O Confinador

 

ENCONTRO DE CONFIADORES TENTA PROJETAR PANORAMA

Bruno Santos
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O tradicional encontro de pecuaristas, consultores e especialistas reuniu, nos dias 3 e 4 de abril, em Ribeirão Preto, no interior paulista, expoentes do setor para discutir as tendências, novidades e atualidades da atividade. Com a cotação da arroba em queda e o custo da produção em alta, muitos pecuaristas andam inseguros quanto à posição do confinamento em 2013. Esse foi o cerne dos debates que compuseram a programação. Pelo que tudo indica, este ano não será muito diferente de 2012 e as expectativas para o confinamento não são as melhores. Com base na conclusão dos especialistas, apenas poucos confinadores terão receita favorável em 2013.

Além dos dois debates que tiveram os temas “Boi gordo, reposição e ferramentas de negociação” e “Commodities x custos, custo operacional e ferramentas de proteção de preços”, o encontro contou com a palestra do professor Dr. Mateus Paranhos, da Unesp, em conjunto com Fernanda Macitelli Benez, da UFMT, de Rondonópolis, que explanaram sobre desempenho de bovinos no confinamento, fazendo uma reavaliação sobre as atuais estratégias de manejo; e, ainda no primeiro dia, o professor Dr. Pedro Veiga, da UFV, falou sobre nutrição de vacas e engorda de fêmeas, diferenciando custos e rendimentos.

O segundo dia do Encontro de Confinadores começou com um assunto que anda tirando o sono de muita gente: os grãos. O desafio ficou para Rafael Ribeiro, consultor da Scot, que o contextualizou com a crise mundial, inflação dos alimentos e incertezas climáticas. Todos os criadores acompanharam atentamente, já que os grãos têm impactado diretamente nos resultados da pecuária. Encerrando a programação do evento em Ribeirão, estava o colunista da Revista AG e zootecnista Alexandre Zadra, apontando os gargalos da cria no confinamento. Zadra falou ainda sobre o que o mercado procura e deu dicas de como produzir o bezerro ideal.

A oitava edição do evento reuniu 481 pessoas, representantes de 151 cidades, de 19 estados do Brasil, além do Distrito Federal, e do Paraguai. A visita tradicional ao Confinamento Monte Alegre, que aconteceu no dia 5, em Barretos/SP, encerrou a programação do encontro. E assim como nos debates, o dia de campo também teve recorde de público, com cerca de 300 pessoas. Segundo Alcides de Moura Torres, promotor do evento, o que chamou mais a atenção foi o grande interesse dos congressistas pelos temas debatidos. “Foram três dias densos, alegres e carregados de conhecimento. A diversidade de origem dos pecuaristas permitiu que os debates fossem férteis e interessantes. Assim como é grande o nosso Brasil e complexos são os desafios que o homem do campo tem de superar”, destacou.


CONFINAMENTO, onde a gestão faz toda a diferença

Antonio Guimarães de Oliveira, Gustavo Adolpho Maranhão Aguiar e Rafael Ribeiro de Lima Filho*

Para saber como será o confinamento em 2013, algumas simulações, apesar do quadro preocupante, sugerem ser possível conseguir-se bons resultados, desde que a gestão seja esmerada, as práticas de produção racionalizadas e as negociações bem feitas. Há vários passos a dar no planejamento do confinamento. O primeiro deles é ter uma ideia do porvir, ter uma visão estratégica do mercado do boi gordo, dos insumos, do clima e do tamanho do rebanho que será confinado na temporada.

As dietas utilizadas nesta simulação foram baseadas no mercado de São Paulo e podem mudar de acordo com a disponibilidade de cada insumo por região (tabela 1). Não há uma dieta cujo uso caracterize determinada região, mas, de maneira geral, dietas com grande quantidade de volumoso são mais comuns no Paraná devido à maior eficiência na produção de silagem. As dietas de alto grão são mais comuns em confinamentos no Mato Grosso, tendo em vista a maior disponibilidade de grãos na região.

CUSTO OPERACIONAL

Os custos operacionais são compostos pelas despesas com mão de obra, softwares, rastreabilidade, combustíveis, manutenção e aluguel de equipamentos, sanidade e energia elétrica, entre outras. O gerenciamento operacional objetiva principalmente dois pontos: garantir que a operação funcione (traga os rendimentos e ganhos de peso esperados) e que haja o controle de todos os custos para o sucesso da atividade.

Dentre as práticas do gerenciamento estão o controle da alimentação, de acordo com o balanceamento planejado, a troca de água dos bebedouros, a leitura de cochos para evitar o desperdício de alimentos, manejo sanitário e tudo o mais que possa garantir um ambiente adequado para os ganhos de pesos previstos. O custo operacional varia de acordo com a tecnologia adotada e a escala de produção, variando, geralmente, de R$ 0,60/cabeça/dia a R$ 1,10/cabeça/dia.

Para a determinação e o controle desse custo, é necessário disciplina do confinador e de seus colaboradores, com o acompanhamento exato dos elementos que compõem esses custos. Vale dizer, porém, que de nada vale um bom controle de custos se a operação não for realizada com profissionalismo.

DEPRECIAÇÃO

Além dos custos operacionais, alimentação e compra do bovino, deve-se considerar a depreciação, que, entre tantas definições, pode ser encarada como o provisionamento de capital para repor maquinários e benfeitorias após sua vida útil, por exemplo. Resultado calculado através de receitas menos despesas e que não considera a depreciação, faz com que atividade não se sustente ao longo do tempo.

LUCRO

Com um valor médio de dietas de R$ 5,38/cabeça/dia, com frete, e ganho de peso diário de 1,65kg, temos um lucro de R$ 57,83 por bovino (tabela 4). A depreciação foi considerada de acordo com um confinamento de dois ciclos, com 3 mil animais em cada ciclo produtivo. O valor da depreciação pode variar de acordo com a escala de produção do confinamento - uma quantidade maior de animais diluiu o custo com depreciação, alterando o resultado final.

Neste caso, a compra do boi magro representa 67,86% e a alimentação, 27,38% dos gastos totais para execução da atividade. Devido a essa grande representatividade, uma boa negociação nas compras da reposição e de insumos é o diferencial para o sucesso. O lucro operacional no primeiro ciclo, neste caso, foi de R$ 173.490,39. Ao anualizarmos a rentabilidade de 2,8% obtida nos 90 dias, a tendência é que este resultado seja melhor do que o verificado para atividades de longo prazo, como a pecuária extensiva, por exemplo.

Por fim, vale ressaltar que essa rentabilidade pode variar de acordo com as negociações e o modo como o confinador vai usar seu capital de giro no confinamento. Com margens tão estreitas, o manejo e a gestão são importantes para rentabilidade esperada. Ficar exposto às variações do mercado representa um grande risco, por isso, a importância de se trabalhar com ferramentas de gestão de risco e de se proteger de uma alta de insumos e/ou queda no preço da arroba. Estas práticas tendem a garantir a rentabilidade e permitir a continuidade na atividade.

* Antônio, Gustavo e Rafael são consultores – www.scotconsultoria.com.br