O Confinador

MERCADO PODE CRESCER

Levantamentos apontam perspectivas para gado confinado em 2012

A Associação Nacional dos Confinadores (ASSOCON) possui 65 associados, totalizando 71 confinamentos distribuídos nos seguintes estados: GO, MT, MS, TO, PA, BA, MA, MG, SP, RJ e PR. Em 2012, esses confinamentos poderão produzir, aproximadamente, 627 mil animais, segundo levantamento realizado pela entidade.

Entre os entrevistados, o crescimento médio estimado no volume de gado confinado para 2012 é de 13%. No fechamento do mês de abril, estavam garantidos para a engorda em 2012 aproximadamente 63% da meta, contra 77% no mesmo período em 2011.

No final do mês de abril, os confinamentos estavam com uma taxa de ocupação de 25%, aproximadamente. A projeção é que, em junho, suba para 47% e, em julho, para 67%.

Uma informação importante é que os associados indicaram na pesquisa que as áreas de pastagens nas suas regiões estão de regulares a ruins para a época do ano. Outro dado relevante é o custo maior da dieta dos animais confinados para este ano, por conta da apreciação de farelos e outros produtos utilizados para compor a proteína da ração.

Em relação à entrega dos animais aos frigoríficos, as vendas a princípio estão programadas, segundo o gráfico abaixo.

Algumas outras pesquisas que acompanhamos também indicam crescimento na engorda de animais em confinamento. Recentemente, o Banco Original divulgou pesquisa realizada com 227 confinadores (que fecharam 939 mil animais em 2011) que indicou aumento de 19% para 2012 no volume de animais. Já a Informa Economics FNP estima crescimento na ordem de 14,8%. De acordo com a Informa Economics FNP, foram confinados, em 2011, 3.377.311 bovinos e, para 2012, é esperado o total de 3.876.350 animais. Em relação à venda aos frigoríficos, conforme a pesquisa da Assocon, no 1º semestre de 2012, o volume de gado entregue poderá corresponder a 12%, com preço médio da arroba (conforme contrato BM&F) de R$ 94,02.

Já entre julho e agosto o fornecimento para a indústria está estimado em 32%, com o preço da arroba projetado para R$ 98,50; entre setembro e outubro, a projeção do índice de entrega aponta para 38%, com média de preço R$ 100,90/@, e, entre novembro e dezembro, 18%, com preço médio a R$ 102,68/@.

LEVANTAMENTO DA AGÊNCIA SAFRA

O mercado brasileiro de carne bovina trabalha com uma expectativa de crescimento de 13% no confinamento em 2012, segundo o mais recente levantamento divulgado pela consultoria Safras & Mercado. Deverão ser confinadas 3,233 milhões de cabeças de gado, ante as 2,861 milhões de 2011.

De acordo com o analista de Safras & Mercado, Paulo Molinari, esta é uma das maiores expansões anuais já registradas nacionalmente. “Este aumento toma como base a tendência de uma redução significativa nos custos, devido à grande oferta disponível de milho safrinha e a possibilidade de um avanço nas exportações, com a desvalorização do real frente ao dólar”, explica.

Molinari destaca que o Mato Grosso será um dos estados com maior potencial de expansão, alcançando um confinamento de 499,8 mil cabeças, quase 39% superior ao verificado no ano passado. “A grande oferta de milho para este ano pode ter sido a principal variável de motivação para este confinamento, com um gado que surgirá no mercado interno em meados de agosto”, sinaliza.

O analista afirma que os estados de Goiás e Mato Grosso do Sul também continuarão elevando o volume de gado confinado em 2012, com incremento esperado de 14% e 18,1% ante o ano passado. “O indicativo é de que o estado de Goiás volte a liderar o ranking de confinamento no país, com 747 mil cabeças, logo à frente de São Paulo, que tende a confinar 732,2 mil cabeças”, informa.

Molinari alerta ainda que as atenções do mercado bovino estarão centradas também no clima para o segundo semestre. “Diante da presença do fenômeno El Niño, as chuvas deverão ser o ponto forte da primavera e do verão. Boas chuvas na primavera poderão acentuar as vendas de gado confinado, sugerindo também condições favoráveis às pastagens para a safra 2013, o que poderia favorecer a entrada de gado de pasto no mercado em meados de agosto”, conclui.

 

CONFINAMENTO SÃO HOMENAGEADOS NO 2º PRÊMIO NELSON PINEDA

Repetindo o sucesso do ano passado, a Associação Nacional dos Confinadores (Assocon), o Agrocentro e a Scot Consultoria irão premiar, em 2012, os 40 destaques do confinamento 2011 e, entre estes, os dez melhores em sustentabilidade.

De acordo com o engenheiro-agrônomo da Scot Consultoria, Marco Túlio Habib Silva, para esta edição a metodologia de avaliação dos confinamentos inscritos foi aprimorada e seis categorias serão homenageadas: Excon, Sustentabilidade, Eficiência na Nutrição do Gado Confinado, Inocuidade na Produção de Alimentos, Total de Arroba Produzida e, a mais nova delas, Equipe Confinamento Nota 10, que será contemplada ao confinamento melhor posicionado nos índices Excon e Sustentabilidade. E, como na edição de 2011, o 1º lugar de cada categoria vai ganhar uma viagem aos Estados Unidos para conhecer o sistema de confinamento norteamericano e uma unidade processadora de grãos.

“O Prêmio Nelson Pineda é um reconhecimento mais do que justo aos confinadores que prezam pela utilização de práticas sustentáveis, como o controle da sanidade, a eficiência e a qualidade de produção na pecuária intensiva”, destacou Marco Túlio.

