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PO de seleção a pasto

O proprietário Marcos Henrique Pereira Alves apresenta a Brahman Transmontana

"A raça Brahman, hoje, deixa de ser uma novidade e passa a ser uma realidade"

Revista AG - Qual o perfil de trabalho do seu criatório?

Marcos Alves – A Transmontana completou 12 anos, é norteada pelo Programa de Melhoramento Genético das Raças Zebuínas (PMGZ/ABCZ), do qual 100% do nosso gado participa.

Atualmente, temos 1.100 cabeças de Brahman PO, sendo 600 matrizes. Usamos nossos touros PO em nosso rebanho comercial para fazer meio-sangue Brahman/Nelore para abate. Temos um leilão anual de touros em Campos do Goitacazes/RJ que já completou sete anos, cuja próxima edição será dia 5 de julho. Além disso, incentivamos e participamos de provas de ganho de peso. Todos os nossos touros de repasse são avaliados por essas provas.

Revista AG – Quais os critérios ponderados quando da aquisição de genética?

Marcos Alves - Quando analisamos animais nacionais e para os investimentos em genética internacional, procuramos investigar o desempenho dos pais nos programas de avaliação genética. Damos maior ênfase às avaliações de fertilidade e habilidade maternal.

Revista AG - Quais os animais de maior destaque no plantel?

Marcos Alves – De nossa criação temos o MR Transmontana 22, Reservado Grande Campeão ExpoBrahman 2007 e mais cinco grandes campeonatos em outras exposições. De terceiros, temos dois exemplares muito importantes da raça, que são a matriz MS IMA 249, Bi Grande Campeã Nacional da Raça Brahman, e o touro QERJ 1118, TOP 0,1% nos programas da ABCZ e do GENEPLUS.

Revista AG - Onde ficam as fazendas da propriedade?

Marcos Alves - No Rio fica a criação de PO, no município de Vassouras/RJ, numa propriedade de 2.800 hectares, na qual concentramos todo o rebanho de Brahman PO, exceto parte dos touros, os quais são enviados para nossa chácara em Cuiabá/MT, para aproveitar a grande demanda por reprodutores do Centro-Oeste. Na pecuária seletiva, temos uma parceria com a Agropecuária Encanto.

Revista AG - O Rio ainda pode ser considerado um polo de genética?

Marcos Alves - O estado, não só no Brahman como também em outras raças, possui criadores com participações expressivas no cenário nacional. No Brahman, por exemplo, fundamos a primeira Associacão Estadual da Raça. Também não podemos esquecer que o Rio também foi a porta de entrada do zebu no Brasil.

Revista AG - Quando começou sua história na pecuária? Quem o influenciou?

Marcos Alves - A minha história teve início na paixão que tenho por bovinos e equinos. Há 30 anos criamos cavalos Mangalarga Marchador e, então, desde cedo, eu tive a oportunidade de estar no campo, convivendo com os animais. Conheci o Brahman através de Eduardo Bicalho, proprietário do Rancho Quitumba, de quem adquiri os meus primeiros animais.

Revista AG - Como analisa o atual momento da raça Brahman?

Marcos Alves - Na minha ótica, a raça, hoje, deixa de ser uma novidade e passa a ser uma realidade, fazendo parte da pecuária extensiva brasileira. Temos touros em toda parte do Brasil, com demanda superior à oferta. A cada ano cresce o número de criadores, de animais registrados e da venda de sêmen. Inclusive, exportamos genética para outros países.

Revista AG - Quais as expectativas para este ano e os próximos?

Marcos Alves - As minhas expectativas são ótimas, baseando-se na evolução da raça e nos resultados do seu cruzamento a campo na produção de meio-sangue. Obviamente que a classe depende das políticas governamentais como em qualquer outra.