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Mercado pressiona e pecuarista permanece retraído

Após os escândalos no cenário europeu com relação à carne equina misturada à bovina, a Comissão europeia lançou um pacote de medidas que visa intensificar a execução das normas de saúde em toda cadeia agroalimentar com a finalidade de aumentar a segurança dos produtos que chegam ao consumidor. De acordo com a Comissão Europeia, o atual pacote legislativo da UE no domínio da cadeia alimentar é constituído por quase 70 atos legislativos e o conjunto de medidas anunciado permitirá reduzir este número para cinco. Tais medidas poderão entrar em vigor somente em 2016, após serem analisadas pelo parlamento europeu.

O mercado interno da carne bovina se mantém pouco aquecido devido à baixa demanda por parte do consumidor. Nas últimas semanas, os registros foram de pressão em algumas praças analisadas, com as indústrias tentando pressionar o pecuarista, mas encontrando resistência, tanto que na última semana tal pressão perdeu força. Embora o pecuarista esteja mais retraído, o volume das negociações atendeu às escalas dos frigoríficos.

O pecuarista que mantém a boiada no pasto à espera de melhores preços para negociar, provavelmente, deixará essa estratégia de lado, pois, devido ao período de seca, a qualidade das pastagens tende a diminuir; com isso, aumentam as especulações e as ofertas, fazendo com que o preço da arroba escorregue.

Chegado o período de confinar, o uso da tecnologia continua sendo boa estratégia para aumentar competitividade e atender às exigências por preço e qualidade. A estrutura geral para confinamento é mais onerosa. Existem outros gastos que pesam, como a necessidade de contratar mão de obra especializada e a utilização de maquinários; mas, por outro lado, é possível produzir em maior escala. Outro fator importante é a variação de mercado, como queda no preço da arroba, alta dos insumos, fatores que interferem no resultado desejado, e, para minimizar os riscos, trabalhar com um bom planejamento é essencial.

Analisando o preço da arroba do boi gordo no mundo, considerando os 21 dias úteis analisados, que compreende o período de 19 de abril a 17 de maio, observa-se uma desvalorização da @ no Brasil, na Argentina e na Austrália, com relação ao período anterior (19/03 a 18/04/13). Nos Estados Unidos, houve uma pequena alta de 0,71%. Com relação às exportações espera-se que o ano de 2013 consiga superar ou pelo menos manter o volume do ano de 2012, quando o Brasil bateu o recorde histórico de carne exportada. Para aumentar a exportação, é preciso atender às exigências dos países importadores, seja na questão sanitária, ambiental ou nas práticas de bem-estar animal.

São muitos os desafios a serem enfrentados, como a quebra das barreiras impostas ao Brasil e o embargo sofrido pelo País devido a um caso isolado no Paraná de BSE, conhecida como doença da vaca louca. Apesar de o Brasil ter mantido status de risco insignificante, a carne brasileira continua proibida de entrar no Japão, China, Coreia do Sul, Peru, África do Sul, Arábia Saudita, Taiwan, Irã, Jordânia e Líbano. Segundo o presidente da ABIEC, Jorge Camardelli, todos os procedimentos técnicos, inclusive solicitação de visitas, já foram efetuados pelo governo brasileiro e há expectativa de que nos próximos 60 dias tais restrições venham a ser derrubadas.

E por falar em segurança alimentar, um dos maiores importadores de carne do mundo, a Rússia, embargou a importação do Canadá e do México, devido ao uso de uma substância chamada "raquitopamina", que é utilizada para a melhora do rendimento dos animais na engorda.

O Brasil, atento às exigências do mercado, ainda não fez uso da raquitopamina, até mesmo para não contrariar os russos, que são o maior comprador da carne brasileira. Portanto, o País tem grandes chances de aproveitar uma fatia desses mercados que vetam a carne com tal substância. A União Europeia e a China também declararam que não aceitarão carne com este elemento. Tratando-se de oportunidades, o país está de olho numa fatia do mercado chinês e a expectativa é que possamos explorar esse mercado em potencial, pois temos produto de qualidade e capacidade de ser competitivos. Recentemente, o Brasil participou do Salão Internacional de Alimentação de Xangai (SIAL), maior feira do setor da China, onde apresentou diversos produtos agropecuários.

Quanto à falta de logística, o Brasil começou a dar pequenos passos e para minimizar a burocracia e agilizar o processo de exportação da carne brasileira, o governo, a indústria e pesquisadores da USP, do estado de São Paulo, desenvolveram um sistema denominado "lacre eletrônico", que tem como objetivo acabar com toda burocracia imposta, reduzindo a fila de caminhões que esperam mais de um dia para liberação de carga. Com esta nova tecnologia, a carga pode ser liberada em pouco mais de uma hora, através de informações que são registradas no lacre que está no contêiner e, posteriormente, repassada ao VIGIAGRO. A necessidade de o Brasil melhorar a sua logística e infraestrutura é gritante, uma vez que o País está recebendo grande demanda e necessita se adequar às exigências e ao aumento de produção.

De acordo com a ABIEC, dez empresas que são associadas à entidade já estão oficialmente aptas a implantar o lacre eletrônico. Nos próximos 30 dias, uma unidade fabril de cada associada - BRF, Cooperfrigu, Frialto, Frigol, Frisa, JBS, Marfrig, Mataboi, Minerva e Rodopa - estará habilitada a utilizar a tecnologia para o transporte de cargas de carne bovina com destino ao porto de Santos, em São Paulo.

Como pode ser observado no gráfico de "Evolução do preço da @ do boi gordo", os índices sofreram alterações, havendo recuo da arroba na maioria das praças analisadas, com exceção do Rio Grande do Sul e de Santa Catariana.

No gráfico "Deságio do preço do boi gordo", a média paga aos pecuaristas nas negociações, entre o preço à vista e a prazo (30 dias), foi de R$ 2,79% para as nove praças analisadas, valor superior, se comparado ao período anterior, que foi de 2,37%.

O preço médio do bezerro ficou em R$ 676,75, para o intervalo analisado, de 19/04 a 17/05, tendo um aumento de 1,65% com relação ao período anterior. Houve alta em todas as praças analisadas. Em São Paulo, o preço médio para a categoria ficou em R$ 740,50; para Minas Gerais, R$ 548,00; em Goiânia, R$ 653,00; no Mato Grosso do Sul, R$ 730,00; no Mato Grosso, R$ 692,00; no Paraná, R$ 748,00 e, no Rio Grande do Sul, R$ 682,50.

O boi magro recuou e apresentou média de R$ 1.013,50/cabeça nos estados avaliados, gerando uma queda de 10,27% em relação ao período anterior. A média do mês em São Paulo foi de R$ 1.211,50; em Minas Gerais, R$ 1.062,50; em Goiás, de R$ 1.141,50; no Mato Grosso do Sul, de R$ 1.177,50; no Mato Grosso, de 1.090,00; no Paraná, de 1.212,50 e, no Rio Grande do Sul, de 1.189,00. Os índices médios de relação de troca entre as categorias de reposição e o boi gordo ficaram em 2,21 para desmama/boi gordo e 1,30 para boi magro/boi gordo.

De um modo geral, o momento é de reflexão. O pecuarista mantém-se retraído frente aos preços insatisfatórios ofertados pela arroba, mas, com a entrada do período de safra, a oferta tende a aumentar, fazendo com que o preço da arroba perca força. Portanto, o pecuarista deverá analisar qual o melhor momento de vender, buscando o melhor resultado financeiro.

Rita Marquette
Boviplan Consultoria