Terras

 

Mercado PROMISOR

Foi aprovado no início de setembro, pela Comissão de Agricultura, Pecuária, Abastecimento e Desenvolvimento Rural, projeto de lei que flexibiliza as restrições que eram impostas à compra de terras por estrangeiros.

O texto aprovado não impõe limites às empresas brasileiras constituídas ou controladas direta ou indiretamente por estrangeiros e às companhias de capital aberto com ações negociadas em bolsa de valores no Brasil ou no exterior.

O relatório estabelece que empresas com até 99,9% de capital estrangeiro poderão adquirir terras, sem mencionar à dimensão da propriedade, desde que sigam as regras da legislação para empresas nacionais.

Isso deve aumentar a procura por áreas para produção agrícola no Brasil. A posição do país, de grande produtor e com potencial para atender a demanda crescente de alimentos no mundo, atrai investidores.

REGIÕES-ALVO

Destaque para a região Norte, consi- derada a nova fronteira agrícola. Segundo o Ministério da Agricultura, o Piauí registrou a maior expansão na colheita de grãos no Brasil (15%). Porém, a maior produção de grãos do Norte e do Nordeste está na Bahia. A produtividade da soja no estado, na temporada 2011/12, foi de 47,7 sacas/ ha, 7% acima da média nacional. Diversos tradings, frigoríficos e empresas estão instaladas próximas aos municípios de Luiz Eduardo Magalhães e Barreiras. Áreas de agricultura no oeste da Bahia são negociadas, em média, por R$ 9,5mil/ha.

No Mato Grosso, maior produtor de soja do Brasil, o hectare em Rondonópolis e Sorriso varia em média em R$ 11 mil, podendo chegar a R$ 22 mil. Na pecuária, o Pará possui o quarto maior rebanho do Brasil, com 17 milhões de cabeças. É a principal atividade agrícola.

Em Marabá/PA, o preço médio do hectare de pastagem está em R$ 3 mil. Varia conforme a infraestrutura: área formada, fertilidade, benfeitorias, facilidade de acesso e, principalmente, documentação, podendo chegar até R$ 5 mil por hectare. O grande entrave são as limitações impostas pelo Código Florestal, ainda em votação.

Esta indefinição, aliás, é outro fator, que, somado à restrição de compra de terras por estrangeiros, freia os negócios com terras agrícolas em todos os biomas.

Apesar dessas questões afetarem todo o Brasil, no Mato Grosso, maior produtor de soja, o bom momento da commodity, com preços em alta (figura 1), tem elevado a procura por terras para este cultivo.

Para se ter ideia, a região de Sorriso, no Mato Grosso, um dos municípios com maior área cultivada de soja do mundo, aproximadamente 610 mil hectares, detém o maior preço médio para terras de pastagens, negociadas entre R$ 4 mil e R$ 5 mil o hectare. Muitas vezes estas áreas de pasto, com potencial agrícola, são subs-tituídas por agricultura.

CONCORRÊNCIA

Nos últimos anos a agricultura empurrou a pecuária para áreas marginais. Além da produção de grãos, a cana-deaçúcar tem grande participação neste processo. Em São Paulo, por exemplo, onde estão as terras mais caras do país, os canaviais em produção na região de Ribeirão Preto, são avaliados em média, por R$ 30 mil o hectare. Existem pedidos de até R$ 40,00 mil.

A cultura tem se espalhado para as regiões próximas. Em dois anos, terras no Triângulo Mineiro acumulam valorização de 6% e, atualmente, são negociadas a R$ 19,6 mil o hectare. São as áreas mais caras de Minas Gerais.

A dinâmica da produção agrícola e o potencial produtivo é enorme, assim como a variedade de lavouras, rebanhos e as possibilidades de incremento na produtividade. O Paraná, por exemplo, possui uma das agriculturas mais tecnificadas do país. Enquanto a média brasileira de milho está em 74,6 sacas/ ha, o estado produz 50,2% a mais por área, alcançando 112,1 sacas. Terras de agricultura na região de Londrina são vendidas, em média, por R$ 20 mil/ ha. Fonte: Relatório de Terras da Scot Consultoria.