O Confinador

  

GERENCIAMENTO DE DADOS

Feed Manager alia um conjunto de ferramentas de gestão e segurança alimentar

João Danilo Ferreira*

Desenvolvido há mais de dez anos, o software de gestão nutricional e econômica para confinamento Feed Manager atende mais de 800 mil animais por ano e visa suprir as necessidades dos sistemas intensivos de produção de carne bovina, incorporando novas ferramentas com objetivo de acompanhar as constantes evoluções e necessidades dos clientes.

A cada dia mais desejada pelo mercado consumidor, a segurança na qualidade do produto final adquirido é uma realidade crescente. Vários mercados têm exigido cada vez mais informações específicas dos sistemas de produção e o pecuarista será o responsável em caracterizar de forma detalhada o sistema de produção ao qual os animais foram submetidos. Para tanto, se faz necessário a coleta de informações de forma precisa e eficaz.

Recentemente, no Brasil, tivemos a liberação do uso de beta-agonistas na fase final de terminação de bovinos em confinamento. Estas substâncias, adicionadas à dieta dos animais, proporcionam como benefícios o aumento do ganho de peso vivo e de carcaça do animal, fase do crescimento em que a curva de deposição do tecido muscular está praticamente estabilizada ou descendente. Além disso, o uso destes aditivos resulta no aumento da eficiência alimentar e do rendimento de carcaça, dos cortes nobres à desossa. No entanto, a utilização deste produto exige que regras rígidas de segurança sejam seguidas, sendo necessário ter em mãos um banco de dados confiável.

Mais uma vez está disponível no mercado um conjunto de soluções que vão ao encontro dessas novas oportunidades, proporcionando aos confinadores o uso de novas tecnologias de produção, de forma segura e com rastreabilidade das informações. Com o objetivo de aumentar o controle e a qualidade das informações, dois novos conjuntos de ferramentas foram integrados ao Feed Manager, uma para controle individual dos animais e outra para coleta automática das informações relacionadas aos insumos e às dietas fornecidas para cada lote, em seus respectivos períodos de uso.

O controle individual dos animais é feito via um software goiano tradicional e já consagrado no mercado, no qual todas as informações de movimentação dos animais são realizadas por meio deste sistema e enviadas de forma automática para o Feed Manager. Ou seja, temos de forma precisa não só o histórico dos lotes, mas, principalmente, dos indivíduos devidamente identificados. Consequentemente, as informações de tudo a que eles foram submetidos no período, tais como vacinas, medicamentos, ingredientes e dietas utilizadas, ficam registradas.

O segundo sistema é o Feed Tracer (fotos), desenvolvido em conjunto com a empresa de identificação animal, que teve sua apresentação e lançamento oficial realizados durante a Feicorte 2012, em São Paulo/SP. Com essa ferramenta, as informações relacionadas aos insumos utilizados, como tipo de dieta e quantidades utilizadas de cada ingrediente que é ofertado a cada lote no confinamento, são coletadas de forma individual e transmitidas automaticamente para o Feed Manager. Com este sistema, ocorrerão grandes ganhos de agilidade e qualidade das informações, pois as anotações que normalmente são feitas manualmente deixarão de existir. Com o Feed Tracer, o tratador terá todas as informações em um monitor no veículo de trato, sendo estes dados específicos aos diferentes lotes/animais, além de alertas para evitar erros na distribuição das dietas, dando total segurança quanto ao uso de insumos específicos, tais como os beta-agonistas, entre outros produtos.

O confinador brasileiro possui algumas vantagens em relação aos principais concorrentes, tais como disponibilidade de matéria-prima, clima e, ainda, ser muito dinâmico e adotar novas tecnologias com muita rapidez, seja ele pequeno, médio ou grande. A evolução nos últimos dez anos da atividade de confinamento no Brasil mostra o espírito empreendedor do pecuarista brasileiro, já que alguns países demoraram décadas para evoluir em seu sistema de produção. A competitividade do mercado aumenta a cada dia e as decisões precisam ser tomadas rapidamente. Desta forma, informações precisas e em tempo real são fundamentais para evitar erros e desfrutar das oportunidades oferecidas pelo mercado.

Não é novidade que as exportações de carne bovina brasileira sofrem muito com barreiras “sanitárias” e tarifárias, além da preocupação dos consumidores, que estão a cada dia mais preocupados com a origem dos alimentos consumidos, de forma que a rastreabilidade vem sendo cada vez mais cobrada por vários países. É devido a este cenário que muitas tecnologias buscam disponibilizar ferramentas para aumentar a credibilidade do nosso sistema de produção junto ao consumidor. E isto, sem dúvida, permitirá aos pecuaristas brasileiros buscarem mercados que valorizam e pagam melhor por esse diferencial.

*João Danielo é médico-veterinário e consultor Técnico da Nutron Alimentos Ltda