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ESTAÇÃO DE MONTA é base da boa criação

Organização do manejo reprodutivo aumenta o retorno e traz aprimoramento da atividade

Luiz H. Pitombo

O vigoroso desenvolvimento da bovinocultura de corte evidenciou a necessidade e a importância do estabelecimento de uma adequada estação de monta nas fazendas de cria e naquelas que realizam o ciclo completo. Afinal, deixar as matrizes junto aos touros o ano todo faz com que os nascimentos pipoquem desregrados e a propriedade tenha, por vezes, de lidar com mais de 20 categorias animais diferentes contra apenas cinco de uma que adote a estação de 60 dias. Este é apenas um dos problemas.

É clara a desvantagem da primeira em termos de organização e realização de um bom trabalho para cada etapa da vida do animal. Em uma fazenda do Mato Grosso do Sul, a reestruturação da estação de monta favoreceu a redução de 3% para 1,9% das perdas até a desmama pelo maior zelo com esses animais, que também passaram a ganhar mais peso. A taxa de prenhez com a monta natural, que era de 55%, hoje está em 75% na média do rebanho, considerando a inseminação artificial em tempo fixo (IATF) e o repasse com touros, mas pode subir ainda mais se compensar financeiramente.

A concentração de nascimentos devido à estação de monta mais restrita permite que se avalie melhor os animais frente ao seu grupo, por exemplo, fêmeas sexualmente precoces para reposição. Por outro lado, com a estação direcionada para o período de maior quantidade e qualidade de forragem, se permitirá que as matrizes tenham boa condição física. Tal situação é fundamental para boas taxas de prenhez, adequado intervalo entre partos e, consequentemente, maior rentabilidade do negócio. Com um maior número de vacas podendo ser trabalhadas na mesma época, a realização da IATF fica favorecida e a engrenagem toda passa a funcionar tão bem como a de um relógio.

O descarte posterior das matrizes que estejam vazias após o diagnóstico de gestação resultará numa seleção mais eficiente das vacas e também trará alívio aos pastos para o período seco. Quando da comercialização dos bezerros, lotes maiores, mais homogêneos e pesados representarão um excelente atrativo e diferencial de mercado.

O médico-veterinário Diego Palucci, que atua em fazendas e na coordenação dos cursos de pós-graduação em pecuária de corte da instituição mineira de ensino Rehagro, sugere que a implantação da estação de monta seja gradual na propriedade. Isso para que o proprietário e a equipe se ajustem como também exerçam pressão de seleção em cima dos animais. Num primeiro ano, sugere que se passe para uma estação de 180 dias (seis meses), com reduções graduais de 15 a 20 dias/ano até se atingir 120 dias (quatro meses).

A partir daí, até os 90 dias (três meses), que considera o período ideal. As reduções anuais que indica são menores, de cinco em cinco dias até se chegar ao ponto desejado. Ele explica que como o período de gestação de um bovino é de 290 dias (9,5 meses), os 90 dias permitirão certo sincronismo, para que não haja concentração de parições dentro da estação de monta com adequado intervalo entre partos.

Por exemplo, em regiões do Mato Grosso e do Mato Grosso do Sul, com as chuvas podendo começar em agosto e setembro, diz que se deve programar para que as parições se concentrem nesses meses, com algo ainda chegando até outubro. Neste mesmo mês, começaria a estação de monta, que se prolongará até dezembro. “Existe aí uns quinze dias em que ainda se terá fêmeas parindo dentro da estação de monta, mas é menos que numa estação de 120 dias, quando essa etapa pode se prolongar por 45 dias”, diz.

Ele defende que os nascimentos nessa época, embora possam ser mais prejudiciais à saúde dos bezerros em termos de verminoses e pneumonia, não terão impacto tão importante na condição corporal das matrizes pela maior disponibilidade de forragem. Há quem prefira nascimentos ainda no final da seca, onde os bezerros são poupados em detrimento das fêmeas, mas Palucci considera que o ganho na taxa de prenhez obtido nas águas compensa as possíveis perdas de bezerros. Da mesma forma, considera que novilhas não devam entrar na estação de monta um mês antes, como existem os que fazem para que, ao parirem antes, tenham mais tempo de se recuperar para a segunda gestação. Ao se proceder assim, Palucci diz que ela irá ter seu primeiro bezerro ainda no período seco, com efeito contrário ao que se busca, pois terá prejudicada sua condição corporal.

