Sala de Ordenha

 

Chuvas são variável-chave

Marcelo Carvalho

A forte seca que afeta os EUA têm impactado os preços dos grãos, alcançando valores altíssimos. Com isso, a rentabilidade que deve resultar em menor estímulo à produção de leite. O gráfico 1 foi feito a partir dos dados do ICPLeite/Embrapa e preços do leite em Minas Gerais apontados pelo Cepea/USP. No entanto, como o ICPLeite/Embrapa trabalha com os valores relativos apenas, o MilkPoint arbitrariamente colocou o valor de R$ 0,525/litro como custo em julho de 2007, corrigindo a partir daí pela inflação dos insumos utilizados pelo produtor.

No mês de julho o lucro deflacionado foi negativo em 7,8%, apresentando um cenário nada animador para o produtor de leite, relembrando os números apertados de 2009.

Essa situação é fruto de preços com ten- Marcelo Pereira de Carvalho, diretor-executivo da AgriPoint Maria Beatriz Tassinari Ortoloni, analista de mercado do Milkpoint dência de queda (gráfico 2) aliados ao custo elevado de produção.

Para os preços no campo, não parece que haverá grandes mudanças para o próximo pagamento, uma vez que a produção da safra da região Sul veio um pouco atrasada, mas em quantidade suficiente para abastecer as empresas. Conforme o Índice de Captação de Leite do Cepea (ICAP-Leite) houve um avanço de 7% nos três estados. E nas regiões Centro-Oeste e Sudeste, uma entressafra moderada marcou o mês, não deixando muito excedente de oferta.

Pensando em disponibilidade, também se considera as importações. Desde maio, é possível notar queda no volume internalizado de equivalente-leite (gráfico 3). Em julho tivemos o menor número do ano, com 61 milhões de litros de equivalente-leite importados, 18% a menos que julho de 2011.

Em conversas com agentes do mercado, fica evidente que não se espera grandes mudanças na produção para os próximos meses.

Porém, é possível que ocorra um final de ano diferente. As chuvas voltam apenas em meados de outubro, porém satisfatoriamente em novembro. Se somarmos o fato de muitos produtores segurarem a suplementação do gado por causa dos altos custos, pode ser que a produção desacelere.

O mercado spot, o primeiro que reage, vem dando sinais positivos. Já se percebe elevação de 2 a 5 centavos nos preços do leite na virada da primeira quinzena de setembro, principalmente no Centro-Oeste e no Sudeste. O spot pode sinalizar recuperação de preços em uma época em que normalmente não ocorre.

No atacado, o mercado apresenta leve e contínuo aumento de preços. No varejo, segundo o MilkPoint, em Piracicaba/SP, o aumento também começou de forma branda. Em julho iniciou-se um aumento no leite longa vida - 5,3% em relação a junho; já em agosto o acréscimo foi de 3,2% quando comparado a julho, fechando a um valor médio de R$ 2,10/litro. Um outro ponto que vale a observação é que os dias de fabricação vêm diminuindo constantemente desde abril, mostrando um giro rápido dos estoques. De uma forma geral, outros produtos lácteos apresentaram pequena alta. Leite em pó teve reajuste de 3,9% e queijos (muçarela), 2%, ficando em média R$ 19,9/kg. Informações adquiridas no mercado afirmam que algumas indústrias estão iniciando o repasse de preços para as redes de supermercado. No entanto, ainda é necessário avaliar como e quando os varejistas farão repasse ao consumidor.

Juntando-se as peças e considerando uma demanda constante, avalia-se ainda que de forma sutil, há algumas indicações de oferta lenta e preços ensaiando alta e, assim, revelando a perspectiva de um cenário altista para os próximos meses. A variávelchave nessa equação são as chuvas.

Marcelo Pereira de Carvalho, diretor-executivo da AgriPoint Maria Beatriz Tassinari Ortoloni, analista de mercado do Milkpoint