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Vendas AQUECIDAS

“O mercado está procurando touros muito bem provados e com elevada confiabilidade”

O gerente de Corte Zebu da CRV Lagoa, Ricardo Abreu, fala sobre a comercialização de sêmen de zebuínos e as exigências do mercado

Revista AG – Como está a venda de sêmen de zebuínos?

Ricardo Abreu – Está crescente, algo em torno de 25% ao ano. O excepcional custo-benefício do uso da tecnologia da Inseminação Artificial (IA) e a ferramenta da Inseminação Artificial em Tempo Fixo (IATF) são alguns dos fatores contribuintes para o crescimento vertical da venda de sêmen.

Revista AG – Quais os destaques da bateria de zebuínos?

Ricardo Abreu – Os mais procurados são os touros campeões dos testes de performance, como no CP CRV Lagoa, e os líderes dos sumários da raça. Touros como CFM Orgulho, C 2569 MN (Jamanta), C 8288 MN (Bacana), Dolman IZ, Missoni, Ranchi, da raça Nelore, são os mais requisitados, assim como Jaguarai de CV (Nelore Mocho), Apollo e Genero da Capital (Guzerá), Mr. Jack e Querença 702 (Brahman), Macacão das 4 irmãs e Líder (Tabapuã).

Revista AG – Há procura de touros zebu para cruzamento industrial?

Ricardo Abreu – A base da vacada utilizada para o cruzamento industrial é anelorada. Inseminada com touros taurinos, produz-se os animais F1 (meio-sangue). A partir daí, dependendo do sistema de produção empregado, a grande opção é “voltar” com uma raça zebuína para manter um pouco da heterose com elevada adaptabilidade. Os touros zebu muito bem provados nos sumários para características lineares de carcaça e que possuem sêmen sexado de macho são os mais procurados para esta opção.

Revista AG – Qual genética o mercado vem procurando para cruzamento?

Ricardo Abreu – Touros provados com elevada confiabilidade. Isto é, além dos touros de melhores DEPs, é imprescindível monitorar o risco através da utilização daqueles touros com maior número de filhos, o que é sinônimo de maior confiabilidade.

Revista AG – Como funciona o processo de contratação de um touro zebu?

Ricardo Abreu – O trabalho começa com um acompanhamento a partir do desempenho do próprio touro em pista, na prova ou avaliação das progênies, quando estas nascerem. Opção de pedigree é um ponto importante também.

Revista AG – O que esses touros precisam ter em seus “currículos”?

Ricardo Abreu – Primeiramente, eles devem ter um desempenho diferenciado em características econômicas e capacidade de imprimir essas qualidades nas progênies e nos rebanhos.

Revista AG – Como você avalia o uso do melhoramento genético para escolha de uma boa matriz zebuína?

Ricardo Abreu – O maior patrimônio de quem participa de um programa de melhoramento genético é a disponibilidade das avaliações das fêmeas do rebanho. Com essas informações em mãos, o criador possui melhores condições para fazer acasalamentos dirigidos, bem como focar na reposição e promover o descarte das piores fêmeas do plantel. Assim, possui subsídio para fazer uma correta seleção.

Revista AG – Como foram as vendas de sêmen nesse primeiro semestre? Já tem um balanço parcial?

Ricardo Abreu – As vendas estão indo bem, num patamar crescente, algo em torno de 12% a 15%. Continuaremos trabalhando forte e vamos aguardar o balanço final das vendas de sêmen da Associação Brasileira de Inseminação Artificial (ASBIA).

Revista AG – Quais as expectativas de comercialização para o segundo semestre?

Ricardo Abreu – Muito significativa. A expectativa é crescente para o segundo semestre, quando temos a maior demanda, devido ao início da estação de monta. Esperamos um crescimento de 15% a 20% nas raças de corte para 2012.