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PECUÁRIA X AGRICULTURA

Teste final de sustentabilidade para o pecuarista brasileiro

Bruno Santos
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Criador de Nelore há 35 anos, José Lúcio Vieira, proprietário da Fazenda dos Mineiros, localizada no município de Campinópolis, no Mato Grosso, acaba de liquidar um rebanho de 4.600 cabeças para investir na agricultura. Insatisfeito com a instabilidade da pecuária, o criador optou por arrendar a propriedade para a plantação de soja por ser, segundo ele, uma atividade mais sólida e fixa.

Este não é um episódio isolado. No ritmo atual, a pecuária vai ceder 8,6 milhões de hectares de pastagens para a agricultura em todo o País. Projeções da Agroconsult apontam que até 2022 as atividades agrícolas exigirão 15,3 milhões de novos hectares. A expectativa da consultoria é de que 82% venham de pastagens e, apenas, 18%, de supressão de vegetação nativa.

Segundo Pedro Rocha Marques, consultor e doutorando em Produção Animal na Universidade Federal do Rio Grande do Sul, essa invasão da agricultura tem diferentes fases no Brasil. Regiões como São Paulo, Rio Grande do Sul e Paraná já passaram por um primeiro e intenso processo de "agriculturização" na década de 90 e vivenciam uma nova onda, com a expansão de soja e de milho sobre novas áreas. "Nas regiões de terra mais cara, os produtores já estavam sendo obrigados a ser mais eficientes, mas a pressão será dobrada de agora em diante", avalia.

Estados da região Norte, como Tocantins e Pará, ainda permitem a pecuária extensiva nos velhos moldes, pois o valor do hectare ainda é baixo, no entanto, segundo Marques, não vão suportar por mais de 15 anos. "Os exemplos estão aí; vai depender dos pecuaristas daqueles estados, se eles vão começar a investir na maior produtividade do rebanho ou aguardar para ser pressionados pela agricultura", destaca.

grãos está bastante acirrada. No Rio Grande do Sul, por exemplo, uma segunda fronteira agrícola deve ser aberta para os grãos em um futuro não muito distante. A Embrapa estuda o cultivo de soja nas grandes áreas de várzea, na fronteira oeste, onde, atualmente, estão 60% da pecuária gaúcha, que divide espaço com a rizicultura. "Com isso, a soja vai avançar e os pecuaristas do Rio Grande do Sul, assim como os do Paraná e os de São Paulo, não poderão mais brincar em serviço, tendo de ser muito profissionais na criação", pontua o especialista.

A conscientização da necessidade de se profissionalizar é o primeiro passo para tornar a pecuária, no mínimo, competitiva com a agricultura. O Brasil vai precisar expandir as áreas de grãos e isso ocorrerá inevitavelmente sobre as pastagens. Portanto, o pecuarista que deseja sobreviver terá de ser mais eficiente, ou seja, produzir mais arrobas por hectare.

Para o analista de pecuária da MB Associados Consultoria, César de Castro Alves, tecnicamente, não será um problema, pois o desfrute da pecuária brasileira é baixo, possibilitando aumentar a eficiência mesmo cedendo terreno. "A adoção de tecnologias é um fator primordial. A adubação é a única solução existente para recuperar as pastagens, coisa que poucos pecuaristas fazem. Não adianta espremer o gado se não melhorar a qualidade do alimento", ressalta.

Historicamente, o pecuarista sempre teve dificuldade para ter sobra de caixa para maiores investimentos. Mas, o fator agravante é que são poucos os produtores preocupados com a qualidade dos pastos. Hoje, o Brasil encontra-se com cerca de 100 milhões de hectares de pastagens em degradação e exatamente por essas áreas os grãos estão avançando.

"Essa pressão ambiental que a pecuária já vem sofrendo da agricultura vai obrigar o criador a melhorar a produtividade. Ele vai ter de reformar pasto, cuidar da terra, adotar tecnologias, melhorar a mão de obra, investir em genética, aderir a um sistema de manejo eficiente e reconhecer que a integração veio para ficar. Quem não se profissionalizar ficará pelo caminho", pontua Alves.

PRODUZINDO MAIS COM MENOS

Nos próximos dez anos, para cada dez quilos de aumento no consumo mundial de carne bovina, três quilos sairão do Brasil, segundo informações apuradas pelo Rally da Pecuária, expedição técnica que percorreu, entre agosto e outubro de 2012, 52 mil quilômetros em nove estados. E, para aumentar a produtividade sem aumentar nenhum hectare de forragem, será fundamental suplementar o rebanho, adubar pasto e desenvolver novos modelos de geração de renda. É o caso da integração lavoura-pecuária, capaz de ajudar as margens de lucro de uma propriedade a aumentarem em até 25%.

