Caprinovinocultura

 

Trabalho da produção ao consumo

Marfrig comemora bons resultados do Programa Fomento Ovinos e mantém plano de investimentos no setor

O esforço para qualificar e padronizar a carne que será ofertada ao consumidor inicia no campo, com incentivo à produção e ao melhoramento dos rebanhos. As premissas direcionam o trabalho da Marfrig desde 2005, quando a empresa deu início ao Programa Fomento Ovinos, que atua em todas as etapas da cadeia produtiva.

O projeto tem a finalidade de indicar desde a seleção genética utilizada nos cruzamentos até a terminação dos cordeiros em instalações de confinamento. “Esse processo inclui a indicação dos melhores acasalamentos, planejamento e orientação na produção, manejo racional e avaliação do rebanho. Todo esse trabalho já resulta em carcaças e cortes de melhor qualidade e padronização”, explica o zootecnista Gustavo Martini, coordenador de Ovinos do Grupo Marfrig e membro do Conselho Assessor Externo da Embrapa Caprinos e Ovinos.

A empresa trabalha em parceria com 30 ovinocultores das regiões Sudeste e Centro-Oeste. Para alcançar o padrão e a qualidade desejados, a Marfrig estimula a produção a partir de reprodutores melhoradores, com animais Primera e Highlander. O Primera é um composto terminal, formado pelas raças Suffolk, White Suffolk e Pool Dorset. As principais características desses ovinos estão voltadas ao ganho de peso, ao alto rendimento frigorífico e à qualidade de carcaça. “O Highlander é um composto materno, formado pelas raças Texel, Finn e Romney. As características principais são a precocidade reprodutiva, a alta prolificidade, a excelente habilidade materna e a produção de lã de boa qualidade”, detalha Martini.

Os produtores que trabalham com a Marfrig recebem orientação técnica e um bônus de 17% sobre os preços pagos pelo cordeiro. Além de trabalharem com ovinos provenientes de cruzamentos com Primera e Highlander, os parceiros devem seguir um padrão na oferta dos cordeiros. O ideal é que os animais tenham menos de um ano de idade, boa conformação, bom acabamento de gordura e peso de carcaça entre 18kg e 20kg.

Como a empresa adquire animais produzidos em diferentes estados, consegue uma oferta constante e não sente de maneira significativa os efeitos da sazonalidade muitas vezes percebida na oferta de cordeiros no Brasil. “Uma das nossas preocupações é que o ovinocultor tenha sucesso em sua atividade. Por isso, toda a orientação passada leva em consideração a melhor relação custo-benefício. Muitas vezes é mais viável o produtor realizar apenas uma estação de monta no ano, porém, com custo baixo e alta eficiência, ou seja, alto índice de prenhez, alta prolificidade, baixa mortalidade e alto peso de desmama”, enumera Martini.

INCENTIVO À OVINOCULTURA

Embora não divulgue números, a Marfrig informa que o projeto de ovinos posicionou a empresa como a maior fornecedora de carne de cordeiro do país. São nove cortes disponíveis em supermercados e restaurantes: Frenched Rack, Short Rack, Pernil inteiro, Pernil bola, Pernil fatiado, Paleta, T-Bone, Costela e Pescoço fatiado.

Zootecnista Gustavo Martini: toda a orientação passada ao ovinocultor leva em consideração a melhor relação custo/benefício para a atividade

No estado de São Paulo a empresa mantém uma estrutura de confinamento em Coroados, com capacidade estática de 4 mil ovinos, e uma unidade de abate em Promissão, onde a capacidade é de 1 mil ovinos/dia. Em Alegrete, no Rio Grande do Sul, além da estrutura de semiconfinamento, também existe uma unidade de abates, com capacidade de 3 mil animais/dia. “Consideramos que o importante é cada vez mais levar ao consumidor final uma carne com a mesma qualidade da importada e, claro, desenvolver produtos de cordeiros industrializados e com tecnologia para exportação. Infelizmente, hoje o brasileiro consome menos de 1 kg desta proteína por ano, o que é considerado pouco se comparado à média mundial. Isso acontece, em grande parte, por falta de conhecimento e difícil acesso à compra de cordeiro”, salienta Martini.

Para os próximos anos, a empresa estabelece como um dos seus objetivos principais o trabalho pela profissionalização da ovinocultura no país. “Além dos investimentos em alta qualidade, genética, parcerias e padronização dos cordeiros, a Marfrig vai continuar investindo e atuando fortemente no setor, aumentado a produção e a tecnologia Caprinovinocultura em produtos especiais, principalmente industrializados. Acreditamos que o Brasil tem um grande potencial para se tornar o maior exportador de carne ovina do mundo”, observa o zootecnista.

O rebanho brasileiro de ovinos é calculado em 17,3 milhões de cabeças, o que representa 1,61% do rebanho mundial. O crescimento do plantel nacional é pouco acelerado, porém constante desde o ano de 2002. Nos últimos anos, um dos principais desafios do setor é conseguir ampliar a produção para atender à demanda crescente pela carne de cordeiro.

Um dos grandes entraves ainda é o alto índice de informalidade que envolve o abate, o processamento e a distribuição. No entanto, a procura crescente por parte dos consumidores fez aumentar o número de empresas e produtores comprometidos com esse mercado.

O movimento mais significativo fica por conta de grandes centros urbanos, como São Paulo. No estado, a demanda em alta naturalmente tornou atrativos os preços pagos pelo cordeiro. Na segunda quinzena de fevereiro, o quilo vivo variava entre R$ 4,75 e R$ 5,60, segundo Indicador de Preço do Cordeiro Paulista, levantamento realizado pela Faculdade de Zootecnia e Engenharia de Alimentos da Universidade de São Paulo (FZEA/USP).