Sobrevoando

 

ExpoLondrina

Toninho Carancho
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Ascensão e queda. Visito a Expo- Londrina desde o início dos anos 80 (do século passado). Na época, era chamada de Exposição de Londrina e era uma feira quase que 100% pecuária. O foco era o criador e o gado. Verdade que já tinha shows à noite, mas o mais importante eram os criadores e as criações. A raça do momento, além do Nelore, era o Charolês. Um famoso criador do Sul trazia touros para venda junto com um CTG (Centro de Tradições Gaúchas) completo. Era um verdadeiro show de marketing. Pessoal pilchado, cavalos gordos, churrasco com fogo de chão embaixo da árvore. O cenário era perfeito para finalizar com a venda de touros à noite.

Também nesta época, as raças Marchigiana, Simental e Chianina ocupavam a maior parte dos espaços dos galpões. O clima era de empolgação e de bons negócios. A exposição respirava pecuária. Estandes das principais centrais de inseminação e também das grandes empresas de saúde animal. O pessoal da nutrição animal também ia em peso, afinal a Exposição de Londrina era uma das três mais importantes do Brasil, junto com a ExpoZebu e a Expointer (não necessariamente nesta ordem).

Com o passar do tempo, algumas raças começaram a ganhar espaço em contrapartida de outras que foram minguando. O Limousin veio crescendo, enquanto o Chianina foi desaparecendo. Também começaram a aparecer, mais timidamente, o Angus e o Caracu, além do Brahman e do Gir, que sempre teve uma boa representação. Também surgiu o Gelbvieh que logo sumiu.

A ExpoLondrina sempre foi palco de grandes debates pecuários e tinha (e ainda tem) um caráter de feira intermediária, ficando entre a Expozebu, com animais 100% zebuínos, e a Expointer, com a grande maioria das raças de origem europeia. Londrina era o meio termo. A confluência das vertentes, inclusive, em termos geográficos. Tinha tudo para dar certo e deu. Por muito tempo.

Mas agora, nos últimos anos, se verificou que a feira foi se esvaziando, perdendo o caráter pecuário e colocando o foco cada vez mais nos shows sertanejos e nos rodeios. Cada vez mais de olho na empresa que fornece a bebida do que nos leilões de gado. Mais na quantidade da bilheteria do que no tipo de visitante. E isso se tornou muito visível, principalmente, nesta última edição, agora em 2013.

Estive sobrevoando por lá. Não vi nenhum estande de centrais de inseminação. Zero. Vi muito poucos estandes de empresas relacionadas à pecuária. Vi galpões vazios e muitos a meia carga. Vi recintos de leilões sem leilões, quando há poucos anos era impossível de se conseguir uma data para um remate durante a exposição. Para quem, como nós, vive e gosta da boa pecuária, é triste. Muito triste.

Mas, acho que de tão ruim que foi este ano, melhores dias virão. Raças mais recentes acabaram entrando nos pavilhões e amenizaram o fracasso total. Angus, Brangus, Hereford e Braford vieram com alguma força e ocuparam os espaços, inclusive, com estandes bem feitos e com boa frequência de criadores. Deu-me uma certa nostalgia e lembrei dos anos 80 e 90, quando os estandes eram frequentados por muitos criadores e só se falava de pecuária. Havia uma vibração boa no ar. E senti esta boa vibração nos estandes do Hereford e Braford, Brangus e também no do Angus. Inclusive, no estande do Brangus encontrei criadores de Nelore almoçando por lá, já que o estande da própria raça tinha virado concessionária de automóveis (?). Talvez estas raças consigam, juntamente com a nova direção da Sociedade Rural do Paraná, que é dona da ExpoLondrina, dar um novo empuxe a esta grande feira. Espero que no ano que vem encontremos novamente os estandes das centrais de inseminação e que as praças de leilões estejam lotadas. Que o show seja da pecuária e de seus criadores. Oxalá!