Sala de Ordenha

 

Volume importado em 2012 é o maior dos últimos 12 anos

Marcelo Carvalo

A balança comercial de lácteos do ano passado apresentou um déficit de 137 mil toneladas, e, considerandose os dados em valor, o déficit foi de US$ 511,8 milhões. As importações de leite em pó (tanto integral quanto desnatado) somaram 104 mil toneladas, representando 57% da quantidade total de produtos lácteos importados.

O leite em pó continuou sendo o produto lácteo mais importado pelo Brasil. De 104 mil toneladas importadas em 2012 (tanto de leite em pó integral quanto de desnatado), 56%, ou 57,9 mil de toneladas, foram provenientes do Uruguai, enquanto a Argentina foi responsável por 39% (40,1 mil toneladas) e o Chile, por 6% (6,1 mil toneladas).

Em 2012, foram internalizados 1,224 milhão de litros de leite, valor 6% maior que o total importado em 2011. Já o volume exportado foi de 114 milhões de litros, 6% a menos do que em 2011. Essa combinação de aumento das importações e diminuição das exportações causou um crescimento de 7,5% no déficit da balança comercial de lácteos, em equivalente-leite, na comparação 2012 x 2011.

Este volume importado é o maior desde o início do acompanhamento dos dados referentes à balança comercial de lácteos, em 2001. O peso do leite em pó na balança comercial de lácteos pode ser visto pela sua representatividade na quantidade importada em equivalente-leite: 77,4% do volume total importado foi de leite em pó integral ou desnatado. Outro item de relevância nas importações lácteas foram os queijos, responsáveis por 19,9% da quantidade total importada.

Já as exportações tiveram queda de 6,3% na comparação em equivalente-leite com 2011, alcançando 114 milhões de litros. Nos últimos 12 anos, a quantidade exportada foi maior apenas que a do ano de 2001.

As quantidades crescentes de produtos lácteos importados têm preocupado os produtores brasileiros, porém, não é o principal motivo de inquietude do setor. Segundo uma recente pesquisa realizada pelo MilkPoint, o item “custo de produção” foi votado como o maior desafio para o ano de 2013, e, em segundo lugar, ficou a preocupação com a “mão de obra”. Já o item “Importações de produtos lácteos” ocupou o terceiro lugar, empatado com “adequação ambiental”. Mas, se compararmos com as respostas do ano anterior, a intranquilidade quanto às entradas dos importados subiu uma posição, pois havia ficado na quarta posição. Esta aceleração no consumo de produtos importados acaba por estar ligada aos itens mais citados: custos de produção e mão de obra, uma vez que são dois aspectos do processo produtivo brasileiro que diminuem a competitividade frente aos produtos externos.

Entretanto, se considerarmos o documento gerado pela Subcomissão Permanente da Produção de Leite da Câmara dos Deputados, durante a I Conferência Nacional do Leite, que visava reunir sugestões para orientar o governo em relação às políticas públicas para leite, a defesa comercial aparece em primeiro lugar, na frente de outras 134 propostas.

E a explicação para todo esse cenário baseia-se na valorização do real nos últimos anos, com a não compensação do aumento proporcional de produtividade, e, consequentemente, baixa competitividade no mercado internacional. E fica uma reflexão para esse ano que se inicia: tirando o câmbio, o qual não podemos controlar, o que mais pode ser feito para revertermos a situação?

Marcelo Pereira de Carvalho, diretor-executivo da AgriPoint Maria Beatriz Tassinari Ortoloni, analista de mercado do Milkpoint