Sobrevoando

 

Inseminação artificial

Nestes últimos anos, a inseminação artificial (IA) cresceu muito. Vários criadores que utilizaram esta técnica tempos atrás e depois pararam, por vários motivos, agora retornam com força total. Assim como outros que nunca tinham feito a IA e agora se jogam de cabeça nesta técnica centenária.

Muito deste fenômeno se deve à inseminação artificial em tempo fixo (IATF), técnica que permite inseminar as vacas e novilhas em um único dia, facilitando sobremaneira o manejo do gado e das pessoas encarregadas de executarem o serviço.

A utilização maciça de IA com posterior repasse de touros tem alavancado melhores índices de prenhez, principalmente em vacas com cria ao pé, além de produzirem bezerros melhores e mais “cedo”. São bezerros que nascem no início da temporada e tendem ser maiores e mais pesados quando forem vendidos, seja na desmama, como bois ou novilhas.

Uma IATF bem feita, com utilização de sêmen de touros provados e posterior repasse também com touros de grande potencial genético, me parece ser o grande esquema para o produtor moderno de bezerros. Com a IATF, temos aproximadamente 50% das fêmeas prenhas em apenas um dia determinado (ou dois ou três dias se trabalharmos em dois ou três turnos), concentrando e antecipando o nascimento. E, com o repasse de touros logo na sequência, garantimos a prenhez da grande maioria das fêmeas, também mais cedo na temporada de monta.

Pelo que tenho acompanhado, muitos dos produtores de bezerros têm utilizado a mesma quantidade de touros que utilizavam antes, não diminuindo a concentração apesar da IATF. O que acho correto, pois em alguns lotes de IATF poderemos ter resultados mais abaixo da média e não podemos sobrecarregar os touros com trabalho extra e, assim, termos menos bezerros do que gostaríamos. Muitos produtores também estão investindo mais reais para comprar touros, a fim de adquirirem animais de melhor genética e que produzam bezerros mais parecidos com os de IA.

Toda esta movimentação tem agitado as centrais de inseminação e também o setor químico, com a venda de produtos e protocolos para a IATF, além da venda de botijões, nitrogênio, etc., gerando uma forte disputa de mercado na qual o grande beneficiado é o produtor. Também os prestadores de serviço, veterinários e inseminadores têm aumentado clientela e faturando mais. Parece-me um movimento muito positivo, de ganha-ganha.

E ainda temos um grande bônus ao executarmos a IATF em nossas fazendas. Nos organizamos mais. Cuidamos mais de perto de nossas vacas e novilhas. As conhecemos melhor. Damos número a todas elas. Identificamos. Registramos e, posteriormente, fazemos o que os fazendeiros devem fazer. Selecionar corretamente. Ficam as férteis e boas mães. Vão-se as menos férteis e piores mães.

Longa vida à IATF. Longa vida à utilização de touros provados.