O Martelo

 

Mega Leilão da Estância Bahia

Remate impressiona pelos números e pelo mercado que movimenta

Adilson Rodrigues [email protected]

Três e quarenta da manhã, o relógio desperta impiedosamente. Às 4h, trocado e pronto para sair de casa. Cinco e meia em ponto sai o air bus service rumo ao aeroporto de Viracopos, em Campinas/SP, de onde às 9h sairia o voo de uma hora e 20 minutos à quente Goiânia/GO. Apenas às 15h saiu o táxi aéreo para Água Boa, chegando à pequena cidade por volta das 17h. Após uma viagem longa, nada como deliciar os olhos com 40 mil cabeças de boi reunidas. A maratona foi um esforço pequeno comparado à emoção de acompanhar o Mega Leilão da Estância Bahia Leilões, que em sete horas comercializou exatas 40.941 animais de cria, recria e engorda em 21 de abril.

De primeira impressão, o leilão chama atenção pela magnitude, pois é bonito ver tanto gado junto. Depois, por toda a logística que envolve. A pacata Água Boa literalmente para ao receber o Mega Leilão da Estância Bahia - em sua 12ª edição -, algo que só acontece novamente na festa do peão. O aeroporto exige maestria dos comandantes para acomodar as 67 aeronaves que trazem os mais de 1.000 convidados do leilão. Parece um estacionamento de carro. Após o remate, fica intenso o tráfego de pickups e micro-ônibus que levariam todo esse povo aos hotéis, que, por sinal, estavam lotados em um raio de 80 km de Água Boa. Só não perdia para os caminhões que transportam os bois vindos de todo o Centro-Oeste e de algumas outras regiões do País.

Chegando ao recinto, quem fica sentado em uma mesa próxima ao Tattersal nem imagina quanto esforço é desprendido para que seja possível dar fluência ao grande leilão. Nos currais, 20 homens - que valem por 50 - desafiam as leis de Isaac Newton, o pai da Física, para que uma amostragem de 4 mil bois, divididos em 188 lotes, pudesse ser apreciada pelos 56 compradores, que os disputaram com outras centenas de pecuaristas. Prazeroso de se ver a liquidez, superior a muitos remates de gado de elite de marcas tradicionais. Acomodar e alimentar o público também não foi tarefa das mais fáceis, exigindo habilidade da organização. Em apenas um dia foram servidos 5 mil litros de bebidas, além de 60 mil quitutes. O Mega Leilão movimenta R$ 40 milhões na economia do MT.

leiloeiros Adriano Barbosa e Paulo Brasil captavam lance a lance o interesse de compra dos clientes. Incrível foi não ouvilos roucos por um minuto sequer, como se podia esperar. Esgotado, beirando as 19h30 do horário de Brasília - adotado por Água Boa de forma informal, como explicavam os jornalistas cuiabanos presentes (a capital Cuiabá atrasa o relógio em uma hora) -, o valente Maurício Tonhá, diretor da Estância Bahia e idealizador do Mega Leilão, que estava apenas com o café da manhã no estômago, quase sem voz, anuncia o faturamento do remate: R$ 34.582.448,00, com médias de R$ 938,28 para os machos e R$ 557,86 para as fêmeas. Foi um pouco abaixo do esperado, mas apenas pelo fato de a cotação estar mais achatada que no ano passado. Em arrobas, o remate se superou.

Uma amostragem de 4 mil animais passou pelo Tattersal

Realmente, o Mega Leilão é uma prova de que sonhos se realizam. Maurício, baiano de Santa dos Brejos, nunca imaginou que o negócio tomaria tal forma. A pecuária agradece ao criador de sotaque cantado, que, com um tom de deboche, afirmou ser impossível comercializar 10 mil animais em um único dia. “Então, a partir deste momento, não serão mais de 10 mil animais, serão 10.001, e ainda freto o avião para você assistir”, rebateu Maurício. E assim nasceu o Mega Leilão da Estância Bahia Leilões em 2001. Só para registrar, esta primeira edição negociou 12.861 bovinos. A pecuária agradece!

EXPANSÃO

Além de Água Boa, o Mega Leilão também acontece há dez anos na capital mato-grossense. Neste ano, a novidade é a extensão do remate para Goiás, onde será realizado na cidade de Britânia, no dia 13 de maio, com transmissão do canal Terraviva a partir do meio-dia.

Maurício ganhou o apelido de leiloeiro das grandes boiadas

Goiás lidera o ranking de confinamento no País, com 45% de todo o setor. Vão ao martelo 10.012 animais de cria, recria e engorda, resultado de uma parceria com a Associação de Produtores do Vale do Araguaia (APROVA), composta por 102 criadores.

Em 19 de maio, também às 12h e com transmissão do mesmo canal, o circuito volta para Mato Grosso, na capital Cuiabá, onde se encerra em 19 de maio, na filial da Estância. Serão apregoados 22 mil animais. No ano passado, esta etapa rendeu R$ 19,5 milhões. Maurício estuda nova etapa em Campo Grande/MS.