Feno & Silagem

 

Comprei o feno, será que é BOM?

Rodolfo Wartto Cyrineu*

O valor nutritivo do feno pode variar muito, conforme as condições da produção da forrageira, da desidratação, do enfardamento e do armazenamento do produto. O criador pode produzir (ou adquirir) um feno de baixa qualidade, que trará resultados negativos aos animais, devido ao baixo valor nutritivo e à intoxicação em decorrência de fungos patogênicos presentes. Então, é importante conhecer o produto produzido ou adquirido de terceiros.

A umidade deve estar entre 12% a 16% e com teor de proteína acima de 12%. A qualidade pode ser avaliada visualmente: apresentar coloração esverdeada, com bastante folha em relação à quantidade de talos (“pouco taludo”) e sem presença de mofos.

A EMBRAPA Gado de Leite classifica os fenos em 3 tipos: A, B e C, conforme teor de umidade, porcentagem de PB (Proteína Bruta) e porcentagem de FDN (Fibra em Detergente Neutro). A tabela ao lado apresenta os valores para cada tipo.

O feno tipo A é aquele produzido com capim novo, não pastejado anteriormente, cujo processo de desidratação ocorreu sem atraso e não tomou chuva após o corte. A umidade é menor que 15%. Portanto, apresenta maior valor nutritivo. O tipo B é produzido com forragem mais passada, maior quantidade de talo ou sofreu chuva na fase inicial de desidratação, seguida de desidratação rápida, ou foi elaborado com resíduo de áreas pastejadas. Seu valor nutritivo é mediano.

O feno tipo C é produzido por forragem passada do ponto de corte ou por receber diversas chuvas durante a desidratação, demorando para chegar ao ponto de enfardamento e perdendo valor nutritivo. Estes podem ser fornecidos aos animais de baixa exigência nutricional ou utilizados como cama.

A comercialização do feno é caracterizada por uma época de preços mais baixos e outra época de preços mais altos. É mais barato quando coincide com o verão e o início de outono, pois nesta época há sobra de forragem nas propriedades. Já no inverno e no início da primavera, quando não há crescimento do capim, o preço eleva-se em razão da queda da produção de feno e do aumento da demanda.

A melhor época de compra compreende os meses de outubro a abril. Para se ter ganhos na aquisição ou na venda, a prática de estocagem é necessária, tanto para aquisição na baixa, como para venda na alta, visto que produção e demanda acontecem em épocas diferentes.

ARMAZENAMENTO

É necessário que seja um local abrigado de chuva e insolação, com utilização de estrados para evitar contato direto com o piso. O teor de umidade deve ser menor que 18% para eliminar problemas de fermentação e emboloramento. Existem medidores de umidade específicos para feno (foto de abertura).

Também é interessante que seja isolado de outras construções, evitando guardar tratores e equipamentos junto, pois, em função do material ser altamente combustível, não há como ser controlado em caso de incêndio. Para cálculo de capacidade de armazenamento, considera-se que 100 kg de feno ocupa cerca de 1 m3.

A utilização do feno faz parte da nova realidade da pecuária, seja para animais de cocho ou para suprir déficit de forragem. Torna-se fundamentalmente necessário saber a qualidade do feno que se está produzindo (ou adquirindo), garantindo um volumoso de boa qualidade nutricional e livre de agentes patogêncios.Também na comercialização, fique atento ao mercado, ciente da oscilações naturais a que este produto está sujeito.

*Engenheiro-agrônomo e proprietário da Suporte Rural Consultoria [email protected]


Milho e pasto juntos é BOA COISA

Integração lavoura-pecuária garante produção de silagem de alta qualidade

Daniel Castro Rodrigues*

A intensificação dos sistemas de produção exige do pecuarista investimentos em novas técnicas de produção que permitam a maximização do uso do solo, mão de obra e máquinas. Os sistemas integrados de produção como Lavoura-Pastagem, Lavoura-Floresta e suas combinações vêm ganhando espaço nas propriedades e têm se mostrado promissores ao avaliarmos os ganhos em produção e produtividade animal.

O plantio consorciado entre Milho + Pastagem é uma excelente alternativa para o pecuarista. A adoção desse sistema, quando feita de maneira correta, permite a produção de silagem de qualidade e o estabelecimento de uma pastagem altamente produtiva que permitirá ganhos extras em arrobas, além de cobertura do solo para o plantio direto.

