Caindo na Braquiária

 

A vez do Tocantins

Alexandre Zadra - Zootecnista
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O cenário é a tranquila Pousada Londrina, às margens do lindo rio Araguaia e brindado com um pôr do sol de merejar os olhos de todo amante da natureza. Assim, fui recebido pelo Tocantins após 10 dias no Mato Grosso. Meu objetivo era conhecer de perto, e por terra, o estado caçula da federação, que completa 25 anos de emancipação em 2013 e conta com uma população de menos de 1,5 milhão de habitantes, possuindo, em sua grande maioria, vegetação de cerrado (80% do território).

Minha curiosidade concentrava-se na região noroeste, com terras banhadas pelo volumoso rio Araguaia, onde, na travessia deste até Araguacema, pude sentir sua exuberância. Esta região do Tocantins recebe grande influência do clima tropical úmido, possuindo índices pluviométricos do bioma amazônico, sempre acima de 2.000 mm de precipitação anual.

Distando de Araguacema 90 km, sentido leste, cheguei ao tão comentado Pequizeiro, onde pretendia conhecer os novos lavouristas que ali vêm plantando soja e milho. Essa linha de produção se estende por mais de 100 quilômetros entre as cidades de Couto Magalhães e Guaraí.

Acabei voltando para Araguacema a fim de jantar junto ao Araguaia, após um dia intenso, e estudar um pouco mais sobre a cidade de Caseara, outro reduto da jovem agricultura do Tocantins que me aguardava.

Com o despertar do canto de uma siriema de estimação da Dona Magali, mais uma vez fui presenteado pela imagem dos primeiros raios de sol refletidos no rio, onde tomei um café reforçado para rumar a caminho de Caseara, também cidade limítrofe banhada pelo Araguaia.

Tocantins está entre os dez maiores produtores de gado do País, com um rebanho de quase 8 milhões de cabeças, livre de aftosa com vacinação e outras doenças há mais de 12 anos, o que viabilizou o estado a exportar carne para diversos países. Sua localização privilegiada e esse potencial de mercado desperta cada vez mais interesse e vontade de especialização por parte dos produtores pecuários tocantinenses, os quais possuem um rebanho matrizeiro de muito boa qualidade genética, reforçando a atividade que possibilita o uso do cerrado de terras menos férteis, produzindo carne para os 11 frigoríficos localizados no estado.

Já passava das cinco da tarde quando, numa das inúmeras estradas de terra que peguei para conhecer de perto o rebanho local, me vi observado por um lobo-guará que caminhava nos pastos do cerrado local. Mesmo não sendo a primeira vez que me deparei com a espécie, tal visão me deixou feliz pela beleza do animal em sua natural condição e, ao mesmo tempo, apreensivo com a transformação da pecuária em lavoura, já que, na abertura das áreas, ocorre também a eliminação das lobeiras, arbustos que produzem a fruta do lobo, essencial ao funcionamento renal desse canídeo, caçador de roedores e que povoa o Cerrado.

Finalizando minha viagem nessa excelente região agropecuária, percorri a rodovia que liga Caseara a Paraíso, podendo perceber diversas aptidões, tanto para lavoura, nas quais grandes grupos vêm se instalando na região mais próxima a Caseara, como para pecuária, destacando a região de Marianópolis e Divinópolis, redutos de uma pecuária de alta qualidade.

Cumpri à risca o que determinei para conhecer nesta rica região do Tocantins, o qual considero um gigante adormecido pelas diversas aptidões, lembrando ainda que um dos seus grandes diferenciais se refere à junção das ferrovias Norte-Sul e Oeste-Leste, culminando numa concatenação de fatores positivos para se tornar um beligerante local de prosperidade, tanto para agropecuaristas quanto para indústrias ligadas à atividade.