Seleção

 

Serviço cinco

Boi com Bula usa simbologia para qualificar touros melhoradores quanto ao genótipo, fenótipo e sistema produtivo

Adilson Rodrigues
[email protected]

A crescente necessidade de intensificação da atividade pecuária e a maior pressão ambiental exigem maior profissionalização do criador e também impulsionam a rápida evolução das tecnologias que o circundam. Um bom exemplo é a avaliação genética. O conceito envolto nas diferenças esperadas na progênie (DEPs) faz surgir um novo perfil de consumidores de genética, e com eles consultorias especializadas não apenas no genótipo do reprodutor, mas também em morfologia, levando em conta, inclusive, o ambiente em que ele foi criado. Algo fundamental quando pensamos em seleção genética.

Hoje, observa-se uma frenética corrida por touros top 0,1% - aquele melhor em mil em determinado programa de melhoramento -, como se apenas este fator pudesse resolver todos os problemas de um plantel. "Esta informação sozinha não é suficiente e pode levar a erros no emprego de genética. Há casos em que um animal TOP 5% ou 10%, com uma régua de DEPs equilibrada, pode ser mais apropriado. A tendência é que o conjunto avaliação genética + avaliação morfológica seja mais valorizado no momento da comercialização de um reprodutor", explica o zootecnista William Koury Filho, idealizador do Boi com Bula, serviço fornecido pela Brasil com Z.

Ao se agrupar todo o conjunto de informações que envolve um reprodutor, como idade, peso, perímetro escrotal, genealogia, avaliação genética, molecular, morfologia e descrição do sistema de produção onde foi criado, a utilização da DEP pode se tornar mais segura. No caso do Boi com Bula, esta associação de dados resulta na classificação do animal em estrelas, assim como ocorre numa crítica de cinema. Uma estrela é ruim, cinco é excelente. "Todo rebanho tem diferentes necessidades e todo touro e vaca possui indicadores próprios de qualidade genética ou morfológica, por isso uma preocupação recorrente é orientar a aquisição de um produto adequado à realidade e aos objetivos da propriedade", esclarece o zootecnista.

MORFOLOGIA

Assim como muitos programas de seleção, a avaliação morfológica Boi com Bula baseia-se no EPMURAS, no qual "E" é Estrutura Corporal, que corresponde ao tamanho, ou área do animal, visto de lado, do dorso/lombo ao chão; "P" é Precocidade, que caracteriza o biótipo animal conforme a relação entre comprimento de costelas e altura de membros; "M" é Musculosidade, uma análise da distribuição e volume das massas musculares no animal; "U" é Umbigo, referente ao tamanho e posicionamento da prega umbilical, considerando bainha e prepúcio nos machos; "R" é Raça, ponderando todos os itens previstos nos padrões raciais; "A" é Aprumos, notando-se as proporções, direções, angulações e articulações dos membros anteriores e posteriores, além da estrutura de ossos, tendões e ligamentos; e, por fim, "S" é Sexualidade, com atenção à masculinidade e à feminilidade através de características sexuais secundárias, que são relacionadas à fertilidade. Entretanto, estes escores visuais foram aprimorados e avaliados no ambiente onde o animal foi criado, resultando no EPMURAS – Retrato Falado.

METODOLOGIA

O método é simples, atribuindo-se notas para cada atributo. Para as características E (Estrutura Corporal), Precocidade (P), Musculosidade (M) e Umbigo (U) as notas vão de 1 a 6. Já para Raça (R), Aprumos (A) e Sexualidade (S) vão de 1 a 4. Para correta visualização das proporções do corpo do animal, é importante analisar a Estrutura (E) concomitantemente com os escores de Precocidade (P) e Musculosidade (M). Escores altos para E e baixos para P identificam animais de biótipo mais exigente, tendendo a tardios. Contudo, esses podem ser utilizados para dar porte a rebanhos extremamente compactos. Já os animais com escore para E mais baixo e P mais alto são indicadores de precocidade e maior adaptação a sistemas de produção a pasto. "Obviamente, nenhum dos extremos é desejado", lembra William Koury.

Não existe ponderação para cada item que compõe o Boi com Bula. Ele simplesmente traduz a Avaliação Genética e a Avaliação Morfológica em estrelas de acordo com a qualidade do animal. "O Boi com Bula não é um programa de avaliação genética, mas sim uma metodologia de seleção que funciona como um mecanismo facilitador e que preconiza, acima de tudo, maior segurança de resultados nos investimentos realizados pelos pecuaristas", assinala. Para a Avaliação Genética, as classes de estrelas são compostas de acordo com o percentil (TOP) no Índice Genético do programa em que o produto é avaliado.

Na Avaliação Morfológica, as estrelas são baseadas nas classes do Índice EPMURAS – Retrato Falado, que avalia visualmente o animal para diferentes características, considerando ainda o sistema de produção em que foi criado, de maneira que os escores visuais possibilitem uma perspectiva mais precisa do animal.

William Koury destaca a eficiência ao se confrontar as avaliações genética às morfológicas