Sala de Ordenha

 

Preços em queda, oferta elevada e importações

Marcelo Carvalho

Encerramos o primeiro semestre com um cenário pouco habitual: preços ao produtor em baixa em plena entressafra (gráfico 1). Em junho de 2011, o preço esteve 6% maior que o atual.

Não bastasse, os insumos continuam em alta crescente. Em 2009 e 2010, houve picos acentuados no meio do ano; já em 2011 foi bem mais suave, para finalmente ser inexistente em 2012, ainda que os valores do início do ano tenham sido mais elevados. O preço da ração tem pesado. No gráfico 2 vemos que maio é o mês que apresenta o valor mais alto dos últimos 24 meses.

Quando analisamos a margem do produtor, vemos também indícios do comportamento conforme dados do ICPLeite/Embrapa e de preços do Cepea em Minas. No entanto, como o ICPLeite/Embrapa trabalha com os valores relativos apenas, arbitrariamente colocamos o valor de R$ 0,525/litro como custo em julho-2007, corrigindo a partir daí pela inflação.

Quando analisamos a margem do produtor, vemos também indícios do comportamento conforme dados do ICPLeite/Embrapa e de preços do Cepea em Minas. No entanto, como o ICPLeite/Embrapa trabalha com os valores relativos apenas, arbitrariamente colocamos o valor de R$ 0,525/litro como custo em julho-2007, corrigindo a partir daí pela inflação.

A conjuntura atual é reflexo, em parte, da maior oferta de leite do 1º semestre e também das altas importações. Segundo a pesquisa trimestral do leite do IBGE, divulgada em junho, o 1º trimestre apresentou oferta consistente, 4,4% acima na comparação com o período anterior. Só em março de 2012, o aumento foi de 6,3% e, ao que tudo indica, o 2º trimestre deve manter a tendência de produção. Com exceção do Nordeste, afetado pela forte seca, o clima no Sul (um terço da produção brasileira) vem apresentando condições favoráveis.

As importações também foram um ponto crucial na atual situação. Em equivalente-leite, 2012 segue 2011, ano do maior volume internalizado desde 2003. Até junho, importamos 50,2% do valor total de 2011, fácil de se bater, caso o ritmo persista.

Há indícios de que a demanda é influenciada pela crise econômica. Segundo o Boletim Focus do Banco Central, há cinco semanas, o crescimento do PIB para 2012 estava estimado em 2,53%, Atualmente, a expectativa já foi reduzida para 2,01%, o que demonstra crescimento em um ritmo mais brando. Além disso, o endividamento das famílias atinge níveis recordes. Em dezembro de 2009, estava em R$ 485 bilhões, subindo para R$ 524 bilhões em abril- 2011 e R$ 653 bilhões em 2012.

Com oferta em alta e demanda retraída, os preços dos produtos lácteos no atacado praticamente se mantiveram constantes. Ao considerarmos apenas o leite UHT, julho-2012 teve aumento de 5% em relação aos preços de janeiro, subindo para 15% em 2011.

Com preços mais baixos no campo e custos elevados, o 2º semestre deverá ter uma produção um pouco mais tímida, podendo resultar em corrida pelo leite em 2013. O momento para o produtor é de cautela, controle de custos e espera.

Marcelo Pereira de Carvalho, diretor-executivo da AgriPoint Maria Beatriz Tassinari Ortoloni, analista de mercado do Milkpoint