Um bom exemplo de intensificação é a Agropecuária Pontieri, localizada em Vicentinópolis, no interior de Goiás, onde 350 hectares de pasto alimentam 1.000 cabeças de gado em ciclo completo. Segundo Leonardo Souza, veterinário e sócio-diretor da Qualitas Agronegócios, os proprietários da fazenda projetam que os resultados financeiros da pecuária, neste ano, serão o dobro da agricultura. Enquanto a expectativa para a soja e o milho é de R$ 600 por hectare, a do boi é de R$ 1.200 por hectare.

A Agropecuária Pontieri trabalha com estação de monta de 70 dias, sendo 100% por Inseminação Artificial. A idade média de abate é 20 meses com peso de [email protected] a pasto. "É uma fazenda supereficiente, mas só consegue esse resultado porque faz integração com a agricultura - 30% do pasto que eles têm são novos e saíram da lavoura. E eles produzem mais soja, gastam menos com fertilizantes e calcário porque fazem a integração com o gado", pontua Souza. Os animais produzidos na propriedade apontam para uma nova tendência, na qual a idade de abate dos bovinos criados extensivamente necessitará cair para 24 meses, sendo estes puros ou cruzados.

O confinamento estratégico permite ao pecuarista enfrentar a seca e entregar os animais com acabamento desejado

Mas, para realizar uma ILP bem sucedida e alcançar números tão fartos como os da Agro Pontieri, os produtores também precisarão investir em mão de obra qualificada e, principalmente, em gestão. Muitos acabam fazendo uma "falsa" integração, por terem na fazenda duas equipes que cuidam apenas da atividade a qual respondem. Os responsáveis pela agricultura atentam às lavouras e os gerentes de pecuária se limitam à criação de gado, e ninguém se esforça para ajudar o outro. O que deveria ser integrado, acaba sendo negócios rivais.

MANEJO DE SOLO E DE PASTO

Para a pecuária ter condições de competir de igual para igual com a agricultura, o principal ponto a ser repensado é a pastagem, afinal, grande parte dos pecuaristas ainda a enxerga de modo extrativista. "Não tem como uma produção que só degrada concorrer com uma agricultura que trabalha com alta tecnologia e pessoas qualificadas. É uma concorrência desleal. Nesse caso, é inevitável a agricultura tornar a pecuária uma atividade marginal", observa Rodolfo Wartto Cyrineu, engenheiro-agrônomo e proprietário da Suporte Rural Consultoria.

Por conta das vantagens naturais que envolvem a pecuária, o Brasil vai conseguir preencher essa lacuna da demanda, destaca Cesar Alves, da MBAGRO

O pecuarista acha o adubo caro e prefere não investir. Sequer procura investigar os benefícios que teria, segundo o engenheiro-agrônomo. "Sem dúvida, é o grande gargalo a ser superado, e que justifica a média nacional inferior a 1 UA (Unidade Animal) por hectare, tornando extremamente ineficiente o uso da terra pela pecuária", complementa. E o primeiro passo para reformar pasto é conhecer seus níveis de degradação medindo a quantidade de matéria seca por hectare.

Um pasto com 750 kg de matéria seca por hectare está quase totalmente comprometido, possuindo apenas 25% de área útil, com restante tomado por plantas invasoras. Para possibilitar a recuperação, ele precisa ter de 750 kg a 1.500 kg de matéria seca/ha, o que corresponde a 25% a 50% de área produtiva. Já uma pastagem considerada boa possui entre 1.500 kg e 2.500 kg/ha, e uma excelente chega a níveis de 2.500kg/ha, mostrando um aproveitamento de 75% da área total.

Os custos de uma boa adubação, segundo os especialistas, vária muito, de R$ 70/ha, em pasto de excelente qualidade, a R$ 140/ha, nas piores hipóteses de degradação. Dentre os componentes do custo para a recuperação do pasto, especial atenção deve ser dada para as operações mecanizadas e a aquisição de fertilizantes, que correspondem a 48% e 30% do valor total do processo, respectivamente.

As sementes forrageiras possuem a menor participação, entre 5% e 6%, mas nem por isso podem ser negligenciadas. Não é a compra de produtos piratas que vai resolver o problema. Pelo contrário, no fim das contas vai gerar prejuízos incalculáveis, em virtude da baixíssima germinação e valor cultural e do grande número de impurezas inseridas na forrageira, principalmente ervas daninhas. De acordo com a Associação para o Fomento à Pesquisa de Melhoramento de Forrageiras (Unipasto), a pirataria representa 30% do mercado. Para reforma da pastagem, gasta-se cerca de R$ 1.000/ha e as sementes forrageiras representam menos de 10% desse valor.

