdas econômicas em explorações extensivas, onde os animais dependem do pastejo para se alimentar, acrescenta o veterinário Antônio Cézar Cavalcante, pesquisador da Embrapa Caprinos e Ovinos. A doença, salienta o especialista, é causada pela ação sinérgica dos gêneros Bacteroide (Dichelobacter nodosus, considerada a principal espécie) e Fusobacterium (Fusobacterium necrophorum), que produzem inflamação nas extremidades - pele e cascos. "Além da manqueira, pode haver presença de material purulento nas lesões, dificuldade de locomoção, postura prejudicada, diminuição da capacidade de procurar alimentos forrageiros e água, debilidade orgânica, infecções secundárias e miíase (bicheira), podendo ainda ocorrer o óbito por septicemia ou inanição", complementa.

Lesões graves provocadas pela doença podem fazer com que os animais pastem ajoelhados

Em épocas de baixa umidade e alta temperatura, a transmissão da doença entre animais infectados e sadios é extremamente reduzida. "A desvitalização do tecido interdigital do casco, bastante comum nos animais criados em regiões úmidas, é necessária para a instalação inicial do Fusobacterium necrophorum. Outro fator predisponente para a ocorrência da doença é o casqueamento inadequado ou excessivo, onde pequenas lesões no casco poderão atuar como porta de entrada para o microrganismo", esclarece Cavalcante.

O aparecimento da doença também está associado à introdução no rebanho de um ovino infectado, lembra o veterinário Luiz Alberto Ribeiro. Por isso, ele aconselha que o criador deve ter cuidado com a chegada de novos animais ao plantel. "Ovinos adquiridos deverão ser mantidos em quarentena e passados em pedilúvios com sulfato de zinco a 10% ou com formol a 5%. A prevenção também poderá incluir a vacinação, com revacinação 30 dias depois", recomenda.

TRATAMENTO

O controle da pododermatite é baseado na utilização de práticas de manejo que visam reduzir a ocorrência de fatores predisponentes e na vacinação dos animais, salienta Cavalcante, da Embrapa. "O tratamento sempre deve ser realizado no estágio inicial da doença para evitar infecções secundárias, presença de miíases com lesões profundas, acometimento de tendões e ligamentos e posterior comprometimento crônico e definitivo da capacidade de locomoção. É preciso fazer a limpeza dos cascos afetados com a retirada de tecidos necrosados, a higienização diária com solução de iodo a 10% glicerinado e a aplicação de spray repelente e cicatrizante", observa o pesquisador.

Também é importante que os produtores realizem o exame criterioso e a apara dos cascos de todos os ovinos em períodos secos do ano. "Animais com lesões deverão ser segregados e eliminados do rebanho. Aqueles sem lesão deverão passar por lava-pés, contendo os produtos e concentrações citadas anteriormente. Caso o proprietário não queira eliminar os animais infectados, estes deverão ser mantidos segregados e, após apara cuidadosa dos cascos, submetê-los a quatro passagens em lava-pés com uma semana de intervalo. Ainda poderá se optar por uso de antibiótico com orientação de um veterinário", destaca Ribeiro.


MEDIDAS DE PREVENÇÃO

• Evitar o acesso e a permanência dos animais em pastos encharcados e em pisos úmidos;

• Observar o crescimento dos cascos e apará-los duas vezes ao ano;

• Os animais devem passar num pedilúvio, preenchido com solução de sulfato de cobre ou de zinco a 5% - 10%, formol a 5% ou cal virgem, uma vez por semana;

• Descartar animais com a doença crônica nos cascos.