Sobrevoando

Melhoramento

[email protected]

Melhoramento é uma das palavras da moda na pecuária hoje. E é aplicado normalmente em relação ao melhoramento genético. Melhoramento que imagino queira dizer melhorar algo, alguma característica, ou várias. Mas como saber o que é melhor, o que realmente queremos ou o mercado quer? E será que se melhorarmos alguma característica não estaremos prejudicando outras?

E este tal de melhoramento, será que ele é definitivo? Ou desejamos uma coisa hoje e amanhã vamos querer outra? Fico com a segunda opção.

Mas vamos lá. Há pouco tempo, melhorar um bovino de sangue taurino significava torná-lo, entre outras características, menor. Bem menor. O melhoramento dizia que os bovinos deviam ter a forma de um paralelepípedo, com pouca pata, muita caixa e muita graxa. Este gado parecia muito com um suíno. Era o moderno da época. Anos 50, 60 do século passado. Parece muito tempo, mas foi basicamente anteontem em termos de pecuária.

Depois de quase todos os criadores, com muito esforço e gastos, conseguirem transformar o gado normal em melhorado, a moda mudou.

Veio o New Type. Os baixinhos em forma de paralelepípedo não eram mais os melhores, foram “batizados” de Old Type e também estavam totalmente old fashion (fora de moda).

O New Type era um animal oposto ao modelo antigo. Era muito alto e muito comprido. Pernas altas e muito músculo. Pouco ou nada de gordura. Foram introduzidas raças continentais em cruzamentos e até aceitas, em alguns casos, em gado puro para melhorar as raças baixinhas. Esta moda durou algum tempo, anos 70 e 80. Logo ali atrás.

Dos anos 2000 pra frente o que impera é o meio-termo. O médio. Mas será que é o médio para mais ou médio para menos? Mais gordo? Menos músculo? Mais precoce? Mais pesado?

Por sorte, os zebuínos ficaram fora desta. Pelo menos eles não precisaram diminuir para depois aumentar. Aumentaram direto e continuam aumentando.

A grande sorte da pecuária brasileira é que o melhoramento genético destes anos passados aconteceu muito mais no gado dito de elite do que no rebanho comercial.

No elite, passamos por todas estas transformações e exageros e, no gado de gente normal, pecuarista comercial, isso acabou não acontecendo, pelo menos não com a mesma intensidade. O gado geral, comercial, sempre foi do tamanho que o pasto selecionou. Pasto melhor, gado maior e mais pesado. Pasto pior, gado menor e mais leve. Quem tentou fazer diferente se deu mal.

Mas, de uns tempos pra cá, parece que alguma coisa está mudando de verdade. O melhoramento genético, pelo menos parte dele, está focado em números, em novas técnicas e, principalmente, e essa pra mim que ando sobrevoando por aí, é a grande novidade, em animais comerciais. Esta é a grande sacada, a grande mudança. Não é mais a pista que está sinalizando quais os melhores touros e vacas. É o gado comercial. É o touro comercial, realmente selecionado e não colecionado, que está fazendo a diferença. Sinal dos novos tempos, com a pista sendo o reflexo do campo e não ao contrário. Oxalá.