O Confinador

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CUSTOS DE ALIMENTAÇÃO

Perspectivas para milho, soja, farelo, caroço, algodão e polpa cítrica

Rafael Ribeiro de Lima Filho*

A menor oferta e os estoques apertados puxaram os preços da soja para cima nos mercados internacional e brasileiro.

Com o milho a situação é diferente. A expectativa de uma safrinha recorde tem derrubado os preços nas principais regiões produtoras.

Estes cenários confirmaram a expectativa de incertezas e de oscilações de preços dos grãos e insumos agropecuários em 2012.

A Companhia Nacional de Abastecimento (Conab) divulgou, em junho, o nono levantamento de acompanhamento da safra brasileira de grãos 2011/2012.

No relatório, mais um aumento na estimativa de produção de milho safrinha. A Conab estima em 32,9 milhões de toneladas a produção nesta temporada.

Desde janeiro, os números referentes ao milho de segunda safra vêm sendo revisados para cima. Veja a figura 1. A área plantada aumentou 22% em relação à safrinha passada e a produção deve crescer 53%.

O milho de segunda safra deve representar 48,5% da produção total em 2011/2012. Em 2000/2001, a safrinha representava menos de 10% da safra total.

A previsão de uma safrinha cheia, a maior da história, pressionou negativamente as cotações do milho. Na região de Campinas, em São Paulo, o preço da saca caiu 14,4% de março a maio.

Na primeira quinzena de junho, no entanto, a pressão de baixa perdeu força, pois a colheita foi prejudicada pelas chuvas. O milho ficou cotado próximo de R$ 26 por saca de 60 quilos (figura 2).

Em São Paulo, Goiás, Mato Grosso e Paraná, principais regiões produtoras, a colheita da safrinha já começou. Com o avanço da colheita e o aumento da disponibilidade de milho no mercado interno, a expectativa é de preços frouxos com o fim das chuvas.

POLPA CÍTRICA

Apesar do milho mais barato, o preço da polpa cítrica peletizada subiu. A demanda pelo produto está boa e há pouca disponibilidade.

Em São Paulo, a tonelada ficou cotada em R$ 377,50 em junho (preço médio).

O pecuarista está pagando 5,8% mais pela polpa cítrica, na comparação com o mesmo período do ano.

Apesar disso, considerando apenas o custo do NDT na matéria seca do alimento, a polpa cítrica é a melhor opção, na comparação com o milho e o sorgo grão (tabela 1). Outros pontos precisam ser avaliados, como disponibilidade e qualidade do produto na região.

SOJA CARA IMPACTOU PROTEICOS

Os embarques em ritmo bom e os estoques apertados dão sustentação aos preços da soja.

De janeiro a maio de 2012, o país exportou 18,5 milhões de toneladas de soja, frente a 13,5 milhões de toneladas em igual período de 2011. Lembrando que em 2011 a exportação já havia sido recorde.

Em junho, em Paranaguá, no Paraná, a soja ficou cotada em R$ 65,00 por saca de 60kg. Essa cotação está 37% maior na comparação com o junho de 2011.

Desde janeiro o preço do grão subiu 34,9% na região, menosprezando o efeito safra.

A expectativa para 2012/2013 é de que a área com soja aumente no Brasil, em função dos bons preços e das perspectiva de uma demanda crescente. O avanço deve ser principalmente sobre a área de milho de primeira safra.

A alta da soja puxou para cima os preços do farelo.

Segundo levantamento da Scot Consultoria, em junho, na praça de São Paulo, a tonelada de farelo de soja ficou cotada em R$ 1.045,00. Alta de 50% em relação ao mesmo mês do ano passado.

As exportações aquecidas colaboram com a pressão sobre os preços do farelo de soja. De janeiro a maio, o Brasil exportou 7,1% mais farelo na comparação com igual período de 2011.

O farelo mais caro fez aumentar a procura por fontes alternativas. Consequência disso foi o aumento de preços verificados para o farelo e o caroço de algodão.

As chuvas também atrasaram a colheita do algodão e a previsão da indústria é de entrega destes produtos - farelo e caroço de algodão - a partir de julho/agosto.

Por fim, o planejamento das compras de insumos é essencial para um resultado positivo no confinamento. Não basta acertar somente na venda dos animais.

*Zootecnista e consultor da Scot Consultoria