Caindo na Braquiária

 

Maciez a caminho no oeste do MT

Alexandre Zadra - Zootecnista
[email protected]

Do alto de seu 1,90 m de altura, Branco, o simpático, mas tímido garçom do Ponto Chic nos presenteava quase todas as quintas-feiras com um lanche especial feito de contrafilé ao ponto, queijo muçarela da melhor qualidade, tomate cortado bem fino num pão francês delicioso. Isso, logicamente regado a chopp na temperatura certa. Esse era o pano de fundo para iniciarmos a longa noite de bate-papo entre os alunos do curso de Zootecnia da USP em Pirassununga/SP, onde já se sabia que a principal discussão giraria em torno de gado de corte e de nosso futuro como profissionais da área.

Carregado de curiosidade e ansioso para pisar em solo pecuário, cheguei ao Oeste do Mato Grosso para visitas importantes naquela semana, onde, em companhia do Dr. Josmar Miotto, consultor em pecuária da região, visitamos o interessante projeto agrossilvipastoril muito bem administrado pelo Dr. Gilberto, onde plantam em linhas de 20m Mogno africano e Teca, fazendo concomitantemente, nessas áreas de floresta, agricultura rotacionada e feno de capim até que as árvores tenham 24 meses de idade, servindo então como área de pastagens rotacionadas para recria de machos F1 precoces. No entanto, o que mais me chamou a atenção foi o sistema de cria desenvolvido nas áreas de arrendamento, onde Gilberto direciona para esses locais novilhas virgens Nelore adquiridas a ponto de enxerto para serem inseminadas através da IATF com sêmen de Angus, sendo após 2 ressincronizações repassadas com touros Caracu. Essas novilhas prenhes permanecem no arrendamento por 12 meses, para onde são trazidas para o confinamento paridas com bezerros ao pé de aproximadamente 3 meses e colocadas no cocho com a cria, sendo então abatidas com peso médio de [email protected] Os machos F1 são recriados no sistema de rotação de pastagens (agropastoril) que recebem adubação de alto nível, sendo engordados, na média, oito

machos de 250 kg/ha durante sete meses e terminados no confinamento. As fêmeas F1 são recriadas no arrendamento até a parição. Como o próprio Gilberto diz, “com esse sistema, o ganho das novilhas paga o arrendamento e ainda me sobram os bezerros altamente produtivos que necessito na engorda”.

que necessito na engorda”. Já na fazenda gerenciada pelo Adilson, na região de Cáceres, acompanhado pelo Dr. Mario Vilella, veterinário especialista em reprodução, pudemos receber informações importantes desse projeto que, após análises econômicas de alto nível, definiu como sendo o mais lucrativo para a fazenda a venda de bezerros de 8 a 10 meses de idade, por já se praticar nessa parte do MT a venda de bezerros de corte por kg, significando às vezes um valor acima de R$ 1.000,00 por animal jovem, o que por si só representa um lucro de mais de 100% para a fazenda, que também reforça seu caixa na venda de matrizes adultas vazias. A Fazenda do Adilson está, no momento, fazendo um série de investimentos na melhora das pastagens por meio de adubação estratégica, para aumentar a lotação de matrizes.

Outro projeto visitado que não podemos deixar de citar foi aquele encabeçado pelo Marcio em Porto Esperidião, onde fazem o ciclo completo, mantendo as matrizes F1 e tricross Senepol e Braford como reprodutoras, levando os machos cruzados castrados a [email protected]

Há algum tempo que nas minhas andanças não me deparava com projetos que vêm mantendo a excepcional fêmea cruzada como matriz. Devemos aqui destacar que essa é a forma para os projetos de carne de qualidade de todo o Brasil, pois com ela poderemos utilizar uma 3ª raça taurina adaptada ou um Bimestiço para uma recria a pasto ou mesmo um europeu, quando procuramos o superprecoce, lembrando que esse último deve ser desmamado e colocado diretamente no cocho para obtermos o rendimento máximo de ganho.

Serão quase 3 milhões de doses de Angus vendidas para cruzamento industrial nessa estação, na qual teremos, em 2014, a desmama de pelo menos meio milhão dessas bezerras e com o uso de parte delas como matrizes, o oeste do Mato Grosso pode se tornar um potencial produtor de carne macia para o Brasil, pois lá se localizam plantas frigoríficas importantes, prontas para abater esse gado de qualidade, por vezes engordados por eles mesmos.

Voltei de lá lembrando daquele suculento contrafilé que fazia parte dos famosos lanches do Ponto Chic, com especial maciez, característica principal procurada numa carne de qualidade, e com a certeza que teremos num futuro próximo ainda mais qualidade com o uso correto do cruzamento.