Caprinovinocultura

 

Manejo sanitário: cuidados que geram renda

Atenção do produtor com a saúde dos animais pode fazer a diferença na hora de somar os resultados da atividade

Denise Saueressig - [email protected]

Cuidar da saúde dos animais é dever de todo criador. No dia a dia da propriedade, no entanto, algumas atitudes simples deixam de ser tomadas. E são justamente esses detalhes que podem significar a diferença na hora de contabilizar os resultados da atividade.

O zootecnista Rafael Frescura, instrutor do Serviço Nacional de Aprendizagem Rural no Rio Grande do Sul (Senar/ RS), salienta que, além de valorizar o bem-estar do rebanho, os produtores precisam pensar no fator econômico quando planejam ou deixam de planejar o manejo sanitário. “O animal é a fonte de renda do criador, que tem nas mãos um produto altamente valorizado, como o cordeiro, que nesse momento alcança preços ótimos, entre R$ 4 e R$ 5 pelo quilo vivo”, sustenta.

A atenção ao estado sanitário começa Denise Saueressig [email protected] Manejo sanitário: cuidados que geram renda Tarcísio Bartmeyer REVISTA AG - 89 com atitudes corriqueiras, como o manejo na hora de separar o rebanho para exames ou outras práticas. “O produtor precisa ter cuidado para não machucar o animal nesse momento. Muitas vezes ele nem se dá conta, mas uma má condução nesses processos básicos pode prejudicar o pastejo e até o desempenho dos ovinos”, destaca o instrutor.

A avaliação individual de cada exemplar vai possibilitar ao criador perceber diferentes indicativos do plantel, como uma possível verminose, pelo exame da pálpebra e pelo método Famacha, e o escore de condição corporal, que varia entre 1 e 5, sendo que 1 é para animais excessivamente magros e 5, para muito gordos. A análise do escore também vai ajudar na definição de práticas de manejo nutricional e reprodutivo. “É importante que o produtor saiba que o escore 3 é o normal e o ideal, por exemplo, para fêmeas que estão prestes a engravidar. Na hora da parição, o recomendável é 3,5 para que haja uma reserva natural”, detalha o zootecnista.

Para cordeiros prontos para o abate de raças de lã ou mistas, o aconselhável é que o escore corporal esteja, no mínimo, com a nota 3. Já para os cordeiros de raças voltados à produção de carne, o melhor é que o mínimo seja de 3,5. “Nos animais deslanados, por meio da observação, já conseguimos analisar o estado nutricional. No caso dos lanados, é interessante apalpar as vértebras, na região lombar, para definir a condição corporal”, complementa o pesquisador Mauro Sartori Bueno, do Instituto de Zootecnia (IZ) da Secretaria de Agricultura do Estado de São Paulo.

Para cordeiros com mais de quatro meses de vida, é aconselhável a castração para evitar casos de consanguinidade no rebanho.

CATEGORIAS DIFERENCIADAS

Quando a questão envolve cuidados sanitários, fêmeas prenhes e cordeiros merecem uma atenção diferenciada. Nos 45 dias que antecedem a parição, é importante que as ovelhas sejam vermifugadas e vacinadas contra as clostridioses.

Essa também é a hora de realizar a limpeza dos cascos e a tosquia higiênica na região do úbere, entre pernas, virilha e vulva. “Em algumas raças, é aconselhável uma limpeza na região da cabeça, quando necessário. É uma medida que vai ajudar a ovelha a enxergar melhor e a procurar proteção por sentir mais frio. Essa busca por abrigo pode representar mais cuidado para a mãe e seu cordeiro quando a parição ocorre em regiões em épocas mais frias”, justifica Rafael Frescura.

O instrutor do Senar, que também é criador de ovinos, lembra que, em regiões com inverno acentuado, a parição a campo, nos meses frios, provoca uma mortalidade de, no mínimo, 20% entre os recém-nascidos. O ideal para animais mantidos em campo aberto é que a parição seja programada para o período da primavera. “Se houver chuva e frio, mães e filhos devem ser instalados em uma área coberta, como um galpão”, assinala.

A mortalidade neonatal de ovinos está concentrada nas duas primeiras semanas de vida do cordeiro. Entre as principais causas de morte até os 90 dias de idade estão a pneumonia e o complexo inanição/hipotermia.

Outra medida que pode prevenir doenças entre o rebanho é casqueamento, que deve ser feito, no mínimo, uma vez por ano. A prática ajuda a evitar a proliferação de bactérias que podem ficar acumuladas pela entrada de sujeira nos cascos. O ideal é que seja utilizada uma tesoura própria para a função. Animais que vivem no campo, em locais de solo argiloso, normalmente apresentam um maior crescimento dos cascos, enquanto aqueles criados em terrenos mais pedregosos têm tendência a ter menor necessidade de casqueamento.

Rafael Frescura, instrutor do Senar/RS: produtor deve pensar no fator econômico quando programa o manejo sanitário do rebanho

De uma forma geral, é importante que o criador trabalhe com profissionais de sua confiança para programar as etapas do manejo do rebanho. Com o veterinário, o produtor deve discutir e definir o calendário mais adequado para o planejamento sanitário e reprodutivo.