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Brahman Sustentável, quando um hectare produz mais

Implementado pela ACBB em 2010, o Brahman Sustentável tem no trabalho realizado pelo pecuarista, engenheiro-agrônomo e especialista em Extensão Rural Arno Schneider na Estância Anna Sophia/MT um de seus maiores exemplos

Com o objetivo de estimular a difusão de informação sobre a necessidade de uma correta gestão socioambiental da propriedade e sobre como o Brahman pode ser um aliado para tornar a pecuária ainda mais sustentável, a Associação dos Criadores de Brahman do Brasil (ACBB) lançou, em outubro de 2010, o projeto Brahman Sustentável, em parceria com a Prefeitura Municipal de Uberaba e com apoio de Agrocentro e Brahman News.

Segundo o diretor-executivo da associação brahmista, Lydio Cosac, o projeto surgiu da necessidade de aumento da produtividade do rebanho de corte aliada à preservação ambiental. “Elaboramos uma cartilha que contém informações essenciais sobre como atender a essa exigência mundial. Com certeza, a verticalização da atividade pecuária é o futuro do setor”, observa Cosac.

Cosac avalia, ainda, que, por ser um gado sustentável, o Brahman pode contribuir muito para que a pecuária brasileira se torne a mais produtiva e sustentável do mundo. “Ao utilizar genética Brahman no rebanho, é possível reduzir a idade dos animais que vão para o abate”, explica. Essa avaliação é comprovada por números: enquanto a média nacional de abate é de 37,5 meses, a do Brahman é de apenas 28 meses. Esta redução é uma das principais formas de mitigação da emissão de metano (CH4) causada pela fermentação digestiva dos ruminantes.

SISTEMA SILVIPASTORIL

A Estância Anna Sophia, localizada em Cuiabá/MT, pode ser considerada um modelo quando se fala em pecuária sustentável. O trabalho de seleção Brahman na propriedade, iniciado em 2003 por Arno Schneider, com o apoio do filho Zaca, foi uma das atrações do Dia de Campo Estância Anna Sophia, em 21 de abril. O objetivo da família é a produção de animais funcionais, com bom acabamento de carcaça, precocidade sexual e habilidade materna. “A fazenda tem tradição de promover dias de campo e de estar sempre atenta às novas tecnologias que surgem no mercado”, explica Zaca, que apresentou aos visitantes os destaques do plantel.

Além de uma genética diferenciada, é preciso que o criador adote outros procedimentos para alcançar a sustentabilidade na atividade. Uma alternativa que vem dando resultados é o sistema silvipastoril. Doze anos antes de a ACBB implantar o Brahman Sustentável, Arno Schneider introduziu o sistema em sua propriedade e hoje, pautado pelos resultados, é seu defensor. Tanto é que a palestra ministrada pelo criador foi outra atração do evento. “Dei o meu depoimento pessoal sobre a implantação do sistema silvipastoril, com o objetivo de incentivar outros colegas criadores a investir nesta técnica. É uma oportunidade de lucro adicional, uma vez que a floresta plantada na pastagem não traz prejuízos à atividade pecuária. Pelo contrário, são inúmeros benefícios, entre eles, a lucratividade, o conforto animal e a sustentabilidade ambiental, através do sequestro de carbono”, ressalta o produtor.

O sistema silvipastoril na Anna Sophia é baseado na integração entre o gado Brahman e a espécie florestal Teca – que tem madeira altamente valorizada, devido a sua qualidade – e foi implantado em 150 ha da propriedade, com uma média de 150 árvores/ hectare.

Arno explica ainda que são três os fatores que mais influenciam na produtividade e na rentabilidade da pecuária de corte por hectare explorado: a melhoria dos índices zootécnicos, a adubação de pastagens e os sistemas silvipastoris.

De acordo com Arno, o sistema permite que se explore simultaneamente duas culturas: espécies florestais ou frutíferas e pastagem. “É necessário harmonizar os três elementos que compõem o sistema: a pastagem, o animal e a floresta. Deve-se executar o plantio das árvores num espaçamento e lotação que não prejudique a pastagem pelo excesso de sombreamento”, ressalta Arno. A ideia básica do sistema silvipastoril é adicionar renda. O tempo do retorno econômico será de acordo com a espécie utilizada no consórcio.