Uma vez implantada a estação, o veterinário salienta que se deva ficar atento à boa recria das bezerras de reposição para que as Nelore entrem em reprodução aos 24 meses e as cruzadas, aos 12 meses. Os ganhos de peso necessitam ser constantes, com adequada mineralização e até o fornecimento de proteinado na seca.

Ele sugere que os lotes de fêmeas não superem as 150 cabeças quando se adota a inseminação artificial, mas que no sistema de monta natural em fazendas manejadas mais extensivamente se pode chegar até 200 ou 250 cabeças. Contudo, faz a ressalva que o correto mesmo, devido ao melhor comportamento animal, é se ficar nos 150 animais. Em relação à proporção de matrizes por touro, Palucci considera que esta possa ser de um reprodutor para cada 40 ou 50 fêmeas, desde que com touros devidamente avaliados e “treinados”.

Diego Palucci sugere que a implantação da estação de monta ocorra de maneira gradual

CUIDADO COM MACHOS E FÊMEAS

O engenheiro-agrônomo Paulo Araripe, da consultoria paulista Projepec, também avalia como ideal a estação de monta de 90 dias. No entanto, comenta que em rebanhos bem selecionados e com alta taxa de fertilidade pode se pensar num período de 60 dias.

Dentre as falhas mais comuns do manejo reprodutivo, aponta a colocação na estação de monta de animais debilitados por uma baixa qualidade alimentar, o não conhecimento da condição ginecológica das matrizes, bem como sucessivas chances dadas a vacas com fraco desempenho reprodutivo. “Não emprenhou, precisa mandar embora”, sentencia, pois manter vacas vazias é sustentar funcionária que não produz.

Em torno de 45 a 60 dias após o fim da estação de monta, indica a realização do diagnóstico de gestação por ultrassom ou toque retal, com o descarte fatal das vazias. Ele recomenda que as matrizes estejam corretamente identificadas por brincos ou marcas a fogo, mas caso isso ainda não tenha sido feito, a apartação no próprio curral já pode acontecer após o diagnóstico negativo.

Cauteloso, Araripe considera que a opção pela inseminação artificial convencional (IA) ou pela IATF deve estar baseada numa avaliação de custos e bom planejamento. Com pastos de qualidade e bons touros, afirma que se pode ter taxas de fertilidade acima dos 80% e com gastos bem menores.

Ele lembra que o pecuarista deva estar atento às dificuldades que existem na observação do cio e que as taxas de prenhes da IATF ficam entre 40% e 50% com uma sincronização. Também critica pecuaristas que usam esta ferramenta e salientam ter vantagens como a concentração de nascimentos em matrizes fora das condições corporais desejadas ou com dificuldades na esfera reprodutiva.

Carlos Jurgielewicz comemora melhora no manejo após implantar estação de monta

As vacas precisam de cuidados, como aponta Araripe, especialmente nos primeiros anos de adoção da estação de monta. Deverá ser garantida boa alimentação na época que antecede a estação de monta e seu físico precisa de avaliação, observando se está em condições de levar adiante uma gestação e desmamar bem o bezerro.

Ele acrescenta que necessitam estar isentas de doenças (brucelose, campilobacteriose, tricomoníase, leptospirose, IBR, BVD, dentre outras) e reforça que “um bom exame clínico do plantel antes da estação e a adoção de calendário sanitário são práticas obrigatórias na pecuária moderna”. Araripe considera, por sua vez, que existem benefícios em se antecipar a estação das novilhas, mas que é preciso estar atento às condições nutricionais, o mesmo acontecendo com as parições no fim da seca, que podem ser benéficas à sanidade dos bezerros, como aponta. “Se compensa ou não a parição nas águas, é preciso ver os índices de prenhez e perdas que se tem”, comenta.

