O Confinador

 

GESTÃO DE CUSTOS NO CONFINAMENTO

Marcos Sampaio Baruselli*

Produtores que almejam conhecer com mais precisão as margens de lucro e, assim, tomar decisões mais assertivas, invariavelmente, precisam aplicar com mais critério as ferramentas de gestão relacionadas com o controle de custos da atividade.

Fatores de gestão financeira, como planejamento e acompanhamento do manejo, da alimentação, da formulação da ração, das instalações e da mão de obra são fundamentais para o conhecimento dos custos operacionais, dos gastos com a dieta, das despesas totais e também da receita e da margem de lucro do sistema de confinamento de bovinos de corte.

Segundo dados do CEPEA/USP, em 2008, os custos de um confinamento no Brasil constituíam-se da seguinte forma: reposição do animal (54%); alimentação (35%); custos com administração (8%); assistência técnica e medicamentos veterinários (3%). Ao que tudo indica, em 2013, os custos mantiveram esta mesma proporcionalidade.

Contudo, é importante enfatizar que os custos de um confinamento possuem dinâmica própria e que cabe ao confinador atualizá-los periodicamente, levando em conta as particularidades da propriedade rural e os efeitos sazonais de cada ano.

A métrica, isto é, a coleta de dados relativos aos custos operacionais e aos custos da dieta, é quem determinará com precisão a despesa total efetiva de produção da arroba do boi confinado e, consequentemente, do lucro.

Os maiores custos dentro de um confinamento são os próprios animais, seguidos pela alimentação, normalmente, por um período de cerca de 90 dias. Recomenda-se ao confinador uma atenção especial, tanto na compra do animal como na dos ingredientes da ração, atentando para o período ideal e para as oportunidades de mercado.

Os itens relativos ao custo do confinamento, assim como o percentual de cada um sobre o custo total, encontram-se divididos da seguinte forma: 60% concentrado, 24% operações, 15% volumosos e 1% sanidade. Estes números foram apresentados pela Bigma Consultoria no 8º Encontro de Confinamento, realizado pela COAN Consultoria no mês passado.

Os alimentos classificados como concentrados, recentemente, passaram a ser utilizados em maiores proporções nas dietas de bovinos confinados, em detrimento dos alimentos volumosos. Tal prática de manejo nutricional vem sendo implantada em um número cada vez maior nos confinamentos brasileiros, visando, basicamente, maiores taxas de ganho de peso, redução do número de diárias e dos custos operacionais.

A redução dos custos operacionais dos confinamentos que adotam elevadas quantidades de concentrado na ração ocorre, essencialmente, em função dos menores volumes de alimentos armazenados e transportados até os cochos e também em função dos maiores ganhos de peso diário, com redução do número de diárias e do tempo necessário para a terminação dos bovinos de corte.

Analisando os custos globais, fica evidente que, depois do próprio animal, o valor mais importante na diária de um confinamento é a dieta. Já nos custos das operações diárias observa-se que os itens mais impactantes são salários e encargos (32%), seguidos de energia (30%), maquinários (21%), imobilizados (15%), serviços e outros (2%).

Nogueira (2013) analisou os custos de um confinamento convencional e demonstrou que o custo diário da dieta de um animal confinado em janeiro de 2013 foi da ordem de R$ 4,00 a R$ 4,20/cabeça/dia.

O custo da dieta somado ao custo da diária operacional, calculados como sendo de R$ 0,85 a R$ 1,50, implica num gasto total diário na ordem de R$ 4,85 a R$ 5,70/cabeça/dia.

Novamente, ressalta-se que os custos variam para mais ou para menos em função não somente da capacidade de gestão financeira do produtor rural, mas também de uma série de fatores intrínsecos a cada planta de confinamento.

Os custos das diárias em confinamentos estratégicos são menores quando comparados com instalações de grande porte. Confinamentos estratégicos, em geral, possuem custos menores por razões que consistem na capacidade de ratear despesas e custos fixos com outras atividades da fazenda.

Segundo Rosa & Torres (2009), citados por Barbosa (2013), o custo de implantação de um bovino no confinamento gira em torno de R$ 600,00, sendo que o uso de mais de um ciclo produtivo dilui os custos fixos, no qual o valor pode cair pela metade em um confinamento de dois ciclos e reduzir até 67% em um sistema de três ciclos anuais.

Salienta-se também que, apesar da maior necessidade de desembolso para custeios da engorda, a intensificação da pecuária de corte é capaz de aumentar a escala de produção da propriedade (arrobas/ ha/ano), o giro de capital e as margens de lucro da atividade pecuária, tornando-a competitiva frente a outras atividades agropecuárias, como cana-de açúcar, eucalipto, milho e soja.

Para estabelecer o custo da arroba produzida num confinamento de bovinos de corte, assim como a receita e o lucro, o produtor, no mínimo, precisa conhecer o ganho de peso do animal, a conversão alimentar, o preço dos insumos e os custos operacionais.

É importante citar que a maior quantidade de arrobas produzidas nas propriedades rurais que adotam como estratégia o sistema de confinamento é um dos principais fatores que viabilizam o sistema, uma vez que, com maior escala de produção, os custos totais unitários diminuem.

Também é importante ressaltar outros benefícios do sistema de confinamento, tais como antecipação das receitas em função da redução da idade de abate e da eliminação dos custos de permanências destes animais por mais tempo na fazenda.

A nova ordem econômica brasileira vem exigindo cada vez mais do produtor rural uma visão mais profissional da administração de seus negócios e o gerenciamento financeiro é essencial para o controle dos custos totais. No confinamento não é diferente.

Em se tratando de controle de custos, tema debatido com propriedade no INTERCONF 2010, está evidente que as atuais circunstâncias do setor agropecuário brasileiro exigirão cada vez mais do confinador uma visão mais profissional da administração financeira dos custos de produção.

Para finalizar, ressalta-se mais uma vez que é imprescindível ao produtor rural conhecer os seus custos de produção, sendo esta a única forma para se estabelecer um correto planejamento financeiro da atividade e estabelecer com mais precisão as margens de lucro dos sistemas de confinamento de bovinos de corte.

*Baruselli é zootecnista e coordenador Nacional de Bovinos de Corte e Confinamento da Tortuga