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Tecnologia
a serviço da pecuária

Luciano Borges, titular do Rancho da Matinha, fala sobre o sistema de alta eficiência reprodutiva e alimentar do rebanho Matinha

“A característica de maior importância econômica é a reprodução”

Revista AG – Como o Rancho da Matinha conseguiu chegar à alta eficiência reprodutiva?

Luciano Borges – No início da década de 90, sentimos a necessidade de aumentar o bem econômico do rebanho e assim começamos a focar na reprodução. Passamos a desenvolver um programa priorizando a característica, buscando a menor idade ao primeiro parto e uma frequência anual de partos. Além disso, focamos muito na stayability (longevidade), que é a capacidade da vaca produzir um bezerro por ano, permanecendo no rebanho por um longo tempo. Também priorizamos a habilidade materna, fundamental ao peso à desmama, que é muito importante para o restante da vida do animal.

Revista AG – Qual a taxa de prenhez na propriedade?

Luciano Borges – A taxa de prenhez das novilhas até 16 meses de idade, em 2012, foi de 78%. É bom dizer que quando iniciamos o programa era 6%. É uma característica que está muito ligada ao manejo da propriedade.

Revista AG – Como foi a venda de sêmen em 2012?

Luciano Borges – Em 2012 o mercado de sêmen de Nelore andou meio de lado. Eu ainda não vi os números finais do Nelore, mas acredito que tenham decrescido. A gente vinha crescendo a uma taxa de 25% a 30% ao ano e em 2012 caiu para 7%. Acredito que seja em função do crescimento do cruzamento industrial.

Revista AG – Quais os touros em destaque da Matinha?

Luciano Borges – Temos Fagu, Jayamu, Laredo, Maia e Mandarin, Nur Sarai e Nehru. Todos esses são touros já com progênie. Em 2012, lançamos a primeira bateria de touros jovens selecionados para a eficiência alimentar. Desses, posso citar Playboy, Peron e Poker, todos com sêmen disponível na ABS Pecplan.

Revista AG – Como é essa parceria com a ABS Pecplan?

Luciano Borges – Há 10 anos a ABS nos procurou para ver se permitiríamos a eles escolher um determinado número de touros para coletarem, e, em troca disso, eles treinariam uma equipe para vender nossos produtos. E deu muito certo.

Revista AG – O Sistema GrowSafe é resultado de uma segunda parceria?

Luciano Borges – Sim. Levando em conta que a alimentação dos animais representa hoje 70% do custo de produção, decidimos apostar nessa característica. Em função disso, e com interesse em iniciar a seleção para a eficiência alimentar, fizemos uma segunda parceria com a ABS e importamos do Canadá o sistema de cocho GrowSafe.

Revista AG – E o que esse sistema tem agregado à produção?

Luciano Borges – Eu vou te dar um exemplo da diversidade genética para essa característica. Em um grupo de 140 animais, se você pegar os cinco economicamente mais eficientes e comparar com os cinco menos eficientes, você vai observar que, para produzir o mesmo peso, os menos eficientes consomem mais que o dobro de alimento que os mais eficientes. Estamos avaliando os animais seguidamente e muito satisfeitos com o resultado.

Revista AG – Qual a expectativa para o mercado esse ano?

Luciano Borges – Não esperamos muitas coisas, pois a pecuária no Brasil está numa rota muito difícil. O monopólio dos frigoríficos, o BNDES financiando um “grupo pequeno” que está estabelecendo os preços no mercado e exerce uma influência direta para quem produz genética, como é o nosso caso. A impressão que eu tenho é que o Governo quer acabar com a pecuária.

Revista AG – E quais eventos a Matinha está preparando para 2013?

Luciano Borges – Neste ano, estamos programando três grandes leilões. O primeiro deles será o Super Touros Virtual, no dia 7 de abril. Serão 160 touros de 28 a 30 meses de idade que foram produzidos no Pará por meio de FIV, totalmente a pasto. O segundo leilão virtual será dia 2 de junho, o Matrizes Matinha, com uma oferta de 200 fêmeas. E, no dia 18 de agosto, teremos a oferta de 300 touros no presencial Megatouros Matinha, em Uberaba/MG.