Mercado

À espera da virada do mercado

Ao analisarmos o mercado da carne de uma forma global, percebemos que muitas notícias andaram influenciando negativamente o setor, seja a suspeita do “mal da vaca louca”, que gerou os recentes embargos à carne brasileira, ou o escândalo envolvendo a carne de cavalo, em produtos comercializados na Europa, e a aftosa na China. Quanto aos embargos, a expectativa geral é de que o governo brasileiro deve em breve quebrar estas barreiras. Em meio a tantos problemas, a carne brasileira permanece com credibilidade, tanto que com o problema da carne de cavalo é bem provável que a Comunidade Europeia flexibilize as exigências para importar carne bovina do Brasil, especialmente agora que a Associação Brasileira das Indústrias Exportadoras de Carne (ABIEC) dobrou o número de associados, representando agora os interesses de 20 empresas frigoríficas brasileiras.

Outro assunto importante para cenário da carne nacional é a espera do status livre da febre aftosa com vacinação para sete estados do Nordeste e para o Pará. Segundo o Ministério a Agricultura, Pecuária e Abastecimento (MAPA), o Programa Nacional de Erradicação e Prevenção da Febre Aftosa (PNEFA) tem como estratégia principal a implantação progressiva e a manutenção de zonas livres da doença, de acordo com as diretrizes estabelecidas pela Organização Mundial de Saúde Animal (OIE).

Considerando o cenário mundial, nos últimos 23 dias úteis, analisados de 19/03/2013 a 18/04/2013, houve desvalorização da arroba no Brasil e na Argentina, já na Austrália houve um aumento pouco significativo, enquanto que nos Estados Unidos a alta foi de 1,98% em relação ao período analisado na edição passada. Esse acréscimo se dá em provável consequência dos problemas de secas sofridos pelo País.

As exportações seguem aquecidas e as expectativas são de que continuem mantendo resultados satisfatórios, visto que existe uma demanda de mercado crescente para a carne brasileira. O Brasil abre uma vantagem perante os concorrentes, que enfrentam problemas com relação à produção de carne, como os Estados Unidos, que enfrentou grave seca neste ano, comprometendo suas exportações. Certamente, o País estará preparado para atender tal demanda, pois tem grande potencial de crescimento, boa genética e tecnologia. Nos últimos anos, o produto brasileiro conquistou muitos mercados importantes, como Rússia, China e Hong Kong, um dos maiores importadores da carne brasileira.

Segundo a ABIEC, as exportações brasileiras de carne bovina in natura em março somaram 110,89 mil toneladas equivalente-carcaça, aumento de 22,2% em relação ao mesmo período do ano passado, segundo o Ministério do Desenvolvimento, Indústria e Comércio Exterior (MDIC).

No mercado interno, permanece a queda de braços entre frigoríficos e pecuaristas. Se, de um lado, os frigoríficos pressionam, por outro, os pecuaristas continuam segurando a boiada, diminuindo a oferta, objetivando a valorização da arroba.

Muitos pecuaristas utilizam da estratégia de retenção dos animais na fazenda devido às boas condições das pastagens, mas vale lembrar que com a entrada da seca a qualidade dos pastos começa a piorar, comprometendo o ganho de peso dos animais. Portanto, o pecuarista muito em breve não poderá usar mais desta manobra como gostaria.

No último período avaliado, houve alta em cinco das praças analisadas, mostrando que o consumo está melhorando, o que mantém o mercado firme. O gráfico “Evolução do preço da arroba do boi gordo” apresenta a evolução da cotação a prazo nas diferentes regiões. Em São Paulo, a arroba iniciou o mês de março em baixa, mas ao longo do mês se recuperou.

Os valores médios pagos à vista da arroba do boi gordo no Brasil ganharam força na maioria das praças analisadas. Para o estado de São Paulo, a cotação da arroba fechou em R$ 98,70, com R$ 88,73 em Minas Gerais, R$ 87,93 para Goiás, R$ 93,05 para o Mato Grosso do Sul, R$ 87,63 Mato Grosso, R$ 98,48 Paraná, R$ 102,27 para Santa Catarina e, no Rio Grande do Sul, R$ 3,20/Kg.

No gráfico “Deságio do preço do gordo”, a média paga aos pecuaristas nas negociações, entre o preço à vista e o a prazo (30 dias), foi de R$ 2,37% para as nove praças analisadas, valor abaixo, se comparado ao período anterior que foi de 3,12%.

O preço médio do bezerro ficou em R$ 665,73, para o intervalo analisado de 19/03 a 18/04/2013, não sofrendo alteração significativa com relação ao valor pago no período anterior.

O boi magro apresentou média de R$ 1.129,88/cabeça, nos estados avaliados, gerando uma alta de 0,62% em relação ao período anterior. A média do mês no estado de São Paulo foi de R$ 1.226,36; em Goiás, de R$ 1.104,09; no Mato Grosso do Sul, de R$ 1.172,27; no Mato Grosso, de 1.065.45; no Paraná, de 1.220,91; e, no Rio Grande do Sul, de 1.195,00.

Os índices médios de relação de troca entre as categorias de reposição e o boi gordo ficaram em 2,24 para desmama/boi gordo e 1,32 para boi magro/boi gordo, com leve redução para categoria desmama/boi gordo, que fechou em 2,32 no período anterior (19/02 a 19/03/2013).

Apesar da expectativa negativa no fechamento das análises de mercado realizadas na edição anterior, ocorreram elevações de preços da arroba em alguns dos estados pesquisados no último período. Esta condição está gerando uma expectativa positiva por parte dos pecuaristas de que o mercado torne a aquecer no próximo mês.

Rita Marquette
Boviplan Consultoria