Encontro

 

Carne e leite para o mundo

1º América Bovina reuniu visitantes de Argentina, Bolívia, Brasil, Paraguai, Uruguai e Equador

Afim de trocar ideias sobre os desafios e caminhos para aumentar a produção e abastecer um mundo que exige cada dia mais quantidade e qualidade de alimentos de forma sustentável, aconteceu em Puerto Iguazu, na Argentina, o 1º América Bovina, um encontro destinado à troca de ideias sobre como transformar a América Latina em referência mundial para o fornecimento de carne e leite.

Tomando 2020 como uma meta de melhoria para a produção, palestrantes de vários países contribuíram com visões, propostas e desafios para melhorar a produção animal e as indústrias de alimentos e saúde animal. Luciano Roppa, especialista em Análise do Mercado de Carne e Leite da Biogénesis Bagó, promotora do evento, abriu o encontro mostrando as oportunidades e os desafios da segurança alimentar global para a próxima década. Roppa apontou que a produção de alimentos e a segurança alimentar mundial tornaram-se cada vez mais importantes em nível mundial, como resultado de um aumento significativo no consumo per capta de carne, produtos lácteos e óleos, especialmente nos países emergentes.

Por outro lado, um ponto levantado por Alexandre Mendonça de Barros, sócio consultor MB Agro e membro do Conselho Superior do Agronegócio da FIESP (Federação das Indústrias do Estado de São Paulo), foi a visão que os países industrializados têm sobre a cadeia de valor. Existe uma grande preocupação quanto ao desafio de produzir mais quilos de carne bovina por hectare, quando todos os dias há grandes limitações na disponibilidade de terra e água. A solução para suprir essa lacuna foi proposta por José Bonica, ex-presidente da Associação Rural do Uruguai e secretário-geral do Conselho Mundial de Hereford. Hoje, segundo ele, os uruguaios, assim como os brasileiros, possuem abundantes recursos naturais, boa genética, condições ambientais e sanitárias favoráveis, tecnologias e empresas capazes de tornar viável o aumento da qualidade e da quantidade da produção de alimentos.

Neste tocante, Rodrigo Troncoso, gerente geral da Câmara de Feedlot, da Argentina, chamou a atenção das ferramentas disponíveis para melhorar a eficiência na produção animal, como é o caso do confinamento. "Existem vários sistemas de produção em confinamento e diferentes tipos de alimentos utilizados, mas todos são iguais perante às condições de América Latina e os desafios em combater doenças neste sistema de produção são unânimes", declarou. Para ele, o confinamento é uma excelente alternativa para adicionar maior valor à pecuária.

Esteban Turic, diretor de Inovação da Biogénesis Bagó, concluiu o ciclo de palestras apontando a necessidade de se realizar um trabalho coordenado de pesquisas científicas, entidades governamentais, associações e produtores. "É necessário aumentar a eficiência produtiva para posicionar corretamente a região como um fornecedor de alimentos confiável, certificado e de elevados padrões de saúde, segurança e qualidade", disse, enfatizando a importância de um marco regulatório e de políticas regionais de saúde.

2 MILHÕES DE VACINAS

Como parte do evento, a Biogenésis Bagó comemorou a aplicação da vacina antiaftosa número 2 milhões, realizada no Brasil, na propriedade de Alaor José de Carvalho, no estado de Rondônia, uma das fronteiras agrícolas do Brasil com a Bolívia. "Para nós, hoje é um dia especial, graças à parceria entre produtores e associações científicas", disse Guillermo Mattioli, diretor-executivo da Biogenésis Bagó. A Revista AG foi representada no 1º América Bovina por Lívia Santos, exexecutiva de contas da publicação.