Sobrevoando

 

Seleção

Toninho Carancho
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Faz alguns anos estive acompanhando vários leilões de gado Braford. Raça que na época estava em plena formação e que ainda não tinha definido a pelagem dos exemplares. Já naquele tempo, uns 10 anos atrás, os criadores de Braford eram muito avançados nas DEPs e em outros controles do gado. Normalmente, os catálogos e as planilhas dos leilões eram recheados de números. Números para todos os gostos e informações gerais para auxiliar os compradores a definirem melhor as compras.

Querem um touro mais precoce? Era só olhar nas DEPs de desmama e musculatura.

Mais leite? Procura nas DEPs maternais e você vai encontrar. E assim por diante.

Mas, eu, naquela época, estava procurando duas características que não se encontravam impressas nos catálogos. Animais mochos naturais (o Braford pode ser mocho ou com chifres) e também com o padrão “camiseta”, ou seja, um animal com a pelagem padrão do Hereford, uma das raças que lhe dá origem. Não queria animais de outras pelagens, osco (com influência de preto) ou brasino/ araçá. E estas informações realmente não constavam em nenhum catálogo dos leilões que participei, que foram muitos e os principais da raça.

Pois bem, anotei então a mão as pelagens dos animais e também se eram mochos ou não (mochos e não amochados). Isto feito, fui anotando também os valores dos touros, que variavam bastante, apesar de terem todos um bom desenvolvimento e boa apresentação.

No final dos leilões, ia para o hotel e depois do banho ficava um bom tempo analisando o comportamento das vendas. Inicialmente, achei que iria encontrar alguma relação entre preços e DEPs finais. Não encontrei.

Depois achei que poderia encontrar relação de preços com as DEPs de desmama, afinal, pensei, a grande maioria dos compradores deve vender bezerros na desmama. Também não.

Enfim, procurei qualquer relação de valores pagos pelos mais diferentes dados que existiam nos catálogos. E praticamente não encontrei nada mais consistente.

Aí resolvi olhar minhas anotações feitas a mão, nas quais, além de marcar a pelagem e se era mocho ou não, escrevia de vez em quando “bonito”, “bom” ou “o melhor do remate”, baseado somente no meu gosto pessoal.

E não é que encontrei uma relação direta! Tudo começou a fazer sentido. Funcionava mais ou menos assim, em ordem dos mais valorizados aos menos:

1) Mochos e “camiseta”.
2) Mochos e brasinos/araçás
3) “Camiseta” e com chifres
4) Mochos e oscos
5) Brazinos com chifres
6) Oscos com chifres

E assim foi o que aconteceu na grande maioria dos leilões, para não dizer na totalidade.

Mas e as DEPs e outras medições? Variando dentro das categorias acima, verifiquei que os compradores davam grande importância à circunferência escrotal (CE) e também a algumas DEPs. Entretanto, observem. O animal mais caro do leilão seria aquele mocho e “camiseta” que tivesse as melhores DEPs e uma boa CE. E depois viriam os outros mochos e “camisetas” com DEPs não tão boas. Só depois viriam os da outra categoria, nesse caso os mochos e brasinos/ araçás com as melhores DEPs e CE.

Também encontrei grande relação entre as anotações de “bom”, “bonito”, etc. Pelo jeito, a maioria dos criadores pensa igual ou muito parecido. Era muito comum antes de começar o leilão mostrarmos nossos catálogos uns para os outros e identificarmos que na sua grande maioria tínhamos escolhido os mesmos touros, sem fazer sentido com as DEPs.

Observando o comportamento dos leilões nos dias de hoje, não vejo muitas alterações.

Penso que o produtor de touros, seja da raça que for, deva obrigatoriamente fazer o controle genético e de DEPs, mas sem perder a noção do tipo de touro que o mercado deseja. Vai faturar mais.