10% desse valor. Após avaliar a quantidade de matéria seca, o passo seguinte é analisar o solo para conhecer os níveis de acidez e fertilidade. Com essas informações em mãos, calcula-se a correção com calcário para neutralizar o alumínio e isso geralmente é feito no final de período chuvoso, entre abril e maio, quando é mais barato e o frete mais competitivo.

Durante os três meses seguintes (do período da seca até o meio das águas), o calcário tem tempo suficiente para reagir. "Depois que começa o período chuvoso, de outubro a março, dependendo do nível de adubação, deve-se intensificar, podendo fazer de três a seis adubações por ano, ou seja, uma por mês durante seis meses. Fazendo uma adubação com nitrogênio, fósforo, potássio e micronutrientes, parceladamente, consegue-se explorar o máximo de lotação dos bovinos", explica Atila Martins da Silva, zootecnista e consultor de pastagem da Consulpec.

Dados atuais comprovam que pecuaristas que começaram a encarar a pastagem como cultura tornaram a mesma tão viável quanto a lavoura. Segundo o zootecnista, é possível sair de uma média dos 0,9 UA/ha para fantásticos 10 UA/ha. E não para por aí. "Já temos trabalhos em área irrigada que se conseguiu uma lotação de até 15 UA por hectare. Em termos de produtividade, sairia das atuais [email protected]/ha para 40 a [email protected]/ha. E explorando bem a atividade, em uma área irrigada e bem intensiva, conseguiria-se produzir até [email protected] por hectare", quantifica.

MANTENDO A PRODUTIVIDADE

Uma das maneiras mais eficazes de evitar a degradação é controlando a pressão de pastejo por meio do sistema rotacionado, pois ele possibilita ter o maior controle sobre o desenvolvimento da planta e, consequentemente, um pastejo mais uniforme. A adequação da quantidade de cabeça por área vai depender do nível de fertilidade do solo, da atividade que está trabalhando (cria, recria ou engorda), do tamanho da propriedade e da escala de produção.

Segundo Rodolfo W. Cyrineu, ao rotacionar um pasto é possível aumentar de 20% a 60% a capacidade de produção de uma fazenda. A quantidade de animais vai depender do quanto o pecuarista investiu na pastagem. O sistema rotacionado pode trabalhar com até 12UA/ha, lembrando quanto mais intensificado for, maior será o número de piquetes. Se o produtor trabalha com até 2UA/ha, quatro piquetes serão suficientes. Com 4UA/ha, não há como pensar em menos de oito piquetes. Agora, se forem de 6UA acima, já é preciso trabalhar com um número maior de piquetes. "Temos de analisar a realidade de cada propriedade, e não pensar em um modelo padrão", salienta.

Muita gente erra porque acha que esse sistema é milagroso. Se tiver um pasto em processo de degradação por deficiência nutricional do solo, o sistema rotacionado não irá resolver. "Já vi pessoas implantar o sistema rotacionado em pastagem totalmente degradada e, claro, não obter retorno. Sou um defensor do sistema, mas, em pasto com capacidade de 1UA/ha, pouco vai responder o rotacionado", pontua o proprietário da Suporte Rural Consultoria.

NUTRIÇÃO DE PRECISÃO

Para poder explorar a capacidade máxima do animal, além de melhorar o manejo, o solo e o pasto, é imprescindível que os animais consigam utilizar com maior eficiência os nutrientes que ingerem diariamente. Para conseguir isso, é necessário ser mais preciso na formulação das dietas e no manejo da alimentação, além de oferecer ótimas condições sanitárias e de conforto aos animais. Também é imprescindível evitar desperdícios, sendo mais rigoroso na condução dos processos na fazenda.

Com a aplicação da nutrição de precisão é possível reduzir o custo da alimentação em mais de 20%, cita Alexandre M. Pedroso

A principal vantagem de aplicar o conceito de nutrição de precisão é que não implica necessariamente em investimentos em equipamentos ou infraestrutura. O fundamental é trabalhar com padrões mais rigorosos de qualidade. "Em experiências recentes, conseguimos reduzir o custo da alimentação em mais de 20%. Considerando que o custo da alimentação representa algo em torno de 50-60% dos custos totais de produção e, se aplicarmos essa redução de 20%, o impacto em lucratividade seria da ordem de 10-12%", pontua Alexandre M. Pedroso, pesquisador de nutrição de bovinos da Embrapa Pecuária Sudeste.

