Sobrevoando

 

Gardiner

Estive, agora no final de 2012, no Congresso Brasileiro de Angus. Reunião muito interessante de cabeças pensantes de nossa pecuária, com palestrantes de vários locais do mundo, em especial dos Estados Unidos, da Argentina (nem tão especial), do Uruguai e, obviamente, vários brasileiros. Muitos temas tratados, uns mais específicos da raça Angus e outros mais abrangentes, que apesar de se utilizarem de exemplos na raça, serviam como modelo de uma pecuária moderna, independente de raça. Realmente, muito bom. Estão de parabéns os organizadores deste evento.

Mas uma palestra me chamou mais a atenção que as outras. Foi a de Mark Gardiner, criador de Angus no Kansas, Estados Unidos, proprietário do Gardiner Angus Ranch, famosa fazenda do afixo GAR. Este senhor, com certeza o mais mal vestido de todo o Congresso, deu realmente uma aula. Com simplicidade e muita emoção, ele transmitiu um pouco da história e dos conceitos de sua fazenda, da família e seus negócios. Iniciou mostrando um slide (acho que não é mais slide que se diz, mas vocês estão entendendo) em que mostrava o tamanho da fazenda: 48.000 acres, sendo 42 mil de campo nativo, 5.000 de trigo e mil de alfafa. Tem 1.200 vacas comerciais e 400 vacas Angus registradas. Dizia também que contava com quatro fazendas parceiras para a produção de receptoras, onde produz 1.500 bezerros por ano, e também + 12 fazendas parceiras de bezerros com a marca GAR, produzindo mil bezerros por ano.

No total, eles vendem 2.100 touros por ano e pouco mais de mil fêmeas, entre comerciais e registradas. Pareceu-me um empreendimento de bom tamanho e muita qualidade.

Gardiner diz que a filosofia do seu negócio é produzir o produto certo para os seus consumidores atingirem seus objetivos. E destacou bem esta palavra. Disse que não adianta fazer e vender o touro que ele acha melhor e sim o que os clientes precisam. Legal. Outro assunto que achei bem interessante foi que o Gardiner Ranch faz inseminação artificial (IA) desde 1964 e nunca mais usou um único touro sequer para repasse. De lá para cá, somente IA. E o mais interessante ainda, disse que de 1964 a 1980 eles não tiveram incremento genético fazendo IA. Os bezerros não mostraram diferença alguma em relação aos bezerros filhos de touros “normais”. Mas que a partir de 1980, com o lançamento do primeiro sumário de touros Angus, indicando quais seriam os melhores pais, por meio das DEPs (diferença esperada da progênie), aí sim o seu rebanho começou a realmente evoluir. Hoje, todos os clientes querem números e mais números. Não compram mais touros simplesmente pelo visual. O mundo mudou.

Disse também, entre várias outras coisas, que toda a seleção do gado é somente metade do negócio. Não basta ter bom gado, se não der assistência ao cliente....

Gardiner tem um programa de serviço ao consumidor que abrange vários itens como: frete grátis, descontos para compradores assíduos, garantia de cobertura, troca de touros, etc. Ele repõe nestas condições de garantia, aproximadamente, 7,5% dos touros por ano! E comenta que este é o seu dinheiro mais bem aplicado. Fica o exemplo.