Feno & Silagem

 

EXCELÊNCIA na silagem de milho

Luis Eduardo Zampar*

A silagem de milho de alta qualidade tem sido muito utilizada por produtores de gado de corte e leite, pois tem proporcionado aumento da rentabilidade. Gastos com a nutrição do rebanho podem representar de 50% a 70% dos custos totais de produção, portanto, nada mais coerente que investir em alimentos produzidos na terra do produtor, onde quanto melhor a qualidade da silagem de milho, menor será a quantidade de rações que habitualmente ele utiliza no sistema de produção. Produtores de gado de corte têm trabalhado com dietas de alto volumoso, utilizando silagem de milho de alta qualidade, na proporção de 80% a 90% de silagem e 10% a 20% de concentrado, com ganhos de peso acima de 1,3 kg Peso Vivo/dia e, dependendo da qualidade genética dos animais, que podem ultrapassar ganhos de 1,5 kg/dia.

O QUE O PECUARISTA GANHA COM ISSO?

Principalmente, dietas mais baratas e um custo menor da arroba produzida, na qual o valor de venda do boi gordo pode ser melhor gerenciado, dando consistência e saúde a toda cadeia dos produtores de gado de corte.

No leite, tem-se conseguido reduzir de 30% a 40% no uso de concentrados, com a manutenção da produção, em que a economia é enorme, levando em consideração que uma vaca que deveria receber 10 kg de ração/dia, a um custo de R$ 1.000,00/tonelada, passasse a ingerir 7 kg/dia. Uma economia de R$ 3,00/vaca/dia em uma lactação que dura ao redor de 300 dias.

Portanto, buscar silagens de milho de alta qualidade (FDA > 25%; FDN > 45%; PB < 7,0% e NDT < 72% ) é uma questão de sobrevivência na atividade, sendo sim a silagem de milho de alta qualidade responsável pelo maior lucro nas fazendas.

Para que a produção de silagem de alta qualidade impacte em melhores resultados para produtores de carne e leite, é necessário seguir algumas recomendações. Para a confecção de uma silagem de milho de alta qualidade, é necessário destacar 7 pontos essenciais:

1) Genética Vegetal ou escolha do híbrido: o produtor deve dar muita importância na escolha do híbrido de milho a ser plantado, pois a escolha correta proporciona uma silagem com valores bromatológicos superiores, principalmente, devido ao aumento do NDT (nutrientes digestíveis totais) e à diminuição do FDN e FDA (fibra detergente neutra e fibra detergente ácida). A produção por área também é determinante para redução dos custos. Quanto mais produtiva em massa verde/ha, melhor. O tipo de grão deve ser dentado, de preferência, ou pelo menos semidentado ou semiduro, evitando plantar híbridos de genética de grão duro, pois quanto mais duro for a genética do grão presente na silagem, menor será sua digestibilidade, verificado na prática pela grande quantidade de grãos nas fezes dos ruminantes.

2) Ponto de Colheita : o produtor tem errado muito o ponto de colheita . É ele que define a participação de grão na silagem, sendo responsável pela diminuição do uso de concentrado nas dietas e, consequentemente, por reduzir os custos de produção. O ponto correto é chamado tecnicamente de farináceo duro, quando o grão se apresenta 50% farináceo e 50% leitoso, olhando para a planta de milho, o colmo e as folhas estão verdes e a palha da espiga está seca.

3) Tamanho de Partícula: o ideal é entre 5 a 10 mm ou 0,5 a 1,0 cm. Isto facilita ingestão, compactação, reduz perdas e economiza alimento. Aqui o capricho ou a atenção deve ser redobrada com a regulagem da ensiladeira, na afiação das facas, na escolha das engrenagens corretas e da distância das facas com a contra-faca.

4) Compactação do Silo: o ideal é a utilização de silos tipo trincheira, enchendo no sistema de rampa, pois as paredes auxiliam muito na compactação, o que proporciona até 750 kg/m³. Os silos tipo superfície podem proporcionar perdas, principalmente, pela dificuldade na compactação. O principal objetivo da compactação é a retirada completa do oxigênio, que é o grande inimigo das silagens, pois predispõe ao desenvolvimento de bactérias e fungos indesejáveis. A compactação deve ser realizada com trator traçado e pesado passando muitas vezes sobre o material picado.

5) Fechamento do Silo: aqui o mais importante é a retirada do oxigênio remanescente, pois, quando cobrimos o silo com a primeira lona, nós colocamos oxigênio dentro do silo, que deve ser retirado. Lacramos o fundo e as laterais do silo, deixando a boca aberta. Sobre esta 1ª lona, colocamos uma camada fina de terra e areia, cobrindo toda a lona e, com isso, vamos empurrando todos os gases indesejáveis para fora do silo. Após, lacra-se a boca do silo e colocamos a segunda lona. Sobre a segunda lona colocamos uma proteção, que pode ser cordinhas fixadas sobre a 2ª lona, que cruzam no sentido da largura do silo, com uma distância de 60 cm entre elas.

6) Altura de Corte: o ideal é colher a silagem ao redor de 30 a 40 cm de altura, com o objetivo de deixar uma parte da matéria orgânica para o solo, melhorar a digestibilidade, pois com esta prática conseguimos reduzir a concentração de lignina no material ensilado.

7) Aplicação de Inoculante: o inoculante é um produto à base de bactérias saudáveis e enzimas que aceleram o processo de fermentação, podendo abrir o silo 7 dias após ser lacrado. Quando não aplicamos o inoculante, devermos aguardar 30 dias.

O custo de uma silagem de alta qualidade, com produção ao redor de 45 toneladas/ha , é de R$ 60,00/tonelada (considerando todos os custos).

*Zampar é médico-veterinário e consultor de silagem da Sementes Biomatrix