Sucessão

 

Nova Geração do Agro

Rural Jovem surge para renovar os quadros representativos da SRB

Bruno Santos
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Com o objetivo estimular a nova geração de produtores rurais a participar ativamente da política de classe, a Sociedade Rural Brasileira – SRB, por iniciativa do presidente em exercício, Cesário Ramalho da Silva, lançou a Rural Jovem (RJ). A meta do grupo é renovar os quadros representativos da entidade e formar novas lideranças, além de propor uma forma para reivindicar interesses sem radicalismos ideológicos, com uma construção coletiva de ideias, baseada no diálogo com os setores e as pessoas que fazem parte do processo.

Estes jovens acreditam que as principais mudanças e o melhoramento do setor estão no desenvolvimento de novas tecnologias e de novas políticas. Para tanto, é necessário levar o conhecimento sobre o agro à população urbana, principalmente nos grandes centros, pois a maioria das pessoas não se interessa pelo tema, por não ter nenhuma conexão direta ou por falta de conhecimento.

A votação do Código Florestal mostrou que o agronegócio não é totalmente exímio em comunicação. As discussões em torno das novas leis ambientais demonstraram a força que temos, porém, levamos tempo para se unir e, por mais que muitos pontos fossem conquistados, a visão que a sociedade tem não melhorou. “Este ponto evidencia que ainda temos muito que evoluir em termos de comunicação. Precisamos desenvolver uma forma de diálogo e de trocas de informações”, avalia João Francisco Adrien Fernandes, vice-diretor da Rural Jovem.

O núcleo acredita que uma das grandes transformações será o uso dos veículos midiáticos e, principalmente, da internet, criando e desenvolvendo, nas redes sociais ou em sites, uma forma de estabelecer maior conexão. Segundo Bento Mineiro, diretor da entidade jovem, para facilitar essa aproximação, eles buscam sempre encontrar uma linguagem adequada para cada ocasião e para cada público.

“Se estamos em um ambiente web, procuramos interagir e trocar conteúdo. Em outras ocasiões, podemos nos deparar com grupos mais radicais, onde existe conversa, mas os dados tornam-se os grandes protagonistas. E, não obstante, quando o público são pessoas do setor, procuramos estabelecer um tom de estímulo e convocação para representar e defender o setor”, destaca.

Outro empecilho que se nota, além do problema na comunicação, é a visão Agro deturpada que as pessoas têm do agro. No setor, já existem jovens informados e politizados, assim como nos centros urbanos. Entretanto, ainda é muito pouco para combater o marketing “antiagro”. “A grande questão é que o jovem politizado do agro não tem paciência e/ou tempo para discutir com um antiagro profissional. Evidente que radicais nunca serão convencidos, mas aqueles que foram persuadidos por um argumento simples e sem fundamento, desde que se converse com calma e bom senso poderão repensar sua posição. Portanto, acho que o maior obstáculo é convencer os jovens agropecuaristas que esse trabalho vale a pena e que as próximas gerações vão colher frutos deste esforço”, cita o diretor.

PARCERIAS

Para tentar essa aproximação campo/ cidade, a RJ, trabalha na criação de debates que despertem o interesse no púbico urbano. “Buscamos gerar conhecimento através de palestras de profissionais seguidas de debates entre os associados, como também levar esse conhecimento para fora dos muros da entidade e do mundo rural, como nas universidades. Foi o caso da Pontifícia Universidade Católica - PUC, onde discutimos as mudanças no Novo Código Florestal e da Farsul, no Rio Grande do Sul, onde já faz dois anos que vamos à Expointer encontrar os jovens”, completa João Adrien.

Recentemente, já foi feito contato com os jovens da FIESP (Federação das Indústrias do Estado de São Paulo), sob o comando de Matheus Borella. Por estar na capital paulista, a Rural Jovem está programando uma agenda de atividades conjuntas, já para 2013. “Queremos unir os diversos grupos que, independente da estrutura de representação, estejam interessados com as mesmas ideias que compartilhamos. Para nós, o que importa é criar um meio de comunicação entre estas iniciativas para fortalecer os grupos e termos poder de mobilização”, confidencia o vice-diretor.

EVENTOS

O grupo, desde a criação, em 2010, já realizou encontros e debates em Uberaba/ MG, durante a Expozebu, na sede da ABCZ (Associação Brasileira dos Criadores de Zebu); em São Paulo, durante Feicorte (Feira Internacional da Cadeia Produtiva da Carne); e em Araçatuba, durante a Expo Araçatuba. Outra ação que fizeram foi o movimento “Assina Dilma”, a favor do Novo Código Florestal. Segundo Adrien, foi uma campanha virtual com um conceito bastante informativo e um posicionamento neutro, no sentido de não ser sensacionalista, porém, chamando atenção para as consequências que a lei antiga poderia gerar ao meio ambiente e ao produtor, pois percebemos que produtor endividado não produz com sustentabilidade, tão pouco consegue preservar.

No ano passado, os jovens também estiveram presentes na feira de Palermo, em Buenos Aires, na Argentina. Na oportunidade, conheceram grupos do Mercosul, tais como Associação Rural de Jovens do Paraguai, Ateneo de Jovens da Sociedade Rural da Argentina e do Uruguai. “Conversamos bastante e estamos constantemente em contato. Nossa ideia é trazê-los para conhecer o Brasil. O grupo está cada vez com maior número de participantes e conseguimos ter sequência nos eventos e encontros. A cada um deles discutimos questões importantes da conjuntura do agro e em muitos destes encontros trazemos pessoas que entendam dos temas para darem base às discussões”, revelou o vice-diretor.

A ORGANIZAÇÃO

No fim de 2010, Cesário Ramalho convidou Bento Mineiro, filho do empresário e criador Jovelino Mineiro, conselheiro da Rural, para formar esse departamento e iniciar o grupo de jovens. Além de João Francisco Adrien Fernandes, a vice-diretoria é composta por André Freitas, Marcelo Peres Lemos e João Tinoco Cabral.

Aos poucos, o grupo foi se formando e criando diretrizes. Os sócios fundadores foram, primeiramente, convidando os conhecidos, que se identificassem com os princípios da Rural, a participarem do grupo. Em um segundo momento, após o primeiro evento, outros participantes foram conhecendo a RJ. “Além disso, as redes sociais e nossa comunicação na internet atraíram novos participantes. Junto a isso temos muito incentivo das mídias, como a Revista AG, que nos ajudam a divulgar nosso trabalho”, comenta Adrien.

Para fazer parte da Rural Jovem o participante deve ter 30 anos ou menos e se associar à entidade. Fazendo parte de RJ, poderá participar das reuniões do departamento, bem como fazer parte de outros. Poderá também estagiar dentro da entidade, ou possivelmente pelo convênio da ESALQ na área de pesquisa da universidade. Os interessados podem acessar o site da Rural, www.srb.org.br, e encontrar informações para se associar.