Escolha do Leitor

REPOSIÇÃO de novilhas

Com cautela, a fase de cria pode se tornar mais rentável

Augusto Ferraz

A reposição de fêmeas em um plantel de matrizes de gado de corte deve obedecer alguns critérios, como a eleição das matrizes que serão descartadas do plantel, a escolha das fêmeas que vão ingressar no plantel e como escolher esses animais.

O descarte de matrizes é feito quando estas não emprenham dentro do período em uma estação de monta ou são consideradas fêmeas-problema, aquelas que produzem pouco leite, rejeitam o bezerro, apresentam problemas de parto, entre outros. A partir desse descarte é feita a reposição das fêmeas.

O segundo critério a ser seguido seria quais as fêmeas que entrarão no plantel. Essa escolha pode ser feita de acordo com idade ou peso dos animais. A recomendação é que se coloquem as fêmeas destinadas para reposição o mais rápido possível em monta, ou seja, reduzir o tempo de recria dessas fêmeas.

Essa ideia está baseada na produtividade da matriz, na qual quanto mais tempo uma fêmea demora a entrar no plantel, menos bezerros ela irá produzir ao longo da vida e, consequentemente, passará mais tempo dando custos à propriedade, sem que haja produção.

O maior risco dessa recomendação é a entrada de animais muito jovens ou pouco desenvolvidos para reprodução. Em um sistema de produção no qual as necessidades nutricionais não são atendidas de forma satisfatória para o crescimento ideal desta categoria (nesse caso, o desenvolvimento da matriz em crescimento mais o seu bezerro em gestação) ocorre uma redução do tamanho final da matriz, que acarretará em uma produção de bezerros inferiores na fase adulta e que pode levar também a uma redução do índice de prenhez desses animais na segunda estação de monta, quando são classificadas como primíparas.

Para evitar essa situação, o que pode ser feito é respeitar a fase de crescimento da matriz, com entrada à reprodução apenas após atingir a maturidade fisiológica, em torno de 2,5 a 3 anos, com um peso de aproximadamente 300 kg, índices que podem variar de acordo com a raça, ou planejar o manejo da propriedade para receber essas fêmeas com necessidades específicas, por meio de fornecimento de pastagens manejadas exclusivamente para tal categoria animal e até mesmo com utilização de suplementação a pasto.

A redução da taxa de prenhez das primíparas, matrizes paridas e em estação de monta pode acarretar em uma drástica redução da taxa final de prenhez na propriedade.

Esse cenário é ainda pior em propriedades com histórico de baixa taxa de prenhez, onde a rotatividade de matrizes é muito alta, tendo como consequência a entrada de muitos animais jovens anualmente em reprodução, devido à elevada taxa de descarte de matrizes vazias após a estação de monta, fazendo com que a parcela de primíparas no plantel aumente. Esse cenário gera um grande risco de que ocorra uma redução ainda maior da taxa de prenhez da propriedade, caso não se tenha cuidado com as questões nutricionais dessa categoria animal.

LOTE DE NOVILHAS PRENHES EM PASTAGEM DE QUALIDADE

A escolha das novilhas que entrarão como reposição no plantel deve ser feita de acordo com as características de cada sistema de produção, buscando alinhar a quantidade de fêmeas com a demanda das características genotípicas do plantel. Dessa forma, o produtor deve escolher a reposição conforme a necessidade do melhoramento genético desenvolvido na propriedade, podendo ter essas fêmeas inúmeras características morfológicas.

Essa escolha das fêmeas ideais diante do lote disponível para seleção está diretamente ligada à taxa de natalidade praticada pela propriedade, uma vez que quanto mais animais nascidos, maior a disponibilidade de fêmeas para serem selecionadas e destinadas para reposição. Na tabela acima segue um comparativo entre diferentes taxas de natalidade e os respectivos animais para reposição.

Na situação ilustrada no quadro, foi comparado um plantel de 1.000 matrizes, com as mesmas perdas do nascimento ao desmame (3%), índice que pode variar muito entre propriedades. A variação estudada foi apenas na taxa de natalidade da propriedade e o respectivo impacto na pressão de seleção das fêmeas para reposição.

Conforme demonstrado, com a diminuição na taxa de natalidade, que reduz diretamente a quantidade de fêmeas jovens disponíveis para reposição, diminui também a pressão de seleção que poderá ser feita nessa categoria. Isso implica em uma menor capacidade de descarte de animais inferiores existentes na categoria de reposição, obrigando o produtor a inserir em seu sistema animais que potencialmente estariam fora do plantel.

Com as taxas de natalidade de 75% ou acima, a pressão de seleção segue acima de 25%. Esse valor demonstra que o produtor poderá descartar até 25% do lote de reposição, podendo chegar a um descarte de 57% das fêmeas de reposição quando a taxa de natalidade é de 85%. Com esses índices de descarte, considerados bons, os animais inferiores, não desejáveis como matrizes em reprodução poderão ser descartados, gerando, ainda, renda ao produtor.

A pressão de seleção das fêmeas de reposição feita na época de entrada dos animais em reprodução pode ser realizada no lote total de recria, no qual o produtor opta por levar todas as fêmeas nascidas na propriedade até o momento de entrada em reprodução para somente nessa hora fazer a seleção dos animais mais desejáveis para o plantel.

Outra opção é trabalhar com essa seleção desde o início da fase de recria desses animais. Nesse caso, as fêmeas são selecionadas e é feito o descarte dos piores animais do lote em diversas etapas de crescimento, sendo os descartes feitos na fase de desmama, sobreano e, a última, na época da reposição.

Essa opção seria indicada principalmente para produtores que não possuem grandes áreas para recria da reposição. Uma vez que decide fazer o descarte nas diferentes fases de crescimento, a propriedade poderá, então, destinar as áreas que estariam antes ocupadas por todos os animais dessa categoria para machos em crescimento ou outras categorias mais exigentes quanto ao seu manejo nutricional.

Em todas as alternativas acima discutidas, de como e quando selecionar as fêmeas de reposição do plantel, o principal é planejar esse processo, com base nos índices de produção da propriedade, como taxa de natalidade, ganho de peso dos animais de recria, entre outros indicadores. Dessa forma, a fase de cria, taxada como de baixa rentabilidade, poderá ser feita com maior eficiência, tornando a atividade mais rentável.

*Ferraz é engenheiro-agrônomo e consultor da Boviplan

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