Neste ano, os custos de produção de silagem ficaram entre R$ 2.000,00 a R$ 2.300,00 por hectare. Considerando a produtividade média das propriedades entre 11 e 12 ton/MS/ha (silagens colhidas com 33% de MS) ou 35 toneladas de massa verde por hectare, estaríamos trabalhando com algo em torno de R$ 190,00 a R$ 195,00 por tonelada de massa seca produzida. Nesse sentido, nada melhor que o plantio consorciado MILHO + PASTAGEM para otimização do uso da terra e fertilizantes, além da produção de arrobas extras. Veja a sequência de imagens após a ensilagem do milho. O resultado é pasto verde para produção animal. Trabalhos de pesquisa realizados pela Embrapa apontaram produções de massa seca de Brachiaria superiores a 8,0 ton/ ha. Os pesquisadores ressaltam também a melhora em características físicas do solo, redução de plantas invasoras, aumento do teor de matéria orgânica, maior ciclagem de nutrientes, entre outros.

Em visita a fazendas que já adotaram o sistema, não são raros os relatos de aumento na produção de leite e carne, aumentos na taxa de lotação e capacidade de suporte das pastagens e uma melhor eficiência em todo o sistema produtivo, no que tange o uso do solo, máquinas e mão de obra.

A oferta de forragem extra em um período em que a grande maioria das gramíneas já entram ou entrarão em processo de florescimento (queda na qualidade da forragem ingerida) é bastante interessante para programas de preparo dos animais para confinamento. O fornecimento estratégico de concentrado a pasto, associados à alta disponibilidade de forragem nesse período, permite que se faça a adaptação às dietas com maior uso de concentrado, evitando assim problemas de acidose e perda de peso dos animais após sua entrada em confinamento. Nesse sentido, programas de semiconfinamento e redução do período de permanência em confinamento também devem ser considerados na avaliação de viabilidade dos projetos.

Em geral, os custos de renovação ou recuperação da pastagem no sistema integrado podem, em anos normais, ser amortizados, total ou parcialmente, já no primeiro ano de cultivo. Como dito anteriormente, uma mesma área é utilizada para produção de grãos e/ou volumoso conservado e, posteriormente, para pastejo. Algumas propriedades que já adotaram o sistema têm conseguido ganhos de peso entre 600 a 800 g/cab/dia, com taxas de lotação que variam de 3 a 4,5 U.A/ha. Vale ressaltar que estes níveis de ganhos podem ser encontrados facilmente em muitas propriedades, porém estas taxas de lotação (3,00 U.A/ha) somente podem ser atingidas em sistemas muito eficientes. Esse é um ponto chave do sistema de integração, eficiência produtiva de todos os recursos.

Ao possibilitarmos que uma mesma área produza grãos ou volumosos e ainda seja capaz de alocar animais permitindo aos mesmos altos desempenhos dentro do mesmo ano-safra, estamos maximizando a utilização de recursos. A possibilidade de aliarmos altos ganhos de peso a altas taxas de lotação é a expressão mais clara da eficiência em pecuária de corte. Está aí o binômio determinante do sucesso da pecuária moderna: sustentabilidade na utilização dos recursos naturais e eficiência produtiva – produzir mais gastando menos.

Com a intensificação dos sistemas de produção e a maior competição por áreas agricultáveis, os sistemas integrados vêm somar a uma série de tecnologias que devem ser avaliadas e adaptadas a cada propriedade. Devemos nos tornar cada vez mais competitivos, utilizando de maneira racional os fatores de produção. O leque de opções para o produtor hoje é grande: silagem/pastagem, grão/pastagem, silagem de grão úmido/pastagem, soja/pastagem, soja/milheto e assim por diante. A integração exige investimentos em maquinário, mão de obra qualificada, gestão e planejamento. Recomendamos que aqueles que queiram iniciar sistemas integrados de produção façam um planejamento minucioso dos passos a serem tomados, se possível buscando auxílio de profissionais que tenham experiência no assunto.

Aspectos como dimensionamento de maquinários, estabelecimento de um cronograma de atividade a serem executadas, escolha certa de variedades agrícolas, conhecimentos básicos de condução de lavouras e outros são preponderantes para o sucesso da atividade. Lembrando sempre que de nada adianta uma grande diversificação dos sistemas produtivos se você não entende bem de nenhum deles.

Novo híbrido para silagem é lançado

Da redação

O Convert* SS 3318 é um híbrido de sorgo que pode permitir, segundo a empresa fabricante, alta produção de massa verde e elevada qualidade nutricional com boa participação de grãos na massa ensilada. Existem vantagens em relação à utilização do sorgo silagem: o custo fica entre 80% a 85% da silagem de milho; o consumo equivalente a cerca de 90% da silagem de milho; o valor nutritivo com potencial de produção elevado: entre 75% e 90% da silagem de milho. A qualidade da silagem produzida é de fundamental importância e também pode depender muito da qualidade do material que será ensilado. É necessário que o material apresente tolerância a quebramento e acamamento de plantas. São plantas diferenciadas aquelas com boa capacidade de rebrota, atingindo até 70% da produção obtida no primeiro corte.