No caso da monta natural, os touros merecem cuidado especial, com Araripe apontando a realização do exame andrológico e físico, este verificando problemas de aprumos, prepúcio, pênis e outros, bem como proceder ao teste de libido e aptidão para determinar a correta relação touro/vaca. Ele diz que como o reprodutor terá contato com muitas matrizes, precisa apresentar boa condição sanitária para não transmitir doenças e dispor de alimentação adequada, especialmente nos meses que antecedem a estação de monta.

A qualidade genética também precisa ser avaliada.

Em relação aos estados do Sul, apesar das diferenças climáticas, considera que não existem alterações em relação ao período preferido no restante do País, com a estação se iniciando entre setembro e novembro. Mas lembra que é importante ficar atento à disponibilidade de forragem e à nutrição dos animais, pois o período é quente e seco, exigindo um bom planejamento. Já as parições de inverno, com tempo úmido, permitem que se tenha pastagens de qualidade.

ATIVIDADE EMPRESARIAL

A Fazenda Serrito, em Amambaí/MS, dedicada às fases de cria e recria de gado para o abate, passou por boas mudanças em seu manejo reprodutivo há cerca de cinco anos. Os resultados foram mais que aprovados e a cada ano a safra de bezerros e o manejo melhoram. Com área de 3 mil hectares e abrigando 1.800 matrizes Nelore, sua meta é a de crescer até chegar a 2.000 fêmeas, completando a capacidade de suporte da fazenda. Seus pastos das braquiárias humidícola e decumbens estão divididos em 74 invernadas, 16 delas rotacionadas.

Carlos Alberto Jurgielewicz, filho do proprietário que tinha na medicina sua principal atividade, foi quem começou a implantar as mudanças na Serrito. “Desejava maior uniformidade no manejo da fazenda, com bezerros mais pesados na desmama e maior padronização racial com a inseminação artificial”, afirma Nano, como é conhecido. Ele relata que também buscava maior qualidade das matrizes e que hoje vaca vazia vai para o descarte.

Estação de monta induz manejo mais eficiente das vacas

Com formação na área de administração de empresas, Nano conta que enfrentou muita resistência de seu pai para introduzir as mudanças no início e que, para a implantação da nova estação de monta, buscou o suporte técnico de uma consultoria paranaense.

Antes, conta que a propriedade adotava duas estações de monta unicamente com reprodutores a campo, uma de 120 dias, de outubro até janeiro, e uma segunda, com mais 60 dias, entre março e abril. “Esta segunda existia para dar uma nova chance para as vacas vazias, o que não era bom e deixava a bezerrada sem uniformidade”, lembra. A taxa de nascimentos era de apenas 55%, com as fêmeas aos sete meses desmamando com 165 kg e os machos, com 180 kg. Atualmente, com o melhor manejo, estes são desmamados com 210 kg e o índice geral de mortalidade, que era de 3%, caiu para 1,9%, em especial pelo combate à diarreia através de vacinações.

Nano conta que começou por selecionar dentre as 1.200 fêmeas existentes na época as que estavam em melhores condições, descartando perto de 500 cabeças. “Era o lote da segunda chance”, define. Já no primeiro ano adotou uma estação de 90 dias e que mantém até hoje, de novembro até janeiro, respeitando a sazonalidade das chuvas e as temperaturas no período da parição, uma vez que no inverno são baixas na região.

Os nascimentos começam em agosto, com o maior volume ocorrendo em setembro. Nano conta que é possível programar o início da parição em agosto, pois existem sobras de forragem de inverno. Todos os animais são descartados ou comercializados até junho, deixando a fazenda “vazia”, além do que também fornece sal proteinado.

Para obter fêmeas mais precoces e que produzam uma quantidade maior de bezerros em suas vidas, há quatro anos passou a tratá-las com o sistema de creepfeeding, quando são desmamadas aos 6-7 meses pesando 220 kg. O reforço na alimentação persiste até o início da estação de monta, quando atingem de 270 a 280 kg aos 13 ou 14 meses e são postas com touros por 90 dias. O índice de prenhez que tem obtido está em torno de 33% e as que não foram enxertadas são recriadas até os 24 meses e 320 kg de peso. Estas são submetidas à IATF e repasse com touros um mês antes que as demais fêmeas, atingindo 90% de nascimentos em 120 dias. Nano só utiliza tourinhos Nelore PO registrados e tem adotado a proporção de 1 animal para 22 fêmeas.