Contudo, não adianta a pecuária evoluir se não for de forma sustentável, ou seja, crescer sem comprometer os recursos naturais do planeta e nem aumentar a emissão de poluentes. E essa última questão está diretamente ligada à nutrição.

Segundo Pedroso, para não aumentar a emissão dos poluentes é necessário evitar o fornecimento de nutrientes em excesso, os quais os animais não conseguirão utilizar. Um exemplo típico é o uso de concentrados com 18-24% de proteína bruta (PB) para vacas que consomem pasto de alta qualidade, com mais de 14-15% PB. Nesse caso há excesso de proteína na dieta, pois o pasto já supre toda a necessidade do bovino. Essa proteína em excesso será transformada em amônia no rúmen das vacas, que deverá ser excretada na forma de ureia, pelas fezes e pela urina, principalmente. A ureia é muito rica em Nitrogênio (N), nutriente que, se for lançado em excesso no ambiente, contribui para a poluição dos lençóis freáticos e do ar.

A água também deve ser observada de perto pelo pecuarista, pois nela pode estar um mal invisível e extremamente poluente: o excesso de Fósforo (P) e Nitrogênio (N). "Quando elementos como N e P apresentam-se em concentrações elevadas em lagoas ou represas (qualquer fonte de água não corrente), costumam estimular o desenvolvimento de algas e fitoplâncton. Quando esses organismos morrem, há uma grande demanda de oxigênio para sua decomposição, reduzindo a disponibilidade desse elemento, o que piora a qualidade da água", explica o pesquisador da Embrapa Pecuária Sudeste.

BOA GENÉTICA FAZ A DIFERENÇA

Para a pecuária ser mais eficiente, é necessário um conjunto de fatores. De nada adianta ter um pasto eficiente se sobre ele não estiverem bons animais, com ótima conversão alimentar e bom ganho de peso. Com isso, é fundamental analisar os animais na hora de fazer aquisições, pois 70% do sucesso da produção do plantel vai depender da compra correta de animais eficientes. O uso de touros reconhecidamente melhoradores pode aumentar a produtividade em até 20%.

Porém, muitos criadores são se deram conta desses ganhos e a comercialização de gado em boa parte do País é feita ainda de forma primitiva. Em muitos lugares a compra e a venda são feitas a olho. Não se analisa nem o peso do animal. Para Leonardo Souza, isso acontece por displicência de quem compra, pois, se ele exigisse, o negócio seria diferente.

Por isso, o maior gargalo de quem compra animais para engorda é o desempenho deles quando chegam à fazenda. "Animais que mostrem uma conversão alimentar eficiente e um bom rendimento de carcaça vão gerar menor custo de alimentação. Esses são os pontos principais para ganhar dinheiro com o bezerro que se compra", avalia.

Principalmente no momento de pouca oferta de pasto, é fundamental investir em animais precoces ao abate. "Uma fazenda que abate animais com três anos de idade, no momento que reduz isso para dois anos elimina uma categoria improdutiva dentro do rebanho e, assim, aumenta a chance de conseguir produzir mais em menos área", exemplifica. Souza informa que o custo médio cabeça/mês para manter um animal no pasto varia de R$ 20 a R$ 30/mês.

CONFINAMENTO ESTRATÉGICO

Dentre as ferramentas mais eficientes para alavancar a produção da pecuária, o confinamento pode ser a principal delas. Já que a atividade terá de aumentar produção sem aumentar a área produtiva, o pecuarista que realmente queira continuar competindo terá de olhar essa ferramenta com outros olhos.

para acelerar o acabamento de carcaça, é ideal para quem produz a média de 2.000 animais por ano. Segundo Bruno de Jesus Andrade, zootecnista da Associação Nacional dos Confinadores (Assocon), é o manejo ideal para que o gado continue ganhando peso mesmo no período seco, quando a pastagem apresenta os mais baixos níveis de produtividade, sendo encaminhados ao frigorífico após 90 dias.

Para o pecuarista não se tornar refém dos grãos no confinamento e não ficar à mercê das oscilações de mercado, o zootecnista da Assocon dá algumas dicas de como travar o preço do insumo no ato da compra. "O pecuarista pode negociar antecipadamente, e sempre com mais de um fornecedor, fazendo um planejamento nutricional. Ele, então, poderá fixar o preço do insumo num valor que garanta rentabilidade, mas, para tanto, precisará conhecer seus custos de produção", pontua.

preços do mercado, mas pode escolher aquilo que melhor se adapte à realidade dele. Para isso, existem algumas soluções caseiras, como produzir mais volumoso no confinamento e, por meio da integração com a lavoura, fabricar silagens de milho, sorgo ou cana, entre outras. Independente da solução ecolhida, um fator é primordial: capacitar a mão de obra na fazenda. "Um erro cometido pode levar a uma baixa produtividade", adverte Andrade.

