A Voz do Criador

 

Um basta à negligência

O Brasil vive um momento único com o povo redescobrindo o poder que tem. Todos estão cansados do descaso dos sucessivos governos com as políticas sociais. Convertendo esta situação para a pecuária, está na hora da grande massa dos pecuaristas também fazer sua revolução. Não tanto em relação ao que acontece fora da propriedade, mas, sim, da porteira para dentro. A incrível valorização do boi nos idos da ditadura e da inflação desenfreada tornou o produtor acomodado com os antigos – e baixos – índices de produtividade da pecuária. "Fazer como avós faziam" não é algo ruim, desde que absorvemos apenas as coisas boas. É preciso aceitar que o mundo, bem como o Brasil, mudou. Hoje, a pecuária não é mais uma poupança, é uma fábrica de proteína vermelha, é uma empresa.

E, como toda empresa, ela precisa ser autossuficiente. Para tanto, "negligência" é um termo que deve ser riscado do vocabulário do pecuarista, principalmente quanto aos pilares da produção de carne e leite: genética, nutrição e sanidade. De nada adianta ter o animais eficientes em conversão alimentar se eles estão morrendo de doenças, muitas das quais tornaramse invisíveis aos olhos do pecuarista. É por isso que o leitor não pode deixar de acompanhar nossa Matéria de Capa, que evoluiu para um especial de doenças bovinas, no qual consideramos aquelas de maior impacto econômico atualmente.

Indo para o produto final, acompanhe uma entrevista exclusiva com o Dr. Rondó, respeitado cirurgião vascular e pecuarista, que mostra que a carne bovina não é a grande vilã da dieta humana. "O Confinador" também responde a uma pergunta recorrente na atividade: quanto custa produzir uma arroba de boi? E qual o peso disso na receita? Falando em quilogramas, o Programa PeseBem, de Goiás, completou dez anos e o resultado ajudou muito a relação entre pecuarista e indústria. Da mesma forma, "Seleção" questiona os critérios dos testes de performance atuais. Antes de comprar um touro avaliado em provas de ganho de peso, já se perguntou quanto de proteína bruta ele consumia diariamente?

Em "Raças", destaque para o Guzerá, que volta a apostar na linhagem leiteira. Em "Caprinovinocultura", as armas dos criadores contra as temidas verminoses. E "Leite" aborda as vantagens do pastejo rotativo. E, para quem não se preparou para a seca, "Nutrição" relembra algumas dicas. E saiba: o "pum" do boi não é o destruidor da camada de ozônio. Leia em "Efeito Estufa". Isso e muito mais nesta imperdível edição de AG – A Revista do Criador.

Boa leitura!