O uso da IATF seguido do repasse com touros foi introduzido na Serrito há dois anos e vem paulatinamente aumentando seu volume, que chegou em 2012 a 1.000 fêmeas, com as demais permanecendo no sistema de monta natural. “Observação do cio em rebanhos comerciais de corte para inseminação é inviável”, diz Nano. Considerando os produtos utilizados com a aplicação de um protocolo e a respectiva mão de obra, tem gasto R$ 20/cabeça e garante que vale a pena.

Na média da fazenda, a taxa de prenhez está em 75% e Nano se diz satisfeito, pois seus cálculos mostram que índices maiores, como os de 85%, reduziriam o volume de descarte de matrizes com as quais recebe mais do que se tivesse mantendo-as com um bezerro ao pé.

Seus planos apontam para em três anos estar com uma estação de 60 dias, quando procurará manter os 75% de prenhez e produzindo só o que chama de “bezerro do cedo”, ou seja, de produtos que nascem logo no início da temporada e que pesam mais na desmama.

Numa avaliação ampla, Nano considera que não foi difícil implementar o novo manejo reprodutivo na Serrito. Contudo, recomenda que o pecuarista realize uma boa gestão e controle bem o fluxo de caixa, porque, com os nascimentos concentrados devido à estação de monta, a entrada de recursos também fica mais restrita em alguns meses.


IATF

traz novo horizonte de trabalho

Técnica permite reduzir intervalo entre partos e facilita em muito o uso da inseminação artificial

Luiz H. Pitombo

O avanço das pesquisas e a difusão de protocolos cada vez mais eficientes transformaram o Brasil no segundo maior utilizador mundial da inseminação artificial em tempo fixo (IATF), com impacto expressivo nas vendas de sêmen bovino.

Enquanto a inseminação convencional, após a observação do cio, se reduz ou mostra certa estabilidade ao longo dos últimos anos no País, a IATF cresce a passos largos. “Neste ano devem ser 8 milhões de vacas sincronizadas, contra 6,5 milhões em 2011”, estima Pietro Baruselli, destacado pesquisador da técnica que atua na Faculdade de Medicina Veterinária e Zootecnia da Universidade de São Paulo (FMVZ/USP).

A utilização da IATF cresce tanto no setor de leite como no de corte, mas especialmente neste último, como avalia Baruselli, pela maior dificuldade de observação do cio em grandes rebanhos, o que se acentua pelo fato das fêmeas zebuínas, que predominam no segmento, apresentarem um período de cio mais curto. Outro aspecto que é preciso considerar é que animais a pasto, com bezerro ao pé, tendem a não ciclar e com a IATF se dispensa a necessidade do desmame precoce.

O pesquisador comenta que a fertilidade é característica de baixa herdabilidade genética e que quando uma vaca não fica gestante, em geral, “é por algum erro de manejo e a IATF pode corrigir isso”, diz. No entanto, salienta que ela é uma ferramenta, não faz milagres, e que para funcionar os animais precisam de boa nutrição, sanidade e manejo. Ele reconhece que existem produtores que pecam nesses aspectos e usam indevidamente a técnica.

Baruselli, que preside a Sociedade Brasileira de Transferência de Embriões (SBTE), apresentou estudo de seu grupo de trabalho no encontro anual da entidade, realizado na virada do mês de agosto, em que traçou a evolução e as perspectivas da IATF no Brasil. Vale lembrar que ele afirma que o País desfruta de um mesmo patamar de conhecimento que o líder mundial em volume da técnica, os Estados Unidos. Entretanto, avalia que em alguns resultados estamos em melhor situação por utilizar produtos que ainda estão em processo de registro por lá.

Escore corporal 3 é o ideal para inseminar a vaca. Costelas cobertas ou levemente à mostra

Dentre outros aspectos interessantes, o estudo afirma que o desenvolvimento da técnica de sincronização de cio para a IATF já alcançou um nível tal de evolução que os ajustes futuros nos protocolos terão impacto limitado nas taxas de concepção, hoje em torno de 50%, como aponta o pesquisador. Os avanços mais significativos, com reflexos na eficiência da técnica, deverão estar associados a melhorias no manejo nutricional e sanitário, além de novas pesquisas visando estratégias para se elevar a sobrevivência embrionária.