Segundo os organizadores, no ano passado, foram aproximadamente 100 inscritos e, para esta edição, a expectativa é que o dobro de confinadores das cinco regiões do país participem.

A entrega dos troféus aos homenageados nesta segunda edição do Prêmio Nelson Pineda acontecerá na noite do dia 12 de junho, em jantar comemorativo, integrando as atividades da Feicorte, no salão de eventos do Espaço Carne, anexo ao Centro de Exposições Imigrantes, na capital paulista.


 

GERENCIAMENTO DE DADOS

Como avaliar os resultados do confinamento se as informações não são confiáveis?

Hudson Castro*

Gestão é um assunto que cada vez mais vem ganhando espaço na pecuária de corte nacional, de tal forma a reforçar um tema discutido há muito tempo, que é a necessidade de profissionalizar e transformar a propriedade pecuária em uma empresa. Porém, não podemos achar que tudo que foi feito até aqui foi de forma equivocada. Seria uma incoerência acreditar que crescemos tanto na pecuária de corte fazendo tudo de maneira errada.

 

O Brasil possui particularidades no sistema de produção. Se juntar a nossa dimensão, as condições climáticas e de solo, o rebanho, a participação no mercado mundial, com certeza estes itens nos fazem únicos. E para que a produção e o comércio sejam cada vez mais relevantes, estamos sendo “obrigados” a fazer grandes mudanças na nossa tradicional forma de produzir.

 

Onde a necessidade de melhoria nos índices zootécnicos para aumento do retorno econômico força o pecuarista a buscar ferramentas para controles produtivos e gerenciais da propriedade, que estão extremamente interligados. Infelizmente, em grande parte das vezes, estes controles de dados nas fazendas são feitos de maneiras ineficazes, sendo extremamente dependentes de mão de obra. A questão é: como ter dados confiáveis sem pensar em capacitação dos funcionários? Mais ainda, como obter estas informações sem priorizar ferramentas que possam garantir a confiabilidade? É importante lembrar que será com estes dados que as decisões gerenciais e estratégicas da produção serão tomadas, tendo a “certeza” de se alcançar o resultado planejado.

 

A única forma de obter controle eficaz com maior probabilidade de coletar informações confiáveis é com o uso de ferramentas que tornem as informações mais precisas. É possível ter controle real do rebanho sem a identificação individual dos animais ou sem o uso de um software funcional? Vê-se uma enorme quantidade de pecuaristas obrigados, via rastreabilidade, a fazer um controle individual de todo o rebanho, porém, um volume mínimo destes pecuaristas utiliza estas informações para tomar decisões e fazer um planejamento gerencial.

 

Um exemplo prático dos questionamentos mencionados acima é o sistema de produção de carne em confinamento, que no geral pode ser classificado como o segmento da cadeia com maior uso de tecnologia, onde os índices podem ser medidos de maneira mais eficaz. Neste cenário, uma dura realidade é observada em grande parte dos confinamentos do Brasil, que é a forma “amadora” de coleta destes dados. São inúmeros os confinamentos que não conseguem, por exemplo, determinar quanto de comida foi fornecida para cada lote de animais para que o resultado zootécnico realizado seja comparado com o planejado. Isto é inadmissível na produção de aves e suínos, por exemplo, e também deveria ser para a produção de carne bovina.

 

Como podemos pensar em gestão da produção sem termos informações tão relevantes quanto essas? Por este motivo que, no decorrer dos últimos dez anos, o software “Feed Manager” foi aprimorado, para que permitesse gerenciar as atividades inerentes ao fornecimento de trato e também realizar todos os controles zootécnicos e financeiros do confinamento, onde facilmente o responsável do estabelecimento pode determinar as atividades de rotina, os manejos diários, as checagens operacionais e fazer todas as análises de resultados zootécnicos, além das avaliações gerenciais e econômicas.

 

Com o objetivo de fechar todos os elos neste sistema de produção e minimizar ao máximo a possibilidade de erro, continua-se a busca por oferecer novas soluções aos confinadores.

 

O Feed Tracer tolera a automação do trato dos animais de maneira extremamente precisa e ágil. É um sistema que possibilita ao confinamento ter os controles de alimentos e de alimentação, com a mínima interferência e dependência da mão de obra. Este sistema permite uma maior segurança nutricional, reduzindo as falhas no fornecimento de dieta, grande causadora de distúrbios nutricionais como a acidose. Temse a rastreabilidade da quantidade dos alimentos utilizados para a engorda dos animais lote a lote de forma automática, por meio de sistemas integrados entre o “Feed Manager”, o vagão distribuidor e os piquetes, ou seja, a informação será gerada sem a necessidade de anotações manuais. Um software funcional proporciona aos confinadores controles práticos, com baixo custo e com grande otimização dos equipamentos de trato, com menor desgaste dos mesmos. Ainda garante segurança financeira, tornando-se uma grande ferramenta para segurança alimentar.

 

Desta forma, se fornece um acompanhamento necessário, ajudando para as melhores decisões gerenciais e a conhecer a fundo o sistema de produção. Este é um modelo que visualizamos para a pecuária brasileira, que se torna cada vez mais sólida e comprometida entre todos os elos, que exige cada vez mais eficiência zootécnica, controle de dados apurados, com maior segurança aos consumidores e maior retorno econômico. Acreditamos que somente com esta visão de gerenciamento e de controles é que o pecuarista conseguirá fazer a adequada gestão do sistema de produção e tornar, assim, a pecuária mais rentável e mais competitiva, como os outros segmentos agropecuários.

*Médico-veterinário e gerente Nacional de Negócios de Bovinos de Corte da Nutron Alimentos