Mercado

Mercado da carne bovina permanece morno

A cotação da arroba continua andando de lado, fazendo com que os negócios da carne bovina permaneçam travados, sem grandes alterações. Os frigoríficos mantêm cautela, permanecendo com escala longa devido à demanda de consumo fraca. Por outro lado, os pecuaristas seguram a boiada no pasto, à espera de melhores valores nas negociações, não se entusiasmando com o preço atual oferecido pelo mercado.

Embora o cenário esteja pouco movimentado, enfim uma notícia positiva, que pode dar uma aquecida no meio. A iniciativa do Governo Federal de desoneração da tributação da carne bovina atinge o bolso do consumidor, que terá o produto mais barato na cesta básica. Esta ação do governo, consequentemente, vai estimular a venda do produto, aumentando o consumo, o que levará ao crescimento da produção, a fim de atender a demanda da população. Embora a notícia seja animadora, ainda não sabemos qual o impacto real para o setor.

Considerando o cenário mundial, nos 21 dias úteis analisados de 19/02/2013 a 19/03/2013, houve valorização da arroba em três países: Brasil, Argentina e Estados Unidos, enquanto na Austrália houve queda de 1,26 %.

Com relação ao mercado externo, mantém-se o otimismo e a expectativa é de exploração da alta demanda internacional, como na Ásia, por exemplo, que aumentará as importações até 2020 em 53%.

De acordo com o analisa Fernando Sampaio, diretor-executivo da Associação Brasileira das Indústrias Exportadoras de Carnes (Abiec), as exportações de carne bovina brasileira devem crescer em torno de 13% durante o ano de 2013.

O Brasil permanece como o segundo maior exportador de carne do mundo e poderá conquistar novos mercados, assim como uma fatia do promissor mercado asiático.

Segundo a ABIEC, dos nossos 212 milhões de bovinos, 40 milhões são abatidos. E da produção de 9,4 milhões de toneladas, 82% é para atender a demanda de 40 quilos de consumo por habitante/ano no Brasil. Os outros 18% são exportados, principalmente, para Rússia e Hong Kong.

Quanto às restrições à exportação da carne brasileira ainda não há afirmação positiva ou negativa do Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento (MAPA). Após visitas da comissão a alguns países que impuseram a barreira, acredita-se que o Peru será o primeiro a voltar a importar carne do Brasil. Na próxima semana, a comissão se reunirá com Japão e China. Até o fechamento desta coluna, a informação é que a ABIEC, o Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento e o Ministério das Relações Exteriores estão trabalhando em conjunto para que as restrições sejam revogadas com a maior brevidade possível.

Os valores médios pagos à vista da @ do boi gordo no Brasil foram de R$ 97,67 para o estado de São Paulo, R$ 89,23 para Minas Gerais, R$ 85,65 para Goiás, 91,56 para o Mato Grosso do Sul, R$ 86,97 ao Mato Grosso, R$ 98,00 ao Paraná, R$ 100,81 para Santa Catarina e, no Rio Grande do Sul, R$ 3,21/Kg. Na maioria das praças analisadas, o preço da arroba manteve-se estável, se comparado com a análise da edição passada, pois houve leve queda nos estados de Minas Gerais, Goiás e Mato Grosso do Sul e aumento pouco significativo em São Paulo, Mato Grosso, Paraná e Santa Catarina.

A média de deságio pago aos pecuaristas, como pode ser visto no gráfico “Deságio do preço do boi Gordo”, foi de 3,12% nas oito praças analisadas, representando uma queda de 15,67% em relação ao período analisado na edição anterior, que foi de 3,70%.

O preço médio do bezerro ficou em R$ 655,44, para o intervalo analisado de 19/02 a 19/03/2013, representando alta de 7% em relação ao período da edição anterior. Os estados que apresentaram maiores valores médios foram São Paulo, com R$ 711,43; Goiás, com R$ 632,38; Mato Grosso, com R$ 753,81; e Rio Grande do Sul, com R$ 607,62.

O boi magro apresentou média de preços de R$ 1.122,85/cabeça nos estados avaliados, considerando pequena alta de 0,26% em relação ao período anterior, tendo valorização nos estados do Paraná, com R$ 1.184,76/Cabeça; do Rio Grande do Sul, com R$ 1.171,43/cabeça; e do Mato Grosso do Sul, com R$ 1.119,52/cabeça. No geral, o mercado de reposição ainda está com a demanda menor que a oferta na maioria das praças, mantendo a lentidão das negociações.

Os índices médios de relação de troca entre as categorias de reposição e o boi gordo ficaram em 2,32 para desmama/boi gordo e 1,32 para boi magro, sendo que ambos não sofreram alterações significativas em relação ao período anterior analisado.

O abate maior de matrizes permanece, devido às necessidades do pecuarista de retorno financeiro imediato para custear suas atividades. Esse número tende a aumentar, uma vez que a estação de monta está chegando ao fim e as fêmeas que não emprenharam, em sua maioria, serão descartadas. Com isso, a oferta tende a crescer e, com o consumo frio, o preço da arroba fica achatado. Esse processo de descarte deve seguir até a entrada da seca, no mês de maio. O quadro tende a mudar quando machos confinados começarem a ser abatidos.

Rita Marquette
Boviplan Consultoria