Também está indicada no trabalho a necessidade da adequada transferência da tecnologia no campo, o que ainda representa um gargalo. “Foram realizadas muitas e muitas pesquisas para se estabelecer os tempos e as quantidades corretas de produtos a serem aplicados e é preciso treinar a equipe e seguir esse roteiro préestabelecido”, enfatiza o especialista. Baruselli informa que elaborou um manual sobre IATF dirigido a veterinários e fazendeiros, que foi publicado pela Associação Brasileira de Inseminação Artificial, em setembro, e que pode ser adquirido através do site da entidade (www.asbia.org.br).

TÉCNICA NA PRÁTICA

“Em uma escala de um até cinco, o escore corporal mais indicado para a matriz emprenhar fica em torno de 3, quando não se vê a costela do animal e existe só um pouco de deposição de gordura em seu posterior”, explica José Nélio Sales, pesquisador que realizou doutorado com Baruselli e que hoje atua na Universidade Federal da Paraíba nas áreas de reprodução animal e obstetrícia.

Para a adoção da técnica entre as diferentes categorias de fêmeas, diz que não há diferenças, embora enfatize que no caso das nulíparas (novilhas que nunca pariram) estas já devem ter entrado na puberdade, apresentando útero desenvolvido e estarem ciclando, o que pode ser atestado por veterinário. Quanto às taxas de prenhez, diz que existem diferenças, pois no caso das nulíparas ficam em torno de 45% com uma tentativa, enquanto que nas primíparas (que já pariram uma vez) mostram muita oscilação podendo ficar entre 30% até 50%, “mas no geral tendem para o nível mais baixo”, avalia Sales. Com as pluríparas, as taxas atingem perto de 50%, como indicado, e se as vazias forem resincronizadas, o índice total ficará em torno dos 75%.

Pietro Baruselli acredita que 8 milhões de vacas devem ser sincronizadas em 2012

Para que se aproveite o benefício da redução do intervalo entre partos, Sales sugere que se proceda à inseminação no primeiro dia da estação de monta que foi estabelecida pelo pecuarista. Isso que dizer que se ele definiu como 15 de novembro o começo da estação, deverá começar os procedimentos dez dias antes, ou no quinto dia do mês.

Em geral, os protocolos iniciam-se pela aplicação de substâncias que irão sincronizar a emergência da chamada onda de crescimento folicular (estrutura do ovário que libera o oócito). Passados oito dias, será retirado o implante vaginal colocado anteriormente e será aplicada a prostaglandina e outras substâncias que promovem o desenvolvimento do folículo e induzem a ovulação sincronizada. Dois dias após, todos os animais são inseminados.

IATF elevou a venda de sêmen a novos patamares

O diagnóstico de gestação pode ser realizado entre 28 e 32 dias depois da IATF, com as fêmeas vazias sendo resincronizadas nessa mesma ocasião a partir dos 30 dias. As taxas de prenhez nesta segunda tentativa costumam ser um pouco menores para todas as categorias animais.

Quando a opção é pelo repasse com touros, Sales diz que esses podem ser colocados junto às fêmeas 10 dias após a inseminação para aproveitarem o cio de retorno, que acontece de 17 a 23 dias depois da IATF. Para facilitar o manejo neste caso, sugere que se faça o diagnóstico de prenhes só aos 55 dias, verificando de uma única vez os resultados da inseminação e da monta natural. Os touros permanecerão com as fêmeas restantes até o fim da estação de monta, mas a proporção deles pode se reduzir no lote de matrizes à medida que se aproxima o fim do período reprodutivo. O repasse com touros também pode ocorrer após a resincronização, quando se busca aumentar as taxas de fertilidade, lembra Sales.

Sobre os possíveis efeitos na saúde das fêmeas das sucessivas aplicações de substâncias, o pesquisador diz que “em dez anos que trabalho com a IATF nunca constatei nenhum problema”.