O pecuarista é um tomador de preço, não é ele quem o forma. Uma maneira de se proteger quando da aquisição de insumos é o mercado futuro e de opções. Mas para fechar bons contratos e garantir a rentabilidade, é necessária uma boa gestão. Diante dessa realidade tão corriqueira, a Assocon vai começar a trabalhar com uma nova ferramenta, o Confinamento de Precisão.

"Assim como existe a agricultura de precisão, vamos implantar um modelo de confinamento de precisão. Nele, o pecuarista deve conhecer tudo o que influencia o seu negócio, a compra de gado, os produtos utilizados, como e quando vender os animais, entre muitos outros fatores", revela o zootecnista da Assocon. Esse conceito será apresentado durante a Interconf (Conferência Internacional de Confinadores), evento que acontece de 9 a12 de setembro em Goiânia/GO.

GESTÃO DE MÃO DE OBRA

Nada do que foi sugerido e proposto até agora funcionará se o pecuarista não se conscientizar que todo progresso da fazenda começa com uma boa gestão da propriedade. O pecuarista que investe em tecnologia também precisa profissionalizar a mão de obra. A agricultura é o exemplo prático disso.

O campo passa por um momento, não muito favorável, de grande escassez de mão de obra qualificada, devido à migração de muitas pessoas para a cidade. Assim, achar um funcionário qualificado é algo raro nos dias atuais.

Uma saída eficiente para essa situação é investir nos funcionários, dando o treinamento e a qualificação necessários, e ainda ir um pouco além para não perder mão de obra qualificada para os vizinhos. Para Rodolfo W. Cyrineu, o que mais segura o funcionário na fazenda não é o salário e sim a satisfação em relação ao trabalho.

"O pecuarista tem de dar condições adequadas de trabalho para seus colaboradores, mostrando que são peças importantes no processo, exaltando sempre o lado pessoal. Além de dar um pagamento digno e valorizar os resultados positivos que gerou, também é fundamental investir na família deles, principalmente nos filhos", destaca.

Com boa adubação de pasto e manejo adequado é possível sair de uma média de 0,9 UA/ha, que é a média do Brasil, e atingir até 10 UA/ha.

Como ainda é alto o índice de analfabetismo no campo, um treinamento específico, de acordo com a capacidade de entendimento de cada um, se faz necessário. Para isso, existem atualmente diversas empresas que prestam esse tipo de consultoria. O pecuarista também pode fazer parceria com órgãos de extensão rural ou até mesmo implantar escola de capacitação na propriedade. "O primeiro passo é mostrar para os funcionários a importância deles aprenderem coisas novas. O fazendeiro precisa saber se comunicar com o empregado", cita Cyrineu.

Para quem não quer implantar treinamento de capacitação, uma solução é terceirizar a mão de obra e buscar colaboradores fora da propriedade. "Se você tem uma equipe com pessoas dispostas a trabalhar, de confiança e responsáveis, vale a pena investir e capacitar. Entretanto, se forem pessoas que não vão atender a capacitação e não estão comprometidas com o negócio, é melhor contratar fora", sugere o proprietário da Suporte Rural Consultoria.


PECUÁRIA PODE VENCER

pecuária não pode e nem vai acabar, mas realmente só sobreviverá na atividade quem se profissionalizar. E, para esses, existirão inúmeras oportunidades:

• Estima-se que em 2050 a população mundial será superior a 9 bilhões de habitantes;

• Só o Brasil terá condição de oferecer carne em quantidade suficiente no futuro;

• Nos próximos dez anos, para cada dez quilos de aumento no consumo mundial de carne, três quilos deverão ser produzidos no Brasil;

• O País conta com vantagens naturais de clima e temperatura, o que favorece a produção de gado a pasto;

• Os Estados Unidos são eficientes, mas o rebanho tem caído a cada ano;

• A valorização e o bom preço vão sustentar a atividade pecuária;

• A pecuária intensiva pode ser tão lucrativa quanto a agricultura;

• A agricultura está num momento de alta, devido à quebra da safra dos EUA, mas, se os americanos colherem bem neste ano, a realidade será outra;

• Situação dos portos, alto valor dos fretes, fertilizantes e defensivos limitaram a agricultura.