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Jacarezinho expande e aposta na GENÔMICA

O diretor Ian Hill fala sobre o avanço no oeste baiano, investimentos tecnológicos e o leilão de touros

“Já usamos a genômica nas identificações de teste de paternidade e, com isso, aumentamos em cerca de 40% a produção de animais com CEIP”

Revista AG – Quais foram as principais mudanças da Jacarezinho nos últimos dez anos?

Ian Hill –A genética evoluiu de maneira excepcional. O CEIP (Certificado Especial de Identificação e Produção) tornou-se uma realidade, a IATF ganhou relevância e agora a genômica chega para mostrar um novo caminho. É um processo de melhoramento genético contínuo e que a Jacarezinho vem acompanhando.

Revista AG – Quais os principais motivos da mudança do rebanho para a Bahia?

Ian Hill – Uma soma de fatores. A evolução do preço da terra em São Paulo, a melhor remuneração da cana- de-açúcar, outra atividade da empresa, e a potencialidade do oeste da Bahia, muito pródiga para a pecuária de corte. Os anos provaram que a decisão foi acertada. Os ganhos produtivos e reprodutivos dos animais da Jacarezinho são elevados e nossa genética aditiva deu um salto importante.

Revista AG – Como está atualmente o mercado baiano?

Ian Hill – Em crescimento. Quando chegamos à Bahia, nos meados da década passada, tivemos de formar a fazenda e incorporar conceitos profissionais pouco utilizados na região. Nesse processo, vieram outros projetos e as fazendas que já trabalhavam com gado passaram a utilizar uma genética melhor, elevando a produtividade. Hoje, o oeste da Bahia é uma realidade incontestável, mas este é apenas o início do processo de fortalecimento.

Revista AG – Qual a importância do investimento e do envolvimento nos programas genômicos?

Ian Hill – Entendo que a genômica seja um divisor de águas na pecuária. Até agora, foi feito um trabalho excepcional de aumento de eficiência produtiva e reprodutiva. Com a genômica, os parâmetros atuais serão ultrapassados e o melhoramento genético, acelerado. A Jacarezinho, por exemplo, já está usando a genômica nas identificações de teste de paternidade. Somente com esse indicador aumentamos em cerca de 40% a produção de animais com CEIP.

Revista AG – Qual o balanço da estação de monta da Jacarezinho?

Ian Hill – Foi muito bom, com índices médios de prenhez superiores a 80%. Importante destacar que nossa estação de monta na Bahia começou na primeira semana de janeiro e envolveu 13.500 matrizes próprias na fazenda e em arrendamentos, além de cerca de 3 mil matrizes em parceria. Neste ano, também realizamos IATF em 3.900 matrizes e fechamos essa parcela da reprodução acima dos 60% de prenhez, resultado muito expressivo, pois é superior à média nacional, que gira entre 52% e 54%.

Revista AG – Como é o sistema de monta da Jacarezinho?

Ian Hill – Utilizamos 275 touros nos diversos tipos de serviços (monta natural, monta controlada e repasse de inseminações), o que dá um touro para 50 vacas. No dia 20 de março, foram retirados os touros da vacada. Assim, a estação perdurou por 75 dias, sendo 45 de inseminações e 30 dias de repasse com os touros.

Revista AG – Quais as expectativas para as vendas de touros que se iniciam no dia 7 de julho?

Ian Hill – Muito positiva. Os pecuaristas estão se acostumando rapidamente ao novo momento do mercado, em que vale muito mais o investimento em reprodutores avaliados do que em uma aventura ou aposta sem dados.

Revista AG – Quais as novidades que os pecuaristas irão encontrar na 20ª edição do Leilão de Touros Jacarezinho?

Ian Hill – Será um megaevento para o pecuarista interessado em melhorar o rebanho, tendo à disposição 150 touros com CEIP nascidos em 2009, previamente selecionados e já testados na estação de monta do início de 2012 pela própria Jacarezinho. Estes touros resultam de uma safra com alta qualidade genética.