A Voz do Criador

 

Da eficácia à banalização

Depois de muito estudo e esforço, a avaliação genética finalmente decola no Brasil. A notícia é boa, posto que o famoso “boi de boiada” está com os dias contados, ainda mais nesta época de grande exigência por sustentabilidade, que obriga os pecuaristas a intensificar a produção utilizando menor área de pasto. As leiloeiras são um ótimo termômetro desse mercado, mostrando que estes reprodutores são procurados e estão mais valorizados, pelos atributos genéticos que portam. Agora, entramos na fase da cautela, pois a valorização atrai especuladores, além de induzir à banalização das antes “temidas” (e hoje necessárias) diferenças esperadas na progênie (DEPs).

Aqui temos três problemas: o primeiro é o perfil dos sumários; há publicações que privilegiam apenas ganho de peso, em detrimento das qualidades de carcaça. O segundo é a recorrente procura apenas pelos touros com TOP 0,1% (melhor em mil) e TOP 1% (melhor em cem). É preciso muito critério no uso dessa informação, pois eles não são capazes de corrigir os rebanhos de toda e qualquer propriedade. Muitas vezes, por exemplo, o reprodutor pode ser TOP 0,1% em uma característica que pouco ou nada agrega ao criador. E, por último, antes de qualquer interpretação do sumário, é preciso avaliar a acurácia. É ela que indica o quanto aquela estimativa é confiável. Esta, assim como a própria DEP, também pode variar. Ficam as dicas deste importante assunto, que será tratado em “Avaliação Genética”.

Completam o tema, o uso seguro de touros jovens, aqueles que são avaliados, mas ainda não possuem uma quantidade relativa de filhos que comprovem seu desempenho. É possível melhorar o rebanho com eles, desde que sejam escolhidos com critério. Genômica também ganha destaque, em “Genética”, relembrando o surgimento dos marcadores moleculares e o teste de paternidade com DNA, hoje realidade nas associações de raça. Para brindar a pauta, Cláudio Sabino Carvalho Filho é nosso entrevistado do mês e fala de avaliação genética e do futuro da Naviraí, assim como “Tour Internacional” retoma os debates entre Tipo versus Resultado.

“Pastagem” retrata o novo momento das sementes incrustadas, que lutam para reconquistar a confiança do pecuarista. Complementam a edição o tradicional Especial Angus, “Mercado”, com o movimento contra a concentração dos frigoríficos; “Escolha do Leitor”, com o abate de Nelore Hiperprecoce, uso de fibra nos confinamentos, tratamento da retenção de placenta na pecuária leiteira, consórcio de pasto e milho e dicas para identificar a qualidade do feno, e muito mais. Lembramos que nesta edição segue a carta reposta para votação do Touro de Ouro, que ocorre em novembro. Não deixe de votar.

Boa leitura!