Genética

 

Inseminação DESACELERA

Fatores econômicos e ambientais foram determinantes e setor cresceu apenas 3,64%

Bruno Santos
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Os resultados apresentados pela Associação Brasileira de Inseminação Artificial (ASBIA), durante coletiva de imprensa, no dia 1º de março, na capital paulista, podem ser interpretados de duas maneiras. Os pessimistas vão dizer que o crescimento de 3,64% foi pouco, perante o salto de quase 24% de 2011 sobre 2010. Já os otimistas, vão defender que o crescimento de 2012 foi muito bom, já que, apesar das dificuldades econômicas e ambientais, o setor apresentou evolução mesmo sobre o crescimento espetacular do ano anterior.

Fato é que, segundo o Index Asbia, em 2012 foram comercializadas 12.340.321 de doses de sêmen nacionais e importadas, aumento modesto diante das 11.906.763 vendidas em 2011. “Com base no indexador, ultrapassaremos tranquilamente a marca de 13 milhões de doses comercializadas. Esse número supera a previsão da Asbia em 2008, quando a entidade previa que a casa de 13 milhões seria ultrapassada apenas em 2013”, ressalta Lino Rodrigues, presidente da Asbia.

O volume comercializado de sêmen nacional foi de 6.575.601 doses de sêmen, o que representou uma queda de 2,82%. Já o sêmen importado teve um bom crescimento de 12,15%, totalizando 5.764.720 de doses. Mesmo sendo abaixo dos 21,8% de 2011, comparando com o sêmen nacional, o crescimento importado foi significativo.

O Centro-Oeste continuou soberano nas vendas, Mato Grosso do Sul e Mato Grosso lideram com 14,49% e 14,42%, respectivamente. Em seguida vem São Paulo, que assumiu a terceira posição com 10,57%. O Pará, que saltou para a quarta posição, com 8,80%, é seguido por Goiás, que caiu da terceira para a quinta colocação neste ano, com 8,62%.

Já na pecuária leiteira, o estado de Minas Gerais reina absoluto com 26,51% do mercado, seguido por Rio Grande do Sul, com 16,41%, Paraná, com 13,66%, Santa Catarina, com 10,16%, e Goiás, com 6,70%.

Outro ponto destacado por Lino é em relação ao crescimento dos últimos anos do mercado de IATF (Inseminação Artificial em tempo Fixo). Segundo ele, esse segmento desenvolveu-se 80 vezes, comparando 2002 a 2012. “Essa expansão é tão representativa que isso só foi visto no mercado de alta tecnologia. É um crescimento que só foi visto pelos brasileiros nas vendas de smartphones. É fantástico ter um incremento desses num mercado tão conservador”, completa o presidente da Asbia.

CORTE E LEITE

A pecuária de corte brasileira teve um aumento de 6,15% com relação ao ano passado, com total de 7.442.587 de doses de sêmen (nacional e importado). Já o mercado leiteiro apresentou crescimento modesto de 0,05%, com a venda de 4.897.734 doses, explicável por fatores econômicos e ambientais.

Em 2012, a alta no preço dos grãos foi o grande vilão da produção de proteína animal. A suinocultura, por exemplo, amargou queda de 18%. “Os grãos impactaram negativamente em todo o processo de criação, e isso, na bovinocultura, deixou resquícios no confinamento e no gado de leite”, esclarece Lino.

Ainda segundo o presidente da Asbia, o gado de leite teve outro problema: o ano foi de eleições municipais, com os gestores “proibidos” de exercer qualquer ação nas prefeituras, prejudicando, assim, a concessão de crédito rural às propriedades leiteiras.

E, se não bastasse, ainda houve um atraso na estação de monta, devido às questões climáticas. “Tivemos o pior dezembro e, em contrapartida, o melhor janeiro. Com certeza, neste ano, teremos a influência desse atraso”, lembra Lino.

RAÇAS

Como não é surpresa para ninguém, o Nelore (padrão + mocho) continua andando a passos largos e fechou o ano com 3.320.598 doses em 2012. Em segundo lugar, destaca-se a raça Angus (Abeerden + Red), com 2.879.188 de doses de sêmen comercializadas. O grande destaque foi o Abeerden Angus, que teve um salto espetacular de 29,43%, em comparação a 2011, sendo a raça com maior crescimento. Já o Red amargou queda de 6,31%.

Brahman e Guzerá, apesar da queda de mais de 19% em ambas as raças, seguem na terceira e na quarta posições, respectivamente, com negociação de 177.773 e 136.915 doses de sêmen negociadas. O Braford fechou o ano com mais de 132.128 doses - uma alta de 9,91%. O Hereford Mocho evoluiu 32,91%, com 122.104 de doses de sêmen em 2012.

Já nas raças leiteiras, os pecuaristas investiram em genética com vistas à produtividade. As raças com maior representatividade no segmento foram: o Holandês, que segue absoluto em primeiro lugar, com 2.876.117 doses, e o Jersey, em segundo, com 733.995 doses. O Gir Leiteiro teve decréscimo de 11,81% e fechou com 676.196 doses. Já o Girolando apresentou a maior taxa de crescimento, com o incremento expressivo de 22,38% em relação a 2011, comercializando 501.199 doses.


Os balanços fornecidos pela Asbia foram obtidos com base no indicador da entidade. Esse levantamento, lançado ano passado, representa cerca 93,5% do mercado. O Index ASBIA é uma ferramenta que ajuda a superar a demora na divulgação dos resultados das empresas não associadas à entidade. “Até 2011 a entrevista coletiva para apresentação dos resultados era realizada somente em abril, pois tentávamos coletar 100% das informações e, mesmo assim, não atingíamos os objetivos”, explica o presidente da Asbia.

NOVIDADE EM JUNHO

O presidente da Asbia, Lino Rodrigues, dá pistas de uma grande novidade que a entidade está preparando. Segundo ele, será apresentado durante a 19ª edição Feicorte (Feira Internacional da Cadeia Produtiva da Carne), que acontecerá de 17 a 21 de junho, em São Paulo/SP, o resultado de um estudo que pode ser considerado uma radiografia da inseminação artificial no Brasil. O estudo feito em parceria com algumas entidades traz um balanço de como a tecnologia está sendo usada atualmente pelo produtor brasileiro. O estudo é realizado em parceria com a Universidade de São Paulo.