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Um apaixonado pelo Sindi

“É provado em abate técnico que o Sindi possui 58% de rendimento de carcaça”

O titular da Fazenda Reunidas Castilho, Adaldio Castilho Filho, não mede esforços para alavancar a raça

Revista AG – O Sindi está espalhado por quais regiões do Brasil?

Adaldio Filho – No passado a raça era criada mais em São Paulo e depois expandiu para o Nordeste, entre as décadas de 80 e 90. Agora, ela vem conquistando o mercado e já está presente em Minas Gerais, Mato Grosso, Pará, Goiás e Pantanal.

Revista AG – Como e quando começou sua paixão pela raça Sindi?

Adaldio Filho – Desde pequeno eu acompanhava meu pai, Adaldio Castilho, e o meu tio, José Cesário de Castilho (Cito), que iniciou na raça Sindi em 1936. Desde criança acompanhava os dois nas visitas à fazenda e isso foi despertando em mim o amor pelo Sindi.

Revista AG – Qual rebanho atual das Reunidas Castilho?

Adaldio Filho – O rebanho atual está próximo de 1.000 cabeças entre vacas, novilhas, touros, bezerros e tourinhos, incluindo Sindi padrão e mocho.

Revista AG – O que está sendo feito para fomentar a raça?

Adaldio Filho – Tenho levado a raça nas exposições mais importantes do Brasil e procuro fazer essa divulgação por meio da comunicação e das redes sociais. A raça vem conquistando espaço.

Hoje, temos programas de melhoramento genético visando à precocidade sexual e terminação de carcaça, habilidade materna, rusticidade, longevidade e eficiência alimentar.

Revista AG – Quais são os animais que mais se destacam no plantel?

Adaldio Filho – Temos vários se destacando em produção e nas exposições. Entre eles, Irapuru da Estiva, Grande Campeão Nacional 2006; Jangada e Índio da Estiva, que foram Bi-Grande Campeões Nacionais; Leal da Estiva, também Grande Campeão Nacional; Prata da Estiva, Grande Campeã Feicorte.

Revista AG – Até o momento, quais as maiores conquistas da raça?

Adaldio Filho – O retorno ao cenário brasileiro, nas principais exposições do Brasil, e também a reconquista da confiança do mercado. Os nossos leilões provam isso. Fizemos dois em Uberaba/ MG. Emplacamos uma média próxima a R$ 20 mil neste ano e R$ 16,5 mil no ano passado.

Revista AG – Quais são as maiores vantagens do Sindi?

Adaldio Filho – Por ser uma raça de porte médio e pequeno, possibilita a colocação de um número maior de indivíduos por área. Além de ser de dupla aptidão, a raça consegue conciliar rusticidade e precocidade. O rendimento de carcaça também é um dos seus diferenciais, pois é provado em abate técnico uma média de 58%, acima da média nacional. O Sindi também é o zebu que possui o maior marmoreio.

Revista AG – A Fazenda Reunidas Castilho também trabalham com outras raças?

Adaldio Filho – Com quase todas as raças, mas somente em nível de confinamento, pois, na criação, focamos apenas no Sindi mocho e padrão e também Tabapuã. Nossa demanda por animais aumenta a cada ano, por isso precisamos comprar boi no mercado. Muitas vezes temos de adquirir boiadas das mais variadas raças.

Revista AG – O que podemos esperar para a pecuária brasileira nos próximos anos?

Adaldio Filho – A pecuária brasileira precisa sofrer uma modernização visando um giro mais rápido dos animais, uma terminação precoce e um aumento de animais por área. Nossa pecuária está perdendo terras para lavoura e florestas. A cada ano aumenta a demanda por carne e leite e as raças que produzirem com mais precocidade serão as que vão contribuir para o futuro da atividade.