Sanidade

 

Controle biológico

Embrapa estuda relação entre mosca-dos-chifres e bactéria Wolbachia

Larissa Morais

Após um período em pós-doutorado nos Estados Unidos, a pesquisadora da Embrapa Pecuária Sudeste (São Carlos/SP) Lea Chapaval, inicia neste mês uma pesquisa para identificar as relações entre a mosca-dos-chifres e a bactéria do gênero Wolbachia. Estas bactérias infectam a mosca-dos-chifres, um dos principais parasitas dos bovinos. Os prejuízos são estimados em quase US$ 2 bilhões por ano, segundo a Embrapa.

Durante três meses, de fevereiro a maio, Lea estudou a dinâmica de populações de Wolbachia em diferentes hospedeiros. O trabalho, desenvolvido no Lindsley F. Kimball Research Institute, ligado ao New York Blood Center, foi orientado por Sara Lustigman, Ph.D em Parasitologia Molecular. No ano passado, a cientista havia demonstrado interesse em receber uma especialista em microbiologia. Por isso, convidou a pesquisadora da Embrapa Pecuária Sudeste.

No Laboratório de Parasitologia Molecular do New York Blood Center, Lea colaborou em pesquisas sobre a relação da Wolbachia com os nematoides filariais Brugia malayi e Onchocerca volvulus, causadores das doenças humanas elefantíase e oncocercose (ou cegueira do rio), respectivamente.

Segundo Lea, o foco é na bactéria, na tentativa de descobrir enzimas e proteínas para controle por meio de vacinas. "Quando cheguei lá, imaginava uma pesquisa como a da Fundação Oswaldo Cruz, que inocula a Wolbachia no mosquito Aedes aegypti para bloquear a replicação do vírus da dengue. Mas a ideia da Dra. Lustigman não é infectar os nematoides filariais", explica a pesquisadora.

Lea aproveitará as técnicas aprendidas em estudos nos Estados Unidos para verificar a relação entre a bactéria e a mosca-dos-chiLarissa Morais fres, com base em material genético da Embrapa Pecuária Sudeste e da Embrapa Rondônia.

A Wolbachia infecta outros importantes parasitas dos ruminantes, como a mosca-das-bicheiras e os carrapatos de bovinos. A mosca-dos-chifres será a primeira a ser estudada. Com essa caracterização inicial será possível, no futuro, trabalhar na manipulação de Wolbachia para o controle de parasitas na pecuária e definir novas estratégias de controle integrado que minimizem a utilização de pesticidas na pecuária. Garantindo, assim, alimentos mais seguros para a população, com menos resíduos, e diminuindo as barreiras sanitárias determinadas pela presença de contaminantes pesticidas nos alimentos